sexta-feira, outubro 18, 2013

COLONOS DO COMENTÁRIO SINGULAR

Muitos dos que exercitam o comentês político-económico encartado e colonizam TV, Rádios e jornais por estes dias, e que são sempre os mesmos, estarão a dizer exactamente o mesmo que disseram nas vascas do Orçamento de Estado em decurso. Provavelmente com mais razão e mais razões. O que disseram do OE2013? Disseram o que disseram e era tenebroso. Quem os ouvisse, ouviria da sua inexequibilidade completa. Assim falou Ferreira Leite. Assim falou Pacheco Pereira. Assim rouquejou Constança Cunha e Sá e outros, muitos outros, que dizem sempre a mesma coisa e sobretudo o que muitos e muitas querem ouvir, não ouvindo mais nada senão o mesmo prato opinativo de bacalhau de cada dia. Para o comentês, os Orçamentos sob a Troyka, apesar das circunstâncias e das condicionantes, nunca têm atenuantes. E são negros. Assim os declarou e declara de fio a pavio, negros, a ala socratista: dessa gente e dos seus sofismas nunca saiu nem sairá uma só nota positiva, uma só nota de esperança. Por que não fazem terapia?! Tal como no ano passado, para esse comentês colonialista e absolutista, este OE nasce ferido de morte. O comentês colono, oficial, televisivo, comentês ex-chupador de Orçamentos, usa a palavra morte quando quer dramatizar muito as coisas e não é que as coisas não sejam graves, mas é missão celeste do comentês estatuído pelo Regime agravá-las funérea e furiosamente ainda mais. Chama-se dramatizar. Carregar as cores. Para o comentês, a credibilidade da política orçamental deste Governo não existe. Se há consolidação orçamental como nunca desde 1974, eles não a vêem. Se há menos défice e mais honestidade nas contas públicas desde que Vasco Gonçalves ensaiou governar em espiral de desgraceira e Sócrates lhe seguiu a passada airada, nada é dito. A austeridade de 2013 e o enorme aumento de impostos foi um esforço notável de resistência e de inversão incipiente da recessão predita, pelo menos até à crise de Julho, com a respectiva resposta dos mercados. Mas essa execução foi sendo exactamente o contrário do que preanunciavam os manejadores do comentês colono regimental: a recessão foi muitíssimo menor. Num primeiro momento, dado o corte de rendimentos, os portugueses encolheram o consumo, mas após o primeiro trimestre de susto e adaptação todas as dinâmicas macroeconómicas nacionais verificavam uma evolução positiva, uma agradável surpresa de cujos méritos nem Gaspar pôde gozar. O défice ponto de partida para 2013 nunca poderia deixar de ser semelhante ao que é ponto de partida para 2014, tendo em conta o volume de dívida abatida ao longo deste ano e a abater no próximo, já com a factura das PPP socratistas iminente. Eles, os detentores do pessimismo no comentês e na sensibilidade, da estratégia brilhante que ninguém, nem Hollande, aplica, nunca falam da dívida. Simplesmente contestam a austeridade, o aumento de impostos, a recessão, mas a dívida pública que não pára de subir até parece que se deve à sanha obreirista do Governo Passos Coelho e não ao suster dos efeitos do passado miserável de conluio e negociata vincado por quinze anos de boa-vai-ela e verdadeiro regabofe despesista. Sim, o que temos diante de nós é uma espécie de sepulcro. 2014 observa 4.000 milhões de Euros de poupanças através de cortes de rendimentos de funcionários públicos e de pensionistas, assim como de outras alíneas. Se o Tribunal Constitucional lesse a realidade das necessidades de financiamento prementes à luz dos limites de que, por via da pré-falência, o Estado Português sofre, em vez de cortes de vencimentos aos funcionários públicos teríamos tido apenas perdas de subsídios, coisa que não passou no zeloso crivo. Novas medidas de austeridade são, portanto, aquelas a que o Tribunal Constitucional compele a Troyka, Bruxelas, este Governo e qualquer outro que se proponha a cumprir com os seus compromissos e seja antecipadamente credível, ao contrário da lenga-lenga de Seguro. Sim, o comentês é sensibilíssimo. O governês uma lástima, uma merda, língua tartamuda de uma chusma de filhos da puta. Só o comentês chupcialista ou social-chupcialista, e só esse, tem presente os milhares de funcionários públicos com salários mais baixos, a partir dos 600 Euros, as dezenas e dezenas de milhares de funcionários