quinta-feira, outubro 03, 2013

O NOSSO PARTIDO É O POTRO PÓNEI

Corre a ideia de que, no Porto, as eleições foram ganhas e perdidas no Facebook e que é no Facebook que a cidade do Porto se pensa, se agita e se move, sendo o seu centro nevrálgico e a sede da sua massa crítica os passeantes pela Avenida Brasil. É bem possível. Alguns dias antes do voto, dei-me ao trabalho de ir comparando a quantidade de gostos por post entre a Página Oficial de Campanha de Rui Moreira e a de Menezes. Foi aí que as evidências me perturbaram a convicção quanto ao sucesso certo do meu candidato, um político assertivo, ágil, um decisor com visão de futuro, experiente, forte. Embora com menos posts, menos fotos, menos ideias, menos um pouco de tudo, cada post rui-moreiraniano tinha para cima de duzentos gostos, ao passo que a página de Menezes averbava em média, por cada post, cem ou menos. Valia o que valia. Como nunca me satisfaço factos consumados e verdades de cristal, percorri ontem uma das zonas portuenses que varremos em arruada, a Boavista, para colocar uma questão simples às mesmíssimas pessoas que havíamos cumprimentado e que nos haviam retribuído um sorriso de confiança bem como a promessa subliminar do voto: «Por que acha que o Dr. Menezes não ganhou?» As respostas foram surpreendentes vindas de gente laboriosa pouco interessada em política e muito menos dada a facebooks: donos de restaurantes, frutarias, peixarias, cafés, gente da loja da esquina, professoras reformadas, gente da rua, na rua, gente suficiente para me dar uma explicação consistente para a minha derrota, a nossa derrota. Ei-los no que, grosso modo, me disseram: «Eu gosto muito do Dr. Menezes, mas não votei nele porque nunca explicou como seriam pagas as dívidas deixadas em Gaia; o Dr. Menezes nunca teria recursos para cumprir o que prometia; com a situação do País é pouco plausível que o Dr. Menezes cumprisse o que prometia; o Dr. Menezes é muito bom político e fez imenso por Gaia, mas tive medo de que deixasse o Porto igualmente endividado.» O medo, a prudência são características sócio-culturais de uma faixa etária experimentada pelos anos e que, sabemos, predomina na cidade. O medo. Há endividamento e endividamento. Nunca foi possível ao Dr. Menezes, pelas TV, defender aguerridamente a obra de que se deve orgulhar em Gaia, demonstrando que o endividamento de Gaia não foi um qualquer, mas um endividamento virtuoso, que aplanou o caminho aos negócios, ao turismo, à qualidade do lazer e oportunidades para ele. Se é o povo que vota e o povo é mais que a soma de príncipes e princesas que formigam pela Foz, não há dúvida que a Campanha Porto Forte não foi eficaz na mensagem deixada, especialmente nos últimos dias, os mais determinantes e em que as diferenças devem ficar vincadas. Agora, o ilustre Rui Moreira, milhares de sessões de charme no ancestralmente seu Salão Árabe depois, torna-se presidente de câmara do Porto e um Farol Federador, ou não, da Área Metropolitana do Porto. Ora, a cadeira em que se senta, ou a liteira onde o levitam, é, na verdade, o Facebook. Pelo Facebook vive ou morre o líder. Depois de 29 de Setembro, fique para memória futura, nada será como dantes para o Porto porque afinal, no Porto, tudo se jogava nas redes sociais, na sua força de persuasão e expansão. Nada traduz uma doxa que a Rede. Foi no Facebook que os meninos e meninas da Foz fizeram alastrar a continuidade contentinha e sossegadinha de piloto de automóveis Rui Rio, tudo bem incubado n’O meu Partido é o Porto, uma forma de vida política independente, sem porco assado nem doses pimba, embora suportada por um PSD clandestino e por um CDS-PS reclama-patentes. Rui Moreira pode ser um príncipe, um homem bom, ético, com ideias e capacidade de as traduzir em decisões, mas não tem, salvo melhor opinião, músculo político testado e tarimbado e não será propriamente capaz de atrito criativo com as lógicas apropriacionistas de capital da Capital. Se ele representa uma ruptura com os Partidos, os Partidos, enfraquecidos e deslegitimados pela massiva abstenção, poderão romper com ele, isolá-lo na impotência e no gelo, e governará fraco e encolhido com as suas boas contas sem Norte. Se nenhuma sinergia for gerada seja para o que for, bem pode Aldoar-Foz-Nevogilde limpar as mãos à parede, tal como os abstencionistas. Cada vez se vota menos no Porto e cada vez o voto é mais idoso ao ponto de se poder dizer que foi uma minoria maioritária que entronizou Moreira. A esmagadora maioria dos portuenses não votou em porra nenhuma. O partido dessa esmagadora maioria não deve ser, não pode ser!, o Porto. Talvez seja o potro, o potro pónei de coisa nenhuma, partido do haxixe, do tabaco elementar, algum café, muita cerveja e, sobretudo, siga.

1 comentário:

Anónimo disse...

A Foz é um bairro de Lisboa.