sexta-feira, outubro 25, 2013

PORTUGAL E O SÉMEN DA PALAVRA

Portugal, o País que amo, alberga gente com formas de pensar as mais diversas e o talento, muito ou pouco, para as expressar. Somos fauna de ideias, à procura de analogias, de caminhos e de verdades. Mas há muita dessa fauna, Fauna de Esquerda Mal-Humorada, que não tolera o pensamento diverso dos outros, a leitura diversa dos outros, pois só existe a sua leitura e a sua emissão conceptual, o seu quadro descritivo da realidade, fora do qual outro qualquer ejaculador das palavras poéticas ou poético-analíticas só pode estar doente e deverá ser ou internado ou evacuado da plataforma que usurpa para debitar e debitar-se. É como que o Perigo de Haver Diversos, o Horror de Haver Diferentes. É a teoria dos escreventes malditos. Dos corpúsculos estranhos. Do 8.º Passageiro. Em suma, o Medo do Outro. Não separo a Poética da Poética de uma Poética da Política e é a partir desse meu corpo sexuado do dizer que insemino e inseminarei com Palavras a vagina passenta dos leitores em regime de estrito consentimento. Todo o leitor é um consentidor do diálogo da palavra que afinal busca e busca porque quer. Nenhum texto, postulado ou ideia, invadem o cérebro desprevenido do leitor por penetrar. Nada mais consensual que a leitura e a rejeição da leitura. Os inquisidores proibiam leituras, indexavam-nas. Os comunistas mais petrificados e aterrorizados com o Outro fazem outro tanto. Está inscrito no pensamento único, dogmático e violento como o Islão.

Sou, portanto, pela sementeira permanente e incansável da verdade e pelo confronto das verdades. O meu sémen é a palavra que lanço e insemino incansável aqui e ali. É minha a Palavra. Lanço-a à terra da leitura. Tudo é mais complexo que o ódio simplório a Maria Luís Albuquerque e mais denso que o insulto recorrente a Passos e mais imprevisível que a baixaria robótica para cima de Portas, e mais exigente que os simplismos de Semedo, as bojardas de Jerónimo ou a loquacidade cénica de Catarina. Tudo, pelo contrário, é extremamente mais simples que o insulto justíssimo à rapacidade e à malícia Burlo-Keynesiana 2005-2011. Compaixão a quem a mereça. Moderação para com quem está preso às amarras dos compromissos. Mas não se peça moderação ao Poeta. Isso é impossível. Peça-se moderação aos culpados mediatizados, aos incendiários culpados, aos entrevistados com interesse em dividir, aos merdas moderados, aos gajos que se enganaram quando olharam para ele e disseram que era de Direita, sendo de Esquerda, ao gajo que é mais de Esquerda do que outros membros do PS, que é mais de Esquerda que o Manuel Alegre. Peça-se moderação à Esquerda que não se mede aos palmos, aos gajos da oligarquia do PS, ao chefe democrático que a Direita sempre quis ter, à vítima gay do boato homossexual. Peça-se moderação aos apodadores de bandalho, aos chamadores de estupor, a esses filhos da mãe que chamam aos outros filhos da puta e vice versa, aos filhos da mãe da Direita em Portugal que dão cabo de soluções apenas para ganharem eleições, aos filhos da mãe da Esquerda em Portugal que dão cabo de soluções apenas para anteciparem eleições peça-se moderação à merda de um moderado que insulta bandalhos, estupores e alguns filhos da mãe. A mim, nada mais que um Poeta desempregado, um Professor de Língua Portuguesa, uma rolha boiando na maré de dissipação nacional, não se peça nem silêncio, nem escondimento, nem moderação.

Quem me dera escrever a soldo, ser pago para exercer o meu maior prazer. Escrever. Infelizmente, tudo quanto tenho para viver são 295 euros de subsídio de desemprego, o tecto, o banho e a comida proporcionados pelo meus pais, vida partilhada, e muito jogo de cintura para levar os dias, emendando-os em paz às noites. 

O meu sémen da palavra não é de Direita nem de Centro nem de Esquerda, é pela sobrevivência e o caminho mais curto e menos custoso para Portugal, que atravessa o actual caminho já com resultados e cumprimento de objectivos, caminho digno de esperança. Só nessa medida me parece que este Governo deve ser protegido com o máximo das minhas forças, não por ser bom, mas porque nenhum outro pode ser melhor, nas actuais circunstâncias. 