públicos a quem o OE2014 vai mais do que duplicar o corte de vencimentos, as dezenas de milhares de pensionistas de sobrevivência com um corte nas suas pensões para as quais descontaram uma vida inteira os seus falecidos cônjuges, só eles, os donos do Regime e do comentês autorizado, as helenas-rosetas, os daniel-oliverias, as claras-ferreira-alves, os pedro-marques-lopes, no seu espírito sensibilíssimo, só eles têm presentes os pensionistas da Caixa Geral de Aposentações com a deplorável diminuição das suas pensões. Os detentores exclusivos da sensibilidade e falantes do comentês, mormente a gente que se locupletou com os anos de fartura à fartazana, são os mais sensíveis, os mais chocados, os mais descabelados com esta violência que Bruxelas preconiza. A palavra do Primeiro-Ministro não vale um chavo, dizem. Mas Portugal está na Bancarrota e eu prefiro um Primeiro-Ministro sem palavra para nos retirar do lodaçal que um Primeiro-Ministro Absolutamente Mentiroso para nos fazer deslizar para tal monturo, cantando, cagando e rindo. O Estado de Direito não nos protegeu de políticos rapaces? Como é que nos haveria de proteger das estratégias remediatórias draconianas gizadas para nós, ano após ano?! O comentês oficial é lixado. O comentês fez trinta por uma linha para levar o estado das contas públicas ao lindo jarro de flores de 2011. O comentês nunca fala da dívida. Nunca adressa a questão do stock de dívida, do vencimento de dívida, da chegada das facturas dos anos regabofianos, empurradas com a barriga, de Guterres a Sócrates, para o momento em que a barragem de fogo se concentrasse sobre os que intentam pagá-la, cumprir, honrar a palavra do Estado Português, como agora acontece. O que é que o comentês sugere para fazer face ao massacre a conta-gotas de funcionários públicos e pensionistas, etapa por etapa? Acabar com a austeridade por decreto?! Ir a Berlim inocular furtivamente a veia inflamada de Merkel com o antídoto ao separatismo sócio-financeiro com que os alemães lidam sadicamente connosco?! Teremos aumento do desemprego, corte de salários e pensões, teremos a condenação do consumo privado, mas teremos também mais turistas, mais oportunidades, mais exportações, mais meios próprios, menos necessidade de financiamento externo, assim que a pouco e pouco seja o trabalho e não o financiamento de défices a mover Portugal. É duro, mas é uma revolução copernicana relativamente ao paradigma praticado com tão belos resultados pelo Chupcialismo e em que a deputadagem na bancada chupcia se compraz. A demagogia do comentês colono, unívoco, regimental, chupcia-esquerdejante é infinita quando propõe que nada seja feito e a vida siga como usualmente, e não se procure preparar os anos vindouros e os seus choques sincopados de dívida a amortizar paulatinamente para o que a manutenção de um défice é proibitiva. Não. O que o comentês pretende é isto: voltar ao Passado. Viver como no Passado. Passear, suspirar e gastar como no Passado. Mas esse Passado é morto. Não retornará. Depois de vivermos longos anos em anestesia colectiva com dinheiro de natureza especulativa, chegou o tempo de o dinheiro corresponder o mais possível à produção de bens transaccionáveis. Esperem sentados para ver os chupcialistas a operarem uma inversão paradigmática dessa lógica económico-financeira. Nunca a verão porque para o chupcialismo o dinheiro aparece sempre e para o chupcialismo ou no-lo dão ou zangamo-nos e fazemos birra, chamando delinquentes a uns e concitando o Presidente da República a explicar-se na matéria infecta do BPN. Temos de separar o trigo do joio. O joio está no comentês hipócrita que contesta a crueldade das soluções, mas não se oferece para apresentar alternativas sólidas simplesmente porque elas não existem, nada nem ninguém lhes adere. Hollande não se pronuncia. Ninguém se compadece e nos vem colocar a mãozinha por baixo. Não houve nem há complacência para a Grécia, nem para a Irlanda nem se formatará comiseração para nós, só para nós, a não ser na grande Nave Espacial Desiderativa do universo chupcialista-socratista, dono do cão do Regime e do comentês singular que coloniza TV, Rádios, Jornais, comentês de pensamento único, única biopsia autorizada ao estado geral das coisas da República.

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