quinta-feira, outubro 31, 2013

AO ZELOSO CUIDADO DO DR. RUI MOREIRA

«É apenas mais um fim de tarde de uma quinta-feira, Alfa Lisboa--Porto das cinco da tarde cheio ou esgotado, como sempre. Quase três horas de viagem pela frente, um ambiente de resignação, mais uma viagem à capital para toda esta gente: advogados, funcionários do Estado, pessoas em ações de formação que regressam, quadros médios e superiores, ou apenas viajantes. Hoje faço parte desta última categoria. Uma agência de viagens que nos manda (um grupo de 10 pessoas) para Estrasburgo através de um voo para Frankfurt, seguido de autocarro por mais (quase) três horas até à cidade francesa. E tudo via Lisboa. Resultado: uma dezena de pessoas a dormir poucas horas nos Ibis de Lisboa para poderem estar antes das seis da manhã na Portela. E depois, tudo igual no regresso, de novo por Lisboa... Uma peregrinação só para se chegar a uma cidade francesa tão próxima - três dias gastos, más noites, tudo para um dia e meio de trabalho... Um responsável do aeroporto Francisco Sá Carneiro disse-me há uns meses que havia 700 mil passageiros a passar pela Portela vindos do Porto - e só não eram mais porque as ligações entre as duas cidades portugueses são pouco frequentes e estão sempre cheias (e atrasadas). E dava exemplos, do ponto de vista estratégico, que eram imperdoáveis: a TAP não ter a rota Porto-São Paulo diária e não ter arriscado o Porto-Luanda com mais frequências (talvez mesmo diárias). Perguntei à TAP o que achava disto e a resposta foi a de que se houvesse procura, haveria voos. A verdade é que a transportadora aérea angolana (TAAG) ocupou esse mercado do voo direto Porto-Luanda com êxito e, para São Paulo, como não há concorrência à TAP, não é possível demonstrar que a ligação teria mercado. Assim sendo, a TAP não desiste de nenhum dos voos Lisboa--São Paulo em detrimento do Porto - e continua a enchê-los também com pessoas do Norte, enchendo a 'saturada' Portela. O Porto perdeu há já alguns anos as grandes companhias de ligação ao Mundo. Não há British Airways, Air France, KLM, e portanto, não há quase concorrência à implacável eficiência da Lufthansa e do seu 'hub' mundial em Frankfurt. Ela tornou--se a única companhia possível para homens de negócios e quadros médios/superiores de empresas ou universidades a partir do Porto. Dizia-me esse diretor da ANA que se a Turkish Airlines criasse um Porto-Istambul diário (ou pelo menos frequente), este rodopio de escalas obrigatórias por Lisboa ou Frankfurt mudaria e os passageiros ficariam com um 'hub' muito mais direto na Ásia. Não sei se alguém consegue bater a Lufthansa nesse capítulo (os alemães até para Teerão têm voos diretos). A verdade é que a Turkish nunca chegou a arriscar ter alguns voos semanais entre Istambul e o Porto. Questões como a dos voos internacionais é cada vez mais importante para fixar 'cérebros' e homens de negócio que não se saturem de passar a vida em aeroportos e aviões, em eternas escalas, nos piores horários, apenas porque trabalham ou vivem aqui. As companhias low-cost são muito importantes para o turismo (como se viu com os números apresentados esta semana). Mas não resolvem as ligações com voos sequenciais de quem vai fazer reuniões profissionais depois de horas infinitas à espera, nos aeroportos, por ligações entre voos. São estas pessoas que vão determinar o sucesso do Norte do país. Embora sendo apenas uns milhares (10 mil?) a vida desta região depende delas. Sem boas ligações aéreas e excelente qualidade de vida não haverá estrangeiros de qualidade a quererem fixar-se no Porto para criar negócios ou dar aulas em segmentos de ensino com excelência. Daí a importância de o Norte necessitar de alguém que fale com a nova monopolista dos aeroportos nacionais, a Vinci, e não a largue um segundo que seja. Ninguém sério pode esperar que seja o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, depois do vazio que criou durante meses no Porto de Leixões ou a pouca atenção que deu às novas linhas ferroviárias, a zelar por algum dos interesses da região. Este é um trabalho talhado para o novo presidente da Câmara do Porto e uma das missões essenciais e concretas da Liga das Cidades do Norte.» 

DA FARTURA

Alguma beleza, arte, adrenalina de proveniência fêmea à mão de semear com os olhos, na Playboy Playmate Index.

GANSOS DE ALPENDRE

DIAFRAGMA

Ontem, na Grande Cidade, as luzes,
Farrapos dos meus gritos.
Ao fundo crepusculava
o penúltimo dia de Outubro.

Não me dei o Mar.
Era só eu, meu coração e os seus batimentos.

OU MORREM NO MEDITERRÂNEO OU NO DESERTO

Mas morrer, morrem.

CONTRA AS LÍNGUAS DOS MALDIZENTES

Que a minha paz não esteja na boca dos homens
porque, quer me julguem bem, quer mal,
não sou por isso
outro homem.

quarta-feira, outubro 30, 2013

CRASSA INCOMPETÊNCIA DA CRÍTICA AO GOVERNO

Patricia, if you get a cat it will want to snuggle with your bowls.
Sim, e de repente, o patético-ridículo desce da Rádio e vai do cão à criança, a decomposição das abordagens é fulminante: nunca será de mais insistir na crassa incompetência e por vezes baixa malignidade da crítica ao Governo.

AO CUIDADO DAS ESTÁTUAS DE SAL DO RATTON

«Insiste-se muito na ideia de "direitos adquiridos", referidos estes aos chamados "direitos sociais", como se a sua irrevogabilidade fosse garantida pelos princípios de Justiça. Não é. Pelo contrário, a sua irrevogabilidade é, em muitos casos, uma violação daqueles princípios. Pois que, como gosta de recordar o dr. Silva Lopes, foi para acabar com direitos adquiridos que se fez a revolução francesa. De facto, a suposta ligação entre "direitos (sociais) adquiridos" e os princípios de Justiça assenta num erro de perspectiva de análise. E esse erro de perspectiva consiste em descurar a obrigação social que é simultaneamente constituída quando se atribui um direito social, pois que ambos - direito e obrigação - são as duas faces indissociáveis de uma mesma moeda. E, por conseguinte, por se esquecer que a garantia de estabilidade do primeiro é feita à custa da instabilidade da segunda. O que não é conformável com a ideia de uma relação justa. Assim, quando a sociedade, através do Estado, atribui um direito social a todos ou a alguns dos seus membros, cria simultaneamente sobre todos ou alguns dos seus membros (não necessariamente os mesmos) a obrigação de a assegurar. Seja contributivamente, no caso de direitos associados a contribuições pecuniárias, providenciando os recursos necessários para realizar esse direito; seja materializando as condições para que ao direito, mais abstracto no seu conteúdo (caso, por exemplo, do "direito ao trabalho") possa ser dada substância. No segundo caso, a obrigação é demasiado abstracta e sem destinatário preciso, razão por que o correspondente direito se acaba por resumir a pouco mais do que uma declarada boa intenção, como comprovam as levas de desempregados que, em geral, convivem com tais direitos. No primeiro caso, porém, a obrigação é bem precisa e tem destinatários também precisos: os contribuintes, no todo ou em parte. E é neste caso que faz sentido discorrer sobre a economia contratual dos direitos. Quando é atribuído um direito desta natureza - uma pensão, um subsídio, por exemplo -, e simultaneamente criada a obrigação correspondente, existe um determinado equilíbrio contratual entre os dois lados - beneficiários do direito e sujeitos da obrigação - e é com base nesse equilíbrio que ambas as partes formulam as suas expectativas. Como normalmente ao direito é atribuído um valor pré-determinado, mesmo que evolutivo, cabe ao sujeito da obrigação a incerteza maior sobre o encargo que esta lhe aportará no futuro. Com o tempo, a demografia (ou outro factor) vai alterando, quer o rácio entre o número de beneficiários do direito e o número de sujeitos à correspondente obrigação, quer os valores envolvidos, modificando o equilíbrio sob o qual fora estabelecida a "cláusula contratual". O lado desfavorecido com essa alteração, mostra a experiência, é normalmente o sujeito da obrigação. À irrevogabilidade do direito, ou da sua abrangência, corresponde assim uma obrigação crescente. Uma relação que terá começado justa vai-se tornando crescentemente injusta, pondo em causa a mútua confiança depositada na "cláusula contratual". Proteger apenas um dos lados, significa desproteger o outro. A protecção da confiança de um é feita à custa do sacrifício da do outro. Para lhe devolver a justiça perdida, a "cláusula" do contrato social terá que ser reequacionada à luz da nova proporção entre beneficiários do direito e sujeitos da obrigação, reequilibrando os valores do direito concedido e da correspondente obrigação. E protegendo simultaneamente a confiança dos dois lados no contrato social.» Vítor Bento

terça-feira, outubro 29, 2013

DEJÁ VU

Eu simplesmente adoro ler Jorge Fiel, enfim, convergência de almas. Faz-me sentir como que intimamente compreendido e acompanhado neste enorme mundo minúsculo, árido e susceptível da blogopinião

… o Orçamento para 2014 surge no lugar do PEC IV. No protagonista, em vez de Sócrates, o animal feroz, temos o filho da mãe do Passos Coelho, que na versão original desta tragédia, que se repetirá como farsa (Marx avisou-nos…), esteve no papel do estupor do Brutus, agora desempenhado pelo Seguro, um gajo que se acha descendente da aristocracia do PS. A novidade na intriga são os juízes do Constitucional, que eu chamaria de bandalhos, mas como sempre fui a merda de um moderado limito-me a adjetivá-los de pistoleiros. Já sabemos que vamos continuar às voltas no lado mais violento e selvagem da crise europeia. O suspense está em saber se no final dos três anos de troika continuaremos a ser austerizados sob um moderado e curto programa cautelar ou sob um mais severo e longo segundo resgate. Estaremos encurralados neste círculo vicioso até perceberem que às vezes a única maneira de mudar de direcção é seguir em frente. 