Ainda ontem, ouvi  com estas minhas orelhas que o Céu há-de glorificar no Último Dia, no Fim dos Tempos, quando Marx e Lenine ressuscitarem e andarem aos beijos com Pinochet e Franco pelas cristalinas escadarias da Misericordiosa Celestialidade  ouvi, na conferência do Diário Económico/Antena 1, António José Seguro ousar pensar alto na possibilidade ou de saída do euro, ou de reestruturação da dívida, quando a mim ambos um Suicídio Colectivo de Portugal, sucumbindo à Dogmática Catastrofista de Esquerda, como melhores saídas ao empobrecimento prosseguidos pelo Memorando da Troyka e pelo Governo. 

Não quero acreditar nisto. Não acredito que Seguro creia serem aquelas duas as únicas alternativas estratégicas para Portugal provenientes do seu Partido Chupcialista, o partido que depois de nos ter dado a Europa nos quer subtrair da Europa ou do Euro, que é quase a mesma coisa.

Uma quarta via, sugerida por Seguro mas sem solo europeu que se pise, fala, é certo, da sustentabilidade com orçamentos comuns na União Europeia, com um fundo de redenção para parte da dívida europeia, com licença bancária para o BCE, com o realismo nas medidas, com o limite à despesa corrente primária, com o compromisso entre gerações e entre políticas públicas, com incentivos reembolsáveis na gestão de fundos comunitários, com prioridade ao emprego, com uma economia verde. Seguro é um Poeta, como eu. E tudo o que apresenta, sonha-bola entre as mãos de uma criança simplesmente não está em cima da mesa. 

Não há alternativa à baixa da despesa do Estado, ao empobrecimento circunscrito e temporário dos portugueses, ainda que a Esquerda salive insultos de toda a espécie contra a Corja da Direita, que governa no País e na Europa. No entanto, quem é, pelo amor de Deus, que não sonha, deseja, anela por mais emprego? Mais economia verde? O fim dos sacrifícios? Este Governo, se fosse impaciente e tivesse dinheiro, faria o que fez o anterior, incinerando camiões-TIR dele para a economia dos amigos, das empresas amigas com os mesmos resultados. Zero. 

Seguro, enfim, foge da realidade e dos números duros como um Vampiro foge do Crucifixo. Por enquanto, ele é apenas um político só atacável por viver e navegar na mais suave fantasia e no idealismo mais vaporoso. Nada há em Seguro que seja digno de ódio ou de reprovação graves, como o seu abominável antecessor, o anticristo da política em Portugal. Seguro não decide. Não arrisca o pescoço com medidas impopulares. Pode beneficiar da dúvida e da condescendência gerais. São só ideias. Só projectos, palavras, palavras de consolo assentes na nuvem onde Juno não está. 

Não percebo qual é a pressa de Seguro em ser odiado como Passos, visto como um bicho peçonhento como Passos, tratado como um cão, como Passos, alvo de toda a espécie de ataques pelo grande espectro de comentadores mediáticos pesados, senadores pançudos, como Passos, olhado e tresolhado de maldoso, cru, incompetente, nocivo, como Passos. Qual é, então, a pressa, António José Seguro?! Tu, mal te metas a caminho para seres o próximo Primeiro-Ministro de Portugal, serás, num pronto, odiado como Passos, visto como um bicho peçonhento como Passos, tratado como um cão, como Passos, alvo de toda a espécie de ataques pelo grande espectro de comentadores mediáticos pesados, senadores pançudos, como Passos, olhado e tresolhado de maldoso, cru, incompetente, nocivo.

Voltaria tudo ao mesmo. É assim. Sempre será assim. Pode sonhar-se com políticas, Tó Zé, mas só se decide com números, com o dinheiro que habita a nossa carteira e chegará ou não graças à boa vontade dos agiotas.

Portugal, visto pela Esquerda, é hoje uma besta que hoje saliva de raiva e muito justamente. Tudo aconteceu ao contrário. O custo de existirmos é muito alto, Tó Zé. Mas, enfim, semeia a tua palavra. O sémen da palavra faz o seu caminho. É delicioso que nos queiram calar por a semente cair no campo hermético das Esquerdas e este sémen libidinoso da palavra que ejaculo não respeitar a vagina indisposta da leitura, como se ler não fosse voluntário, sexo consentido da Palavra pela Palavra, acto absoluto de quem vive por ela, como eu vivo, Palavrossavrvs Rex. 

1 comentário:

Siegfrid disse...

Caro Comentador,

Nunca em tempos recentes li ou ouvi um comentário tão certeiro e tão justo...
Parabéns e continue a ajudar Portugal e a nós que sofremos pelo nosso País.

Até sempre,
Siegfrid