O VELHO BLATTER BLATEROU

Obviamente, demitam-no. Ou absolvam-no de tudo por causa da provecta idade. Provavelmente já não consegue ver todos os jogos como o outro. Nada mais estimulante e espicaçante que certas figurinhas.

DIAS DE MORDAÇA VOLUNTÁRIA

Nenhum tumulto à vista em Portugal? É natural. Há raiva e sofrimento na mesma, entre nós, mas a maioria vai percebendo como é ridículo consentir em variadas formas de manipulação colectiva ou pela cúpula do Regime, que tem em Soares um instigador de magnicídios, ou pelo BE e a Ala Socratista do PS, apenas apostados em retirar dividendos políticos de curto prazo à custa do fragoroso colapso dos dois Governos, o Europeu e o Nacional. 

Sem a protecção desses Governos, sem solidariedade proveniente de lado nenhum [a sociedade portuguesa é hermética e sádica com pobres e excluídos], já é batalha suficiente termos de nos desenrascar para sobreviver com as parcas migalhas e parcos trocos de cada dia. A nossa frustração, raiva, impotência, sensação de fome presente e futura, queixumes do Presente e do Passado Recente Políticos, transforma-se em vernáculo e em palavras de fúria onde as possamos pichar, nas redes sociais e nas paredes, bendita catarse. As vitrinas podem descansar. 

Todos os dias colocamos uma mordaça voluntária e abstemo-nos da Rua apenas para prosseguimos alimentando os nossos filhos e esperando um milagre que não chega.

PERIGO MORTÍFERO EXPLICADO ÀS CRIANCINHAS

«Não sou nem nunca fui adepto de teorias da conspiração. Em 99% dos casos não passam de fantasias delirantes. Por isso, o leitor não inclua por favor a história que vou contar nessa categoria. Quando o Governo nacionalizou o BPN, os accionistas da sociedade, por intermédio de Miguel Cadilhe (que não é propriamente uma pessoa sem credibilidade), tinham acabado de apresentar uma proposta de viabilização do banco. O Governo recusou-a e partiu para a nacionalização, com o argumento de estar a defender as poupanças dos pequenos depositantes. Sabe-se no que aquilo deu. Assim, não é correcto atirar todas as culpas para os accionistas. Estes propuseram-se salvar o banco, o Governo é que não os deixou. Claro que podiam não o ter conseguido. Mas, aí, a responsabilidade seria deles – e o Estado não se teria metido naquela alhada. Recorde-se que, na altura em que o BPN foi nacionalizado, o Governo controlava a CGD (que é pública) e já dominava o BCP, através de Santos Ferreira e Armando Vara, ambos socialistas e próximos de Sócrates, que tinham vindo da Caixa para ali. Simultaneamente, Sócrates mantinha óptimas relações com o BES, dada a sua conhecida boa relação com Ricardo Salgado, que sempre o defendeu (quebrando a distância que mantivera no passado em relação à política). O Banif também era muito vulnerável às pressões governamentais, dada a sua precária situação financeira. Pode pois dizer-se que, com a nacionalização do BPN, o primeiro-ministro passou a ‘controlar’ boa parte da banca portuguesa: controlo directo da Caixa e do BPN, ascendente sobre o BCP, grande proximidade com o BES e neutralidade do Banif. Só verdadeiramente o BPI, liderado pelo irreverente Fernando Ulrich, escapava ao controlo do Governo socialista. E, mesmo assim, Sócrates namorou o chaiman daquele banco, Artur Santos Silva, convidando-o para elevados cargos. Vejamos, agora, o sector dos media. Sócrates controlava directamente o grupo RTP, que é do Estado (e do qual faz parte a RDP). Tinha também bastante influência na Controlinvest, mercê das dívidas deste grupo à banca, sendo do domínio público os telefonemas cúmplices entre José Sócrates e Joaquim Oliveira. E a Controlinvest inclui meios como o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias, a Máxima e a TSF. Sócrates mantinha também relações estreitas com a Ongoing, de Nuno Vasconcellos e Rafael Mora, detentora do Diário Económico. Entretanto, através da PT, o Governo montou uma operação para comprar o grupo TVI, mandando um emissário a Espanha (Rui Pedro Soares) para tratar do negócio. Este grupo, além da TVI, detém meios como a Lux e a Rádio Comercial. Só fugiam ao controlo do Governo o grupo Impresa, liderado por Balsemão, e o grupo Cofina, de Paulo Fernandes. Mesmo assim, ainda houve uma tentativa de assalto à Impresa por parte da Ongoing. Quanto à Cofina, o Governo conhecia bem a vocação ‘negociante’ de Paulo Fernandes e nunca recearia muitos males vindos daí. Finalmente, José Sócrates fez uma tentativa para fechar o SOL – através precisamente do BCP, que era accionista do jornal. O SOL era um David ao pé de vários Golias, mas irritaria Sócrates precisamente por ser um dos poucos media que ele não controlava. E – recorde-se – foi este jornal que denunciou o caso Freeport, o caso Face Oculta (compra da TVI e tentativa de controlo de outros media) e o caso Tagusparque (apoio eleitoral de Luís Figo). Fica claro, portanto, que houve um momento em que José Sócrates esteve mesmo à beira de dominar ou ter o apoio de importantes meios de três sectores nevrálgicos: – Banca, com a CGD, o BPN, o BCP e o BES; – Comunicação social, com a RTP, a RDP, o DN, a TSF, o JN e a tentativa de compra da TVI ; – Poder político, através do domínio da máquina do Governo e do aparelho do partido, onde não se ouvia uma única voz dissonante. Só hoje, quando olhamos para essa época, percebemos até que ponto estivemos à beira do abismo. Como foi possível permitir que se concentrasse tanto poder nas mãos de um homem psicologicamente tão instável? E como foi possível derrubá-lo? O que derrotou Sócrates, primeiro, foram as contas públicas – que, contrariamente aos outros sectores, ele se revelou incapaz de controlar. Tentou até à última esticar a corda e evitar um Resgate, mas a corda acabou por partir – e isso foi a sua primeira grande derrota. Depois foi a derrota eleitoral. E esta constitui uma homenagem à democracia. A democracia mostrou a sua força ao conseguir apear um homem que, à escala do país, acumulou um enorme poder ‘de facto’. Ele julgar-se-ia quase invencível, mas as urnas derrubaram-no. Por isso, é muito natural que, embora afirme o contrário, hoje odeie a democracia. P.S. – Numa entrevista publicada no fim-de-semana, Sócrates mostrou por que lhe tenho chamado ‘o Vale e Azevedo da política’. Com uma diferença: Vale e Azevedo é mais educado.» José António Saraiva

REPOUSO

Virá o dia em que repousarás, 
não nesse trilho solitário onde te apagas quanto mais brilhas, 
não na sucessão dos dias gémeos, 
não na indiferença a que te vota o mundo, 
repousarás no Amplexo dado antes da criação de tudo. 
Dar-to-á teu Cristo, absorvido pela Glória em que absorveu a Humanidade. 
Dar-to-á teu Pai, Semeador da Vida, da Palavra e do Espírito. 

Dentro em breve, fracção de nada, será a Ceifa. 
Ai de quem não tiver o coração vestido, varrido, limpo!

EXCELENTE EXEMPLO. BELO PRECEDENTE

Este casamento entre o PCP e o PSD, em Loures. Mas por que diabo portugueses não se haverão de entender com portugueses?! Foi preciso décadas para se fazer numa única localidade o que outros países europeus já fazem há outras décadas um pouco por todo o lado. Uma lufada de ar fresco. Está de parabéns Bernardino Soares.

MAQUINETA DE FAZER FASCISTAS

Tenho tido e continuarei a ter o prazer de escrever excessivamente com ampla liberdade poética e intensa força expressiva e emocional acerca do meu País e da sua situação que não é um beco sem saída, embora não seja possível seguir o beco sem saída proposto ou sugerido pela Esquerda. Tenho satirizado, e continuarei a satirizar, as derrotas manifestantes do Fóssil Arménio, os sucessivos apelos a assassínios políticos e grandes tumultos por parte do BardaMérdio Soares e também tenho insistido em satirizar o insulto vivo e canoro à nossa inteligência e sofrimento proveniente do Corruptíssimo Sócrates, tudo gente esclarecidíssima que apela à iracúndia nacional e que diz, pela primeira vez na longa História de Portugal, que o rei vai nu. Ninguém corresponde ao apelo.

Bêbados e estropiados mentais, cujas reformas, prebendas e privilégios nos fariam corar, são precisamente aqueles apelam à revolta e à sedição nossas, dos tesos, desempregados, encostados, ociosos, desprezados, escravizados, apelos aos quais ninguém corresponde. Nos blogues... Bom, nos blogues correm grandes escaramuças de palavras, e é completamente diferente. Aí digladiam-se tendências ferozes e sanhas terríveis, contra a dívida, pela dívida, contra o Governo e contra o Governo com mais força, e, por vezes, ensaiam-se grandes saneamentos e ainda maiores ajustes de contas.

Eu, por exemplo, um paz d'alma, habituado à Sacristia e às mais plácidas delícias espirituais de mil e uma missas, tenho recentemente aprendido a ser, a parecer, a cheirar e a saber a fascista. Onde é que e como se aprende a ser, a parecer, a cheirar e a saber a fascista, pelo amor de Deus, joshua, até tu?! Com um mestre, digo eu, que seja um bom mestre à Esquerda, pela Esquerda e na Esquerda. Esse Mestre ensinar-me-á todos os dias como é que um fascista se forja: espontaneamente, por impregnação e osmose.

Fora isso, e agora a sério, o único fascismo que conheço é não ter dinheiro.

CAIXA DE FLOPS

FLOP BES: Se quiséssemos conceber um esquema em triângulo do Poder Efectivo do Regime Português, socialista na cúpula e na base funcionarista pública, haja ou não haja dinheiro porque o Estado é um Poço sem fundo, um dos vértices seria Dr. Ricardo Salgado, do BES, os outros um compósito de arestas entre a bina Soares-Internacional Socialista e a todo-poderosa Maçonaria. Quando o Dr. Ricardo Salgado fala, os Governos escutam e talvez tremam. Quando o Desalentado Povo, puxado por cordas em manifs flop-BE, fala, os Governos cagam e andam. É assim. Tende a ser assim, na Grã Bretanha, na França, em Espanha, em Itália, e no resto do mundo, embora o resto do mundo com o qual nos devamos comparar, por exemplo o próspero, patriótico e organizado Israel, tenha menos razões de queixa dos seus triângulos de poder. Nada, pois, mais eloquente que o dono-mor do Dinheiro em Portugal, Salgado. Não consigo, aliás, imaginar um Primeiro-Ministro em Portugal que rompa com esta normalidade mundanal e a afronte. Nenhum o fez. Nenhum o fará. Naquele triângulo, portanto, de geometria mundana, não há ângulos rectos nem ângulos agudos, nem catetos, nem hipotenusas, não há cálculo algébrico concebível, mas é possível calcular a trigonometria do poder nesses donos do Regime e apascentadores das moles amolecidas do País: para eles é sempre a somar. Para nós, a subtracção é uma fatalidade, a não ser no passado e antes de eleições, onde se dava aumentos e baixas manhosas do IVA. Ora, na última conferência de imprensa, o Papa Salgado, anunciou que o seu BES fechou as contas de Setembro com um prejuízo de 381 milhões de euros. Porquê? Culpa de quem? Do programa da Troyka que, como se sabe, começa e acaba no sistema bancário e o peneira e escrutina a doer. Também chorou os impostos previstos para a Banca no OE 2014. Também estarreceu sob a eventualidade de um segundo resgate, se o Tribunal Constitucional chumbar politicamente a aritmética da nossa salvação. Também anunciou que a Grécia estava a melhorar e já não era Portugal o qual não se sabe se será ou não a Irlanda. Enfim, também alertou para o grande lerpar nacional, caso o TC evite as pressões públicas do Governo para se submeter passento às pressões secretas da Horda Hipócrita e Conspirativa dos Soares. Também teceu sentenças e serenidades quanto ao eterno e terno o futuro das relações com o hiperssensível Regime Angolano, para onde viaja amiúde. Enfim, o Papa PPP falou. Ter falado é lei. É bom que os seus servos o escutem. ~

FLOP POVO: No Sábado passado era para haver manifs massivas, mas tudo não passou de um fracasso retumbante. Não porque não abundem razões para gritar, protestar, insultar, cuspir para o ar, mas simplesmente porque o nosso profundo desalento tem razões que o BE e o PC desconhecem. Para minha surpresa, e com todos os seus defeitos e insuficiências, quem cortou a direito e nos diagnosticou, diagnosticando os habituais proprietários do Povo, foi o cardeal José Policarpo, ao asseverar que Portugal só tem dinheiro para mês e meio em caso de incumprimento das metas estabelecidas no pedido de resgate e ao acusar a oposição de não apresentar soluções. Portanto, o direito à indignação esbarra na óbvia cena maluca do não haver dinheiro: «Parece que ninguém sabe que Portugal está numa crise e dá a ideia que todos reagem como se o estado pudesse satisfazer as suas reivindicações. O governo não tem condições para satisfazer as reivindicações dos sindicatos e partidos da oposição. Não encontrei ninguém das oposições – todas elas – que apresentasse soluções. E se falhasse este mecanismo da economia liberal, apoio financeiro no âmbito do pedido de resgate, Portugal só teria dinheiro para mês e meio. Não haveria dinheiro para pagar salários e pensões.» Nem sempre gostei da contemporização do cardeal José Policarpo com o grande triângulo subliminar dos Donos do Regime em Portugal, mas basicamente é o que nos vem recordar que nos remete ao sofá e à certeza do sossego doméstico. «Se todos pusessem em primeiro lugar o bem comum e fizessem qualquer coisa que ajudasse a resolver o problema, estou convencido de que isto nos custava metade do preço e do sofrimento. Estamos todos a pagar os erros cometidos com a especulação financeira em prejuízo das economias ocidentais.» Pois! Há de um lado os nossos problemas e a nossa economia, e, do outro, esse oceano espesso de paleio conspirativo dos soares, dos sócrates e das oposições sem projecto nem soluções dignas de crédito. Um forceja por resistir e progredir. O outro desenha o fim do mundo e a separação dele entre os Bons e os Maus, os Liberais e os Fraternais. Infelizmente, os Salgados é que mandam. Os Governos obedecem-lhes e aos outros salgados euro-mundiais. Infelizmente, não há dinheiro. Mas pode haver fantasia. Força, detractores. Fantasiem.

POENTE DE OUTUBRO

Procuro, todos os dias,
com denodo e pureza,
as Tuas vestes de luz,
a fímbria do Teu manto,
e o olhar supremo,
o único, que me fará justiça.

segunda-feira, outubro 28, 2013

FREITAS, MAS NÓS JÁ TEMOS UMA DITADURA!

É a ditadura do Não Mexe, Não Toca, Não Resolve Problemas. A ditadura do Não Podes Ir Por Ali nem Por Acolá nem Por Acoli. E nessa ditadura manda o Freitas quanto os outros freitas todos, manda o Soares e todos os demais soares.

E ISTO DÁ LIQUIDEZ IMEDIATA?

Hipocrisia, fingimento e duas de letra, a retórica da SEDES: «Em geral, todos podemos concordar com a importância do combate ao défice público como prioridade, suportado no Estado de Direito e, sobretudo, na confiança entre instituições, cidadãos e empresas. É urgente reformar o Estado, reformar o sistema político, reformar a forma de fazer política, de gizar, conceber, apresentar e executar as políticas públicas.» Pois, mas nada disto é fácil e nada disto dá liquidez ao Estado. Passamos quarenta anos a teorizar e a não fazer porque é muito difícil fazer quando ganhar eleições e inaugurar rotundas era quase tudo. É tarde. É a hora.

FURAR REGRAS FURADAS

«Não olho este assunto pelo ângulo da astúcia, mas mais pelo da necessidade de adaptação a novas realidades que exigem soluções que não serão as mais coerentes, se enquadradas num contexto social lato. No entanto, as situações de extrema necessidade em que um número excessivo de famílias se encontra, exige-lhes - para que consigam subsistir - que optem pelas soluções mais fáceis e ao nível particular, mais lucrativas, ou com resultados mais imediatos. A maioria das famílias que se encontra a viver situações críticas e sem alternativa, não podem esperar que a anunciada recuperação e a apregoada saída de recessão, comecem a produzir efeito na economia, na confiança dos investidores, na criação de postos de trabalho, em suma, na melhoria das condições de vida dos mais desfavorecidos. A solução de "dar baixa na segurança social" é de recurso, mas é também um "furar das regras" que se virmos bem, já foram furadas e refuradas por quem tem o dever de as proteger e manter inalteráveis.» B

BRUNO E A CARROÇA SPORTINGUISTA

Entre o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, e o treinador do Sporting, Leonardo Jardim, vai a enorme distância entre uma ejaculação precoce e a arte de bem foder. Ontem, frente ao meu FC Porto, ficou à vista o resultado da ejaculação precoce discursiva e abrasiva do jovem Bruno de Carvalho e as razões da calma preliminar de Leonardo Jardim. Viu-se no que dá um presidente que põe o carro à frente dos bois e passa do oito ao oitenta. Claro que só pode atrapalhar um treinador que insiste em pôr o carro atrás dos ruminantes apenas para que os rodados rodem e a carroça sportinguista siga.

ORAÇÃO PARA AS MINHAS HORAS DE ÊXTASE

Senhor, meu Deus, Criador de Todas as Coisas, Visíveis e Invisíveis, todos os dias vou, com esta minha carne, este meu suor, estes meus olhos, à procura da Tua Face a fim de entrar em Êxtase. À brisa do fim da tarde, após ter morto todas as agitações estéreis, e todas as queixas pelo desconcerto do Mundo e o meu, sei que Te encontrarei com toda a certeza no silêncio da grande luz crepuscular sob o rumor marinho. Só. A sós. Todos os dias me abeiro de Ti, o Vivo Absoluto, ecoando no meu coração, locução interior que jamais cessa o sussurro da coragem e da ousadia transformadora. Impõe-se-me essa Voz e todo me perpassa e toda flui por mim, Beleza maior, maior Paz que se pode ter em vida. A Brisa é Gente. É Espírito. Fala. Fala comigo. Procuro escutar-Ta desde o mais íntimo, como se disposto a Morrer por Ela. Sibila-me que não seja tíbio, mas resoluto, se incompreendido, nem correcto ou doce, cordial ou cordato, mas fulminante e criativo, se treslido, se traído, se cercado, nem murcho nas lutas cívicas, humanísticas, morais, nem covarde nas convicções que trago e acalento, nem vá na manada nas acusações de agremiações aconchegadas no mesmismo dogmático, nem vá no coro das lapidações e condenações, nem vá chocho, se chocado, nem mal-fodido, se fodido, nem amuado-enjoado, se ofendido, nem desanimado, se contrariado, nem insosso, se repleto desta seiva e sabor a pedir vida à vida e desassossego à palavra que me enforma. Essa é a Voz que oiço, Senhor, Altíssimo. Tua. Todos os dias. E depois regresso. Intervenho. Afirmo-me, exponho-me, divirjo, derramo-me, esquartejo a realidade, consagro-me a meter nojo e a gerar desassossego. O meu coração incomoda-se com a injustiça e a falsidade, com refrões verminosos e diagnósticos psicológicos dos grandes indignados, espora que me obriga a andar. Mal de mim, Senhor, se não abrir a boca e me não soltar. Quantos preferirem a pasmaceira da velhice e os amuos da menopausa, não podem ler-me. Não pode ler-me o pudibundo e o acomodado. O susceptível e melindrável não pode ler-me, tropeçará no verbo, não lerá a fome ampla subliminar comum. Se fossem cem contra mim, ainda assim persistiria em ser-me assim, feliz e ofensivo. Viessem mil com mil bombas armadilhadas para me explodir-Bagdad, ainda assim continuaria a experimentar-me sobreviver aos bocados, tal como sou. Todas as forças da natureza, da arte e do desporto, parecem autorizadas a florir e abrir as asas e eu, que só tenho as palavras por consolação e ofício, não posso concretizar o meu desígnio, chatear?! Sou uma coisa-criatura inteiramente para Ti, meu Deus, vazio de mim, a quem se deve dar a gravíssima importância que se dava ao bobo acusador do rei, autorizado a dizer em voz alta o que imensos pensam. Gostaria de ser benevolente com todos os seres humanos, mesmo com os que surfam glórias, livros e aplausos por sobre as cabeças de miseráveis e encurralados da Crise, como eu, como eu semeados por obstinação política deles. Mas não posso. Estou aqui para incomodar. E não parar de incomodar até que Justiça e Pão nos sejam ministrados, a nós, Portugueses de Merda, tolerantes com corruptos filhos da puta, prontos a zangar-nos com os que se atrevem a puxar-lhes os colarinhos de seda e a descompor-lhes a fatiota Armani. Meu Deus, eu tenho paciência. Dizem-me os meus amigos que a tenho. Continuarei a respirar, a espirrar e a ter mau hálito até que o permitas, prostrado todos os dias a Teus Pés, à mesma hora de Êxtase. Ámen.

CAMBALHOTAS, CONSPURCAÇÕES E BRANQUEAMENTOS

Portugal volta a estar em perigo por causa da reincidência interventiva de Sócrates na vida pública, tal como a usurpa Soares, outro perturbador pedante, outro arrogante inveterado. O Nojo, afinal, não suportou o período de nojo natural que lhe incumbiria enquanto ex-Primeiro-Ministro. Não nos deu tempo, afinal, para nos livrarmos da pátina de toxicidade petulante da sua desgovernação, dos efeitos de uma gestão com os pés da Coisa e Endividamento Públicos 2005-2011. Temos, pois, que o que há de mais odioso em Sócrates reincide. Sou dos que escrevem e insistem no perigo que a sua majestática deriva narcísica coloca ao País, desde sempre. Se antes foi pela retórica obscena, hostilizadora, pela acção ou inacção dolosas e manhosas, hoje é basicamente pela palavra-atrito com que alveja a um tempo o rival que o apeou do Partido, Seguro, e o rival que o apeou do Governo e que o sucedeu no País, Passos Coelho. Mas também todos os inimigos que fez zelosamente. O odioso em Sócrates não pode ser ignorado, embora nem ele nem o seu entorno imaginem o cansaço, o esgotamento da paciência de milhões de portugueses só com a contemplação fortuita da sua fronha ou a audição casual da sua voz. Muito me surpreende que alguns venham lançar um borrifo de água benta sobre tal reformado da vida pública e pouco mais falte para santificar, sacralizar e inocentar esse narrador e a sua narrativa de saltimbaco político. «A coisa» não deixou de ser a coisa: o vazio ideológico e programático continuam lá disfarçados de abrangência naquela volatilidade à espreita de antena no oportunismo injusto de envenenar e perseguir, segundo o mesmo espírito oco e baixo com que se atafulha de testosterona e ambição mediática uma Casa dos Segredos. O odioso em Sócrates fez-se do cabotinismo ideológico no poder e da desideologização ainda mais perfeita lá. Se hoje se comporta com extremo indecoro e procura armadilhar e perturbar Passos Coelho, um Primeiro-Ministro em exercício, isso compagina-se com a velha malícia, velho estupor e degenerescência dos filhos espirituais e netos de Soares, a quem tudo se tolera e nada, nenhuma intervenção gagá, lhe é negado. Pelo que se vê, se há quem patrocine o regresso de Sócrates à retórica abrasiva e à mentira compulsiva na vida pública é Soares, o que, enquanto alto patrocínio, lhe deve sair caro. Nunca compreenderei como é que seis anos de passeio narcísico possam merecer absolvições e indulgências, tantos os casos justiciários mal ou nada explicados para onde o seu nome resvalou. Poucos políticos sem vida profissional própria ostentaram tanto como ele e se pavoneiam tão descaradamente quanto ele, o que, no estrito plano moral, e tendo em conta a miséria para que milhões de portugueses foram atirados, não deixa dúvidas a ninguém. E se o assunto dos assuntos, em 2010, era o PlayBoy então no Governo, convém recordar de que provocatório e obcecado consigo mesmo foi feita a intervenção pública desse actor literal. É profundamente anormal que se investiguem Primeiros-Ministros em casos sucessivos e todos tenham sido arquivados, sendo os arquivadores amigos e devedores de favores do alvo da matéria arquivada: Pinto Monteiro foi o Procurador Geral Restrito e Privativo de Sócrates. Há portanto uma causa directa para que sobre o hoje Manequim Político das Esquerdas terem abundado notícias de pequenos, médios, monstruosos, casos, de forma tão insistente sem qualquer esclarecimento: nunca um Primeiro-Ministro em Portugal foi tão agressivo como o actual Ayatola das Esquerdas, Sócrates. Nada da sua vida intima, do património da sua família, do seu percurso profissional e académico, na forma como exerceu os seus cargos políticos anteriores foi, depois de escrutinado, esclarecido e, depois de esclarecido, justificado. Nada. Mesmo as escutas ocultas a esse Primeiro-Ministro sem face o País não as chegou a ouvir nem a ouvir com que linguagem chula se referia ao Presidente da República, a Manuela Moura Guedes e ao caminho de falência inexorável para que conduzia o País, última ocasião propícia para aquelas negociatas cujas facturas caem hoje mesmo e amanhã nos Orçamentos de Estado de outros Governos. A verdade é esta: Sócrates, o Viciado em Si Mesmo, vende tantos jornais quanto Liliane Marise. Se gera tantos ódios não é só porque criou todas as condições para a bancarrota de Portugal, coisa agudizada pelo contexto de 2008 e 2010 e que apenas vitimou, excluindo o caso Irlandês, sociedades e democracias carcomidas de corrupção, dano, dolo, avidez e descontrolo, desorçamentação e manipulação mediática, como a Grécia e Portugal. Não, Rato Mickey Daniel Oliveira. O PlayBoy Diletante, na sua pesporrência sapateira, na sua arrogância petulante, na sua aparição quotidiana para qualquer coisa com sorridências para as TV, pôs-se a jeito. Nunca pensei que mesmo Vossa Excelência, Rato Mickey Oliveira, quisesse também ele fazer sua a grande narrativa branqueadora dos sequazes do PlayBoy, como os valupis e o corporações. Não vale a pena. Para entrar em default, ontem e amanhã, bastará ter um País na mão do Partido Chupcialista o tempo suficiente e bastará ter a cúpula corrupta que Soares pariu ao longo das décadas. Não é preciso mais. A Grécia também teve os seus ladrões de banco disfarçados de governantes. Qualquer grego sabe isto. Qualquer português deveria saber por que cargas de água tem estado Portugal tão à mercê de bancarrotas e de que vírus corruptor padece este Regime de glutões e autoridades morais de Esquerda, como Soares e a sua prole moral, Sócrates. Se há diferenças com outros Primeiros-Ministros, Barroso, Guterres ou Cavaco? Infinitas. Nenhum teria tomado decisões financeiras desastrosas diante da parede, na iminência de crash, nenhum teria acelerado mais PPP, mais despesa, mesmo com um Ministro das Finanças, como Teixeira dos Santos, a fazer um braço de ferro contra a fantasia à fartazana de bunker berlinense do SóCrash, os últimos ajustes directos à pala e com o biombo da crise: a Crise das Dívidas Soberanas deram para tudo. Inclusive para piorar o que já era mau de mais. Nenhum daqueles ex-PrimeirosMinistros sucumbiria tão monstruosamente a interesses, tráficos de influências, mentiras, medidas demagógicas e eleitoralistas. Só-Crash foi absolutamente único. Quem vê Só-Crash vê Vara e quem olha para Vara vê em que maus lençóis está metido Portugal para muitos e bons anos. Na escala de videirinhos da política, Soares foi um ás. Sócrates um perito em poker. Portanto, Rato Mikey Daniel Oliveira, o ódio a e o odioso em Mister Boa Vida têm raízes na práxis abjecta e no mau comportamento público, maquiavélico, revelado em crescendo ao longo de seis anos. Por exemplo, se venceu duas vezes as eleições, a última delas foi graças a uma monumental burla dos números do défice, a uma completa armadilha e campanha contra o Presidente, com inversão dos postulados e dos ganhos eleitorais, e ainda com amendoins provisórios para os funcionários públicos. António Costa nunca o teria feito. Rui Moreira e Rui Rio são o contrário disto e a ética que é preciso se sedimente na governação do País. E o que é que hoje verificamos? Que o vilão parece procurar criar uma aura forçada de salvador, coisa a que artigos como o do Rato Daniel Mickey se parecem prestar. Nunca, vendo o que hoje se vê, com a mão de Soares enclavinhada na carótida do Governo e o nervosismo dos parasitas no Aparelho de Estado nos destinos deste Ajustamento Externo, nunca outro Governo, sem a Troyka, poderia afrontar tamanhos interesses instalados e revolucionar as opções económicas e políticas de um País paralisado na capacidade de crescer praticamente desde a Revolução. Rato Mickey Daniel, o Despesista Negociatista Sócrates quis ser uma estrela e fabricar-se reluzente como a merda acabada de evacuar. Para isso investiu balúrdios com dinheiros públicos não só para perseguir e denegrir adversários, com Câmara Corporativa, como para que uma bateria de assessores lhe desses as melhores petas, as melhores palavras oportunistas da hora, o lado mais assim ou assim, dia após dia após dia. Se nem tudo se resume à inegável incompetência de Sócrates, tudo quanto o Regime é capaz ou incapaz se resume com a extraordiária húbris de Sócrates, o topete permanente de Sócrates, a insistência automediatizadora de Sócrates e provavelmente a sobreposição progressiva de Sócrates ao acutal líder do PS, Seguro. A Mentira está sempre em boa forma. E reincide. Este Governo, que é tão mau para o Rato Mickey Oliveira, tem é demasiadas contas para pagar contraídas por outros Governos. Nada mais biombo e útil do que ter surfado a complexidade desta crise para agravar, pelo gigantesco ajuste directo do último chupcialismo socratista, todas condições de vulnerabilização do Estado Português, entre 2010-2011. Manuela Ferreira Leite, a Velha, não parecia alternativa a Sócrates? Seguro não o é a Passos. A Troyka está a impor-nos austeridade, essa austeridade provoca uma revolução na estrutura económica do País, menos dependente de financiamento e mais dependente da capacidade de gerar autonomamente riqueza e captar investimento. Nunca nada ficará exatamente na mesma, especialmente para Funcionários Públicos, reformados e pensionistas, embora haja mais País e mais economia para além deles. Teremos de ter viva a capacidade de ver o que de positivo resulta para o País no atual quadro europeu exigentíssimo, quais as transformações úteis, que nos homologam aos Países mais ricos. Que sinais positivos se observam quotidianamente? Nada disto interessa ao Rato Mickey Oliveira nem à boca merdificante, mal-humorada e pessimista das Esquerdas mais Raivosas. Nada disto interessa às Eminências Pardas do Regime, aos soares e aos pobres diabos do quanto pior, melhor. Nada disto interessa ao raivoso e vingativo Parisiense cuja meta é ver Portugal a colapsar precisamente agora que se encontra na derradeira curva de saída desta puta desta Troyka. Também por isso, o ódio a Sócrates e o odioso em Sócrates são o que são e nascem do que nascem. Para que nos serve quem está sempre do lado do Show da política e não conhece a palavra escondimento, desaparecimento para não atrapalhar e não emerdar a nossa vida já suficientemente penosa?! Só um charlatão nos venderia a ideia de que, após ter destruído tudo, poderia salvar e solver tudo e fazer diferente. Diferente como quem, pelo amor de Deus e à espera de quem?! Diferente de Hollande e a sua pressão fiscal ultrapesada?! Não sou de Direita. Sou da Ética. Da ética ainda que politicamente tíbia de Rui Rio, da Ética de Eanes, cada vez mais próximo da honestidade básica de António Costa, cada vez mais da ética pública que Rui Moreira vai corporizando, apesar de ter sonhado qualquer coisa de mais ágil e mais musculado para o meu Porto. Sou mesmo capaz de uma crítica tão impiedosa à suposta Direita em Portugal, que não conheço [o CDS-PP é uma espécie de socialismo cristão ambíguo e híbrido] quanto à Esquerda Regimental, sórdida e violenta sobre os que a contestam. Àqueles, como o Rato Mickey Daniel, que consideram as novas gerações de Direita particularmente agressivas, conviria recordar-lhe as consequências evidentes do Esquerdismo Excessivo por que se pauta o Desaguisado Constitucional, onde nunca há consenso nos óbices aos Orçamentos, e alguma da Elite Política e Aparelhística que se acoita em Lisboa: são péssimos gestores e ainda piores matemáticos. Se a Nova Direita representasse contas sérias, rigor, disciplina, defendendo Portugal dos Bancarrotas Chupcialistas, teria de ser bem-vinda. E se uma Nova Esquerda [que não conheço senão no que António Costa promete vir a liderar] representasse um desejo de transparência, seriedade e rigor nas Contas Públicas, coisas que o PlayBoy traiu em toda a linha, também seria bem-vinda. Mas as contas da Velha Esquerda são sempre de subtrair e a retórica da Velha Esquerda só conhece direitos, está-se a cagar para os deveres. Fabricou um País Político de Paxás e Pançudos. Olha-se para Almeida Santos, Manuel Alegre e Mário Soares e ficamos a perceber o que é a Velha Esquerda: uma cambada de nababos, de paxás, gente bem confortável na vida, acumulando os milhões que o deslizar habitual nos direitos à portuguesa tece. Essa Riqueza do Regime que a Velha Esquerda ostenta não a ostenta o PCP, valha-nos isso, reduto, apesar de tudo, morigerado e coerente dele-Regime. Se, em seis anos, foi criado um cerco de suspeição e um debate quase exclusivamente em torno do carácter do ex-Primeiro-Ministro PlayBoy, não foi somente porque esse Apolo dos valupis e Messias dos corporativos se prestou deliberadamente a isso, mas porque tal deus mediático é de uma estupidez verbal que se dispensa. Não estamos interessados em ninguém anguloso-obsessivo de pretenso centro-esquerda, que confunde coragem política com aventureirismo e desbocamento. Onde alguns avençados da opinião lêem extraordinária capacidade de confronto e combate, só se pode ler verbalismo estéril, vício de boca, mania do palco, esterilidade, psicopatia. Portanto, mesmo que por mera hipótese académica, é um acto inominável e impensável incensar o regresso do PlayBoy Parisiense à política activa, ao politicar forjado por Lula. Para que quer a vida pública portuguesa um homem sem convicções, só com vinganças, político enlouquecido, imprevisível, bon vivant, sempre a meter veneno e a atirar pedras à engrenagem nacional?! Há ainda um papel histórico que lhe pode ser reconhecido: a última e derradeira higiene de desaparecer. Fique lá com esses dinheiros não só de um outlet em Alcochete, mas de todas as comissões decisórias e favoritismos que levam hoje Ricciardi do BES a reapreciar o modo como o Estado Português deva pagar o que deve, no âmbito do monstruoso conluio dessas PPP; favoritismo em crise hoje quando Ricardo Salgado ostenta um ar pesado e compungido por causa da taxa com que este Governo quer taxar a Banca. Somos todo um País, toda uma mole de Direita, de Esquerda, sem Esquerda e sem Direita, com Fome de Ética na Política, que se está a cagar para a ambição imortalista de Sócrates através de uma reedição mais chula de uma vil e gasta omnipresença mediática. Bastou o que bastou e foi mortífero da nossa paz e de parte do nosso futuro colectivo. Se o Daniel Mickey Oliveira não percebe isto, meta explicador.

domingo, outubro 27, 2013

«É TOTALMENTE FALSO.»

Ai a faltinha que um tesão preservado e amor respeitoso acalentado faz em todo o lado! «É totalmente falso. Nunca houve violência. A Bárbara alcoolizada chocava com paredes, caiu na minha quinta, numa sebe de cinco metros e cortou-se toda e partiu o telefone. Há muitas autoagressões de uma bêbada. As únicas agressões de que ela se pode queixar são as autoagressões em situações de alcoolismo.» Manuel Maria Carrilho

 «Há um ano que a única coisa em que a Bárbara pensa são os 40 anos. Ela não conseguiu suportar a idade. Foi por um lado a parte da depressão com o álcool e o resto com silicones, botoxs, estrias e 50 comprimidos, para aí, que ela toma por dia, sem controlo médico. Deixou de comer e passou a beber. E é este o resultado".» Idem

sábado, outubro 26, 2013

DEIXEM-SE DE TRETAS TROYKISTAS

«Como lixar a Troika: produzir riqueza. Ambicionar a criar negócios viáveis em vez de viver do Estado. Recompensar o mérito em vez dos amigos e familiares. Prestar mais atenção ao conteúdo e menos à forma. Ler mais livros e menos mexericos. Não esperar ter nada de graça. Perceber que temos todos que fazer pela vida. Não votar em políticos que prometem aquilo que não podemos pagar. Assumir a responsabilidade dos nossos próprios erros. O dia em que os portugueses perceberem que são a causa do seu próprio sofrimento é o dia em que começarão a sair do buraco. Antes desse dia chegar, é impossível. Com ou sem Troika. Com ou sem Euro. Tanto faz. Essas coisas não são o verdadeiro problema nem a verdadeira solução.» AC

sexta-feira, outubro 25, 2013

PORTUGAL E O SÉMEN DA PALAVRA

Portugal, o País que amo, alberga gente com formas de pensar as mais diversas e o talento, muito ou pouco, para as expressar. Somos fauna de ideias, à procura de analogias, de caminhos e de verdades. Mas há muita dessa fauna, Fauna de Esquerda Mal-Humorada, que não tolera o pensamento diverso dos outros, a leitura diversa dos outros, pois só existe a sua leitura e a sua emissão conceptual, o seu quadro descritivo da realidade, fora do qual outro qualquer ejaculador das palavras poéticas ou poético-analíticas só pode estar doente e deverá ser ou internado ou evacuado da plataforma que usurpa para debitar e debitar-se. É como que o Perigo de Haver Diversos, o Horror de Haver Diferentes. É a teoria dos escreventes malditos. Dos corpúsculos estranhos. Do 8.º Passageiro. Em suma, o Medo do Outro. Não separo a Poética da Poética de uma Poética da Política e é a partir desse meu corpo sexuado do dizer que insemino e inseminarei com Palavras a vagina passenta dos leitores em regime de estrito consentimento. Todo o leitor é um consentidor do diálogo da palavra que afinal busca e busca porque quer. Nenhum texto, postulado ou ideia, invadem o cérebro desprevenido do leitor por penetrar. Nada mais consensual que a leitura e a rejeição da leitura. Os inquisidores proibiam leituras, indexavam-nas. Os comunistas mais petrificados e aterrorizados com o Outro fazem outro tanto. Está inscrito no pensamento único, dogmático e violento como o Islão.

Sou, portanto, pela sementeira permanente e incansável da verdade e pelo confronto das verdades. O meu sémen é a palavra que lanço e insemino incansável aqui e ali. É minha a Palavra. Lanço-a à terra da leitura. Tudo é mais complexo que o ódio simplório a Maria Luís Albuquerque e mais denso que o insulto recorrente a Passos e mais imprevisível que a baixaria robótica para cima de Portas, e mais exigente que os simplismos de Semedo, as bojardas de Jerónimo ou a loquacidade cénica de Catarina. Tudo, pelo contrário, é extremamente mais simples que o insulto justíssimo à rapacidade e à malícia Burlo-Keynesiana 2005-2011. Compaixão a quem a mereça. Moderação para com quem está preso às amarras dos compromissos. Mas não se peça moderação ao Poeta. Isso é impossível. Peça-se moderação aos culpados mediatizados, aos incendiários culpados, aos entrevistados com interesse em dividir, aos merdas moderados, aos gajos que se enganaram quando olharam para ele e disseram que era de Direita, sendo de Esquerda, ao gajo que é mais de Esquerda do que outros membros do PS, que é mais de Esquerda que o Manuel Alegre. Peça-se moderação à Esquerda que não se mede aos palmos, aos gajos da oligarquia do PS, ao chefe democrático que a Direita sempre quis ter, à vítima gay do boato homossexual. Peça-se moderação aos apodadores de bandalho, aos chamadores de estupor, a esses filhos da mãe que chamam aos outros filhos da puta e vice versa, aos filhos da mãe da Direita em Portugal que dão cabo de soluções apenas para ganharem eleições, aos filhos da mãe da Esquerda em Portugal que dão cabo de soluções apenas para anteciparem eleições peça-se moderação à merda de um moderado que insulta bandalhos, estupores e alguns filhos da mãe. A mim, nada mais que um Poeta desempregado, um Professor de Língua Portuguesa, uma rolha boiando na maré de dissipação nacional, não se peça nem silêncio, nem escondimento, nem moderação.

Quem me dera escrever a soldo, ser pago para exercer o meu maior prazer. Escrever. Infelizmente, tudo quanto tenho para viver são 295 euros de subsídio de desemprego, o tecto, o banho e a comida proporcionados pelo meus pais, vida partilhada, e muito jogo de cintura para levar os dias, emendando-os em paz às noites. 

O meu sémen da palavra não é de Direita nem de Centro nem de Esquerda, é pela sobrevivência e o caminho mais curto e menos custoso para Portugal, que atravessa o actual caminho já com resultados e cumprimento de objectivos, caminho digno de esperança. Só nessa medida me parece que este Governo deve ser protegido com o máximo das minhas forças, não por ser bom, mas porque nenhum outro pode ser melhor, nas actuais circunstâncias. 

Ainda ontem, ouvi  com estas minhas orelhas que o Céu há-de glorificar no Último Dia, no Fim dos Tempos, quando Marx e Lenine ressuscitarem e andarem aos beijos com Pinochet e Franco pelas cristalinas escadarias da Misericordiosa Celestialidade  ouvi, na conferência do Diário Económico/Antena 1, António José Seguro ousar pensar alto na possibilidade ou de saída do euro, ou de reestruturação da dívida, quando a mim ambos um Suicídio Colectivo de Portugal, sucumbindo à Dogmática Catastrofista de Esquerda, como melhores saídas ao empobrecimento prosseguidos pelo Memorando da Troyka e pelo Governo. 

Não quero acreditar nisto. Não acredito que Seguro creia serem aquelas duas as únicas alternativas estratégicas para Portugal provenientes do seu Partido Chupcialista, o partido que depois de nos ter dado a Europa nos quer subtrair da Europa ou do Euro, que é quase a mesma coisa.

Uma quarta via, sugerida por Seguro mas sem solo europeu que se pise, fala, é certo, da sustentabilidade com orçamentos comuns na União Europeia, com um fundo de redenção para parte da dívida europeia, com licença bancária para o BCE, com o realismo nas medidas, com o limite à despesa corrente primária, com o compromisso entre gerações e entre políticas públicas, com incentivos reembolsáveis na gestão de fundos comunitários, com prioridade ao emprego, com uma economia verde. Seguro é um Poeta, como eu. E tudo o que apresenta, sonha-bola entre as mãos de uma criança simplesmente não está em cima da mesa. 

Não há alternativa à baixa da despesa do Estado, ao empobrecimento circunscrito e temporário dos portugueses, ainda que a Esquerda salive insultos de toda a espécie contra a Corja da Direita, que governa no País e na Europa. No entanto, quem é, pelo amor de Deus, que não sonha, deseja, anela por mais emprego? Mais economia verde? O fim dos sacrifícios? Este Governo, se fosse impaciente e tivesse dinheiro, faria o que fez o anterior, incinerando camiões-TIR dele para a economia dos amigos, das empresas amigas com os mesmos resultados. Zero. 

Seguro, enfim, foge da realidade e dos números duros como um Vampiro foge do Crucifixo. Por enquanto, ele é apenas um político só atacável por viver e navegar na mais suave fantasia e no idealismo mais vaporoso. Nada há em Seguro que seja digno de ódio ou de reprovação graves, como o seu abominável antecessor, o anticristo da política em Portugal. Seguro não decide. Não arrisca o pescoço com medidas impopulares. Pode beneficiar da dúvida e da condescendência gerais. São só ideias. Só projectos, palavras, palavras de consolo assentes na nuvem onde Juno não está. 

Não percebo qual é a pressa de Seguro em ser odiado como Passos, visto como um bicho peçonhento como Passos, tratado como um cão, como Passos, alvo de toda a espécie de ataques pelo grande espectro de comentadores mediáticos pesados, senadores pançudos, como Passos, olhado e tresolhado de maldoso, cru, incompetente, nocivo, como Passos. Qual é, então, a pressa, António José Seguro?! Tu, mal te metas a caminho para seres o próximo Primeiro-Ministro de Portugal, serás, num pronto, odiado como Passos, visto como um bicho peçonhento como Passos, tratado como um cão, como Passos, alvo de toda a espécie de ataques pelo grande espectro de comentadores mediáticos pesados, senadores pançudos, como Passos, olhado e tresolhado de maldoso, cru, incompetente, nocivo.

Voltaria tudo ao mesmo. É assim. Sempre será assim. Pode sonhar-se com políticas, Tó Zé, mas só se decide com números, com o dinheiro que habita a nossa carteira e chegará ou não graças à boa vontade dos agiotas.

Portugal, visto pela Esquerda, é hoje uma besta que hoje saliva de raiva e muito justamente. Tudo aconteceu ao contrário. O custo de existirmos é muito alto, Tó Zé. Mas, enfim, semeia a tua palavra. O sémen da palavra faz o seu caminho. É delicioso que nos queiram calar por a semente cair no campo hermético das Esquerdas e este sémen libidinoso da palavra que ejaculo não respeitar a vagina indisposta da leitura, como se ler não fosse voluntário, sexo consentido da Palavra pela Palavra, acto absoluto de quem vive por ela, como eu vivo, Palavrossavrvs Rex. 

PLAYBOY DE PARIS ENFASTIA MEIO MUNDO

Anthony Hopkins
Eduardo Catroga disse que José Sócrates devia estar definitivamente enterrado
e a ser julgado em tribunal pelos erros de gestão.
Em vez disso anda a pavonear-se
e a fazer-nos perder tempo.

OE 2013, NA SENDA DAS SURPRESAS

OE 2013: a surpreendente execução de Gaspar sem Gaspar.
«O saldo negativo das contas públicas foi de 4,3 mil milhões de euros, enquanto que o tecto imposto pelo Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu era de 7,3 mil milhões de euros. A despesa do Estado aumentou 5,3 por cento, devido às transferências para a Segurança Social, ao pagamento de pensões por parte da CGA e ao pagamento em duodécimos do subsídio de Natal, mas foi ultrapassada pelo crescimento das receitas.» TSF

quinta-feira, outubro 24, 2013

QUESTÕES SEMICOMUNAS. RESPOSTAS AUSTEROFASCISTAS

1. A Troyka e o Governo sabem o que estão a fazer? 
Sim. 2013 prova que sim, pois, contra todas as expectativas, deu-se um ligeiro crescimento.

2. Espremer o nosso Povo, orçamento após orçamento, 
será a forma mais pedagógica de o levar a poupar mais e a produzir mais, 
a desenrascar-se cá dentro e lá fora, emigrando em massa? 
Sim. 2013 prova que sim. Nós emigramos para fora de Portugal.
Reformados franceses imigram para dentro.

3. Será possível pagar aos credores quase sem investimento económico, 
com escasso crédito e elevadas taxas de juro? 
Sim. 2013 prova que sim.

4. O défice do Estado poderá ser reduzido, 
mesmo com retracção da economia das famílias, 
mesmo com aperto da tesouraria das empresas, 
mesmo com a abstenção bancária em financiar PME, 
mesmo com o aumento das despesas sociais do Estado? 
Sim. 2013 prova que sim.

A austeridade vai resultar. É preciso exportar o máximo possível, 
receber o máximo de turistas possível, manter a estabilidade social e dizer não a histerias e impaciências,
desimitar os gregos, atender ao máximo de sinais promissores possível e ter um discurso positivo. 
A Troyka e o Governo desafiam o Povo austerizado a confiar, a trabalhar no duro, a aguentar firmes,
e a esperar pelo melhor. Mas primeiro e antes de tudo, a austeridadezinha salvadora e o pagar aliviador aos credores toda a dívida contraída alegremente no passado para que outros Governos fizessem das tripas coração para a pagar.

ONDE ESTIVER A MERDA, JUNTAM-SE AS MOSCAS

Foto: Todos têm direito ao seu momento, ao seu livro, às suas entrevistas. Eu não esquecerei, nem deixarei esquecer o mal que este homem fez ao país. Mas não escondo a indignação, nem a ironia, pelo facto de os principais coveiros da justiça portuguesa terem estado, juntos, nesta cerimónia. Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento, afinal ficam lindamente na mesma foto que Sócrates.

SCHUMANN SALVOU-ME A VIDA, HOJE

quarta-feira, outubro 23, 2013

SÓCRATES PAGA UM BALÚRDIO A LULA

Sócrates [ou a Fundação Maçónico-Chpupista Soares, ou ambos] pagou o frete discursivo e presencial de Lula, na apresentação do Livro que os valupis escreveram como se fossem Sócrates. Não há elogios grátis. Nem vaidades grátis. 

Estas coisas muito dadas a imposturas e a pronunciamentos ignorantes, falsos e hipócritas, manhosos e pedantes custam muito dinheiro. Situações que permitem a um ex-Presidente de um País Rico, como Lula, dizer umas coisas pouco fundamentadas que nenhum País ou Governo ousa praticar [taxar lucros da banca? Cortar bónus na Banca? Desprezar uma consolidação estrutural de uma economia, fraca ou forte?], custam sempre muito dinheiro. 

Quanto é que Lula custou à Fundação Chulares, às maquias em offshores do Inominável Energúmeno Burlão-Keynesiano? Qual o limite para se suportar tamanha sujidade impune?

CIGARROS DO PERNAMBUCO


terça-feira, outubro 22, 2013

PORTUGAL-CIGARRO FUMA-SE A SI MESMO

Este será um post para quantos alguma vez andaram aflitos na sua vida privada, com as mãos nos bolsos, a unhas neles a rapar cotão, encostados aos postes espirituais a ver se a vida passa sem reparar em nós. Portugal, hoje, é isso. Hoje, e sempre, é como se fosse uma pessoa. Por acaso aflita. Sem cheta. Há cento e cinquenta anos apertado em dúvidas existenciais. Encosta-se agora mesmo a um poste. Fuma o pensativo cigarro de si mesmo, cigarro com quase dois séculos e a cinza de mais um default tombando no chão quadridimensional da sua História Colectiva, os olhos semicerrados, os dedos nicotinados, os dentes putrescentes, o hálito entre o halo a merda ou a carniça. Fuma e cisma, com saudades, de Vítor Gaspar, o ministro que a auto-intitulada Esquerda Moderada dizia falhar estimativas, cenários, previsões, mas representava, sozinho, uma solidez que blindava Portugal da punição fiduciária dos mercados. Cisma na virulência dos galambas, putos imberbes, perfurados nas orelhas, a debitar furibundices no Parlamento. Cisma-se mais, fumando-se. Algumas demissões, por vezes, são fezes. Portugal continua encostado a uma espécie de poste da REN imaterial, fumando-se no seu cismativo cigarro. «Eu, Portugal, sou isto, não passo disto. Por um lado, governo-me, por outro tenho um programa de governo no Bloco e no PCP que é não estar em qualquer Governo, pedir a demissão de A durante meses e depois ver no que dá. Eu sou isto. E dá merda», pensa. Talvez o Portugal que se encosta e cisma estivesse no bom caminho consigo mesmo por ter Gaspar. Caminho que Paulo Portas torpedeou. Caminho que Cavaco Silva boicotou com o engonhanço dos Orçamentos verificados constitucionalmente em 2012 e 2013. Caminho que a miopia e a mesquinhez do PS transforma em ruptura, melindre, lavar de mãos. O Cigarro que Portugal fuma nunca mais acaba porque é ele mesmo. Aliás é um cigarro que se acende noutro cigarro ou não visse Passos no quase-colapso do Governo, em Julho, um tombo ainda maior na periclitante confiança dos credores internacionais e dos mercados. Portugal e o seu cigarro de juros em flecha. Portugal e o seu cigarro de queda na elogiometria europeia. Portugal e o seu cigarro Troyka a recrudescer exigências, num passo atrás na fidúcia relativa à nossa docilidade. Portugal encostado e fumando-se no longo charuto da instabilidade social em virtude de medidas que decepam rendimentos é o mesmo Portugal segurando e fumando o pesado charuto de si mesmo dos putativos novos chumbos do Tribunal Constitucional, talvez os juízes-Portugal-que-se-fode e que se fuma achem que isto vai pelo melhor dos mundos possíveis e arranjar alternativas financeiras é facílimo. Portugal hermafrodita sempre em diferendo entre a cabeça e o cu. Nada mais destituído de constitucionalidade ou repleto de inconstitucionalidade que favorecer, num futuro próximo, o agudizar de quaisquer cortes futuros. O grande cigarro de si-mesmo Portugal não acaba de ser fumado e a subjectividade da Polítca, os interesses da Política, os chumbos políticos e ranhosos do Tribunal Constitucional nunca unânimes, nunca unívocos, nunca peremptórios, fumam Portugal-Cigarro, encostado a um poste. Mudar é, nesse cigarro, inconstitucional. Adaptar-se? Inconstitucional. Sobreviver? Inconstitucional. Resolver o Problema? Inconstitucional. O mundo gira, mas Portugal deverá permanecer encostado ao seu poste constitucional, fumando-se a si mesmo. As metas impostas pelos credores são um problema do Governo e o Governo não governa o País. Está só ali para ser odiado e demitido e insultado por fazer o que, à luz do direito e das regras internacionais, tem de ser feito. A Oposição? Parece não fazer parte do Portugal que se fuma-cigarro a si mesmo, mas faz. E é precisamente esse mesmo Portugal-que-se-fuma, que se fuma-Governo, que se fuma-Oposição, que se fuma-Tribunal Constitucional a aparecer como uma só coisa encostada a um poste perante o olhar enfastiado do Mundo. Toda a merda mal feita e derrotista e decadente e descrente em Portugal, a um olhar inglês, é Portugal no seu todo. E qualquer covardia, ruptura, recuo, no Memorando é, a um par de olhos alemão, Portugal a perder por dois a zero, sem particularizar o frango ou a fífia. A nulidade e fraqueza extremas de Semedo-Catarina, de Passos-Portas, de Cavaco-Assunção Esteves, de Seguro-Chupcialismo, tudo isto é Portugal encostado a um poste fumando-se e falhando-se. Cansaço de este Portugal, se falhar, drama ter de ser o Hiper-Camões nos meus apelos a que não se falhe. A as Esquerdas, todo o seu ranço, renitência, e sentido utópico, é uma Igreja, uma fábula, com o Padre Eterno Soares a escarrar para cima do Espirito Santo Governo e todo o ranço do socratismo a atirar bandalhos aos pobrezinhos e a incensar o PEC IV, após três anos de cumulativa rejeição da água do banho e do bebé morcego, execrado por várias maneiras e por abaixo-assinados com 136 673 assinaturas. A Irlanda passeia classe, apesar do seu défice altíssimo e de um sofrimento social semelhante ao nosso. Deixou de fumar-se para sobreviver-se. A Grécia por vezes fuma-se, desafia a Troyka, diz que não vai e depois vai. A Grécia fuma-se inveteradamente, Grécia-cigarro, charuto-Grécia, Grécia-Charro. Portugal, os portugueses, encostado ao seu poste secular de iminente pré-falência, prefere falhar-se e continuar a fumar-se. Resvalar no incumprimento? Culpa do Governo. Demita-se o Governo. Venha outro para ser demitido e continuemos, Portugal, a fumarmo-nos como se não fosse nada connosco. O Governo é sempre mau. O Tribunal Constitucional sempre bom e um reduto de fumo menos tenebroso que a Troyka. O interesse nacional é a cinza que cai todos os dias da ponta de piça que fumega. O Presidente da República é escudo e couraça, não da matéria incandescente de evitar o incumprimento, mas da Direita e da Maioria. Fumo. O pesado charuto Portugal que Seguro não segura fuma-se num Memorando deixado sozinho para os outros. Seguro amua. Seguro chora. Seguro fuma-se Portugal. E nada tem a ver com esse pacote de agressão, pacto da laranja. E a loucura e o dogmatismo de igreja do PCP e do BE roçam a loucura e o desejo feérico de tragédia, mal o Tribunal Constitucional evacue mais chumbos graves a medidas com impacto financeiro expressivo e com a cotação de Portugal resvalar novamente para um novo abismo. Compromissos não é com este Portugal que se-fuma e se fode a si mesmo, novamente. O fundamentalismo totalitário das Esquerdas anti-Troyka vem a revelar-se, afinal, o totalitarismo mais fundamentalista e pró-troykesco que há. Portugal encostado ao Poste de si mesmo fumando a cigarrilha maricas de si mesmo, expede faúlhas mortíferas para si mesmo, inala-se e reinala-se. Pede demissões. Quer morrer.

DIAS DE ESTUPOR E BANDALHO

Santana não se deixa abalar. Toda a linguagem maldita e refugo da ralé daquela entrevista rancorosa e raivosa do animal por vacinar lança ainda mais luz sobre um psicopata. Sente-se que retaliar com porcaria vernacular a Direita é não poupar ninguém, nem a Esquerda, mesmo que a Esquerda se console com a baixeza hipócrita do desbocado.

CHUPCIALISMO OU A FEBRE DE MENTIR

Quando esta gente sôfrega não está no Poder, geralmente a estragar e prejudicar o presente e o futuro, tem febre e mente a escorrer óleo de mentir: «O deputado do PS Pedro Marques, que declara agora com ar fulminante que, "neste caso, o Governo quer cortar as pensões daqueles que já morreram", o que parece demonstrar uma "enorme falta de escrúpulos" e uma "enorme incompetência", é o mesmo Pedro Marques secretário de Estado da Segurança Social do PS que defendia numa reunião da concertação social, em 2006, que o valor das pensões "deverá ser ajustado tendo em conta os rendimentos dos cônjuges sobrevivos."» PPM

DOIS SILÊNCIOS ESTRIDENTES

Depois de José Maria Ricciardi ter feito uma pirueta pouco comum em banqueiros ao sugerir um período de carência para o pagamento dos juros relacionados com as famigeradas PPP rodoviárias por um ou dois anos, a qual daria ao Tesouro a possibilidade de diluir no tempo os 1166 milhões de euros nas parcerias com os transportes, não me recordo, até ao momento de ter ouvido uma reacção governamental, embora, diga-se, esta ricciardice tenha chegado manhosamente depois de entregue formalmente o Orçamento para 2014: por um lado fica bem na fotografia, por outro, chega tarde de mais para contrapor uma bóia a pensionistas e funcionários públicos às medidas estruturais troykistas. Desígnios. 

Outro assunto correlato diz respeito à escassa promoção de um produto público com incidência positiva directa na dívida pública e no bolso de quem o subscreva: desde Setembro de 2012, quando entraram em vigor as novas taxas de remuneração, os resgates de Certificados de Aforro cairam para um terço e as novas subscrições dispararam, totalizando 1228 milhões. Isto porque as alterações introduzidas garantiram aos Certificados de Aforro uma rentabilidade superior à dos normais depósitos bancários, sendo que tal melhoria consiste na atribuição de um prémio provisório de 1% na Série B, o que atira a taxa bruta acima dos 3%, e um prémio de 2,75% na Série C, iniciada em 2008, independentemente do prazo de subscrição, o que atira a taxa também para cima dos 3%. 

Dir-se-ia que levantar a guilhotina orçamental às pessoas poderia passar por acolher ideias excelentes de banqueiros, os mesmos banqueiros que, num passado demasiado recente, se mostraram capazes de tudo, do tal conluio anti-contribuintes e anti-Estado Português perpetrado por Banca-Política, de que fala habitualmente José Gomes Ferreira ao denunciar o mau negócio das PPP. Mas levantar a guilhotina orçamental às pessoas passaria também, sem qualquer sombra de dúvida, por fortes estímulos à poupança provenientes de produtos do Tesouro que funcionem como intensos captadores de recursos directos dos cidadãos dada a alta rendibilidade que oferecem. 

Poucos povos serão mais sensíveis ao dinheiro quanto Judeus e Portugueses: com estas vantagens, os Certificados de Aforro seão a galinha dos ovos de ouro dos que acreditam na poupança e no investimento e a áurea galinha também do Tesouro, na aflitiva batalha pelo máximo de liquidez. 

segunda-feira, outubro 21, 2013

DIABO DE MOÇA COM O DIABO NO CORPO

Começa certamente a tornar-se muito complicado para Katy lidar com a tara religiosa dos pais e a mania persecutória do diabo em todas as coisas, mesmo num filho ou filha. Não bastavam os fanáticos do Oriente, temos tão maus ou mais insanos fanáticos no Ocidente. É muito azar.

MANIF DA TRAMPA

Brincadeiras de mau gosto com os media e com a Opinião Pública dão merda e desiludem completamente, especialmente se o pseudo-movimento independente se organiza como um partido, o BE, apenas para forçar a existência, como se fosse dos media e não do seu mérito o sucesso de acções futuras. Um sofrimento muito sério de todo um povo não se compagina com negaças nem paródias.

JEROEN, ORDINÁRIO NEUTRALIZADOR DE MANIFS

Não me doem as opiniões francas e directas de ninguém. Abraço com extremo interesse e paciência os que se me opõem, permaneçam calmos ou não a opor-se-me. Acho divertido escandalizar o Credo da CGTP e estimulante rasgar o Decálogo do PCP, da mesma forma que me fascina a crítica sistemática que se pode fazer com extrema facilidade ao Socialismo Português, o Chupcialismo, à sua retórica de impostura e temor da impopularidade, e sobretudo à fase totalitária recente do Socratismo, cuja abordagem e chamada à colação com esta fase Passista, não sei porquê, desagrada profundamente aos que se ancoram no presente político como o único monólito conveniente como se não houvesse o antecedente político e o grande pedregulho das respectivas responsabilidades. Mesmo que a maioria das pessoas que me lê se escandalize com as opiniões expendidas por mim e as apode de indefensáveis, é conveniente que eu não pare de expendê-las nem de ousar o indefensável, não pare por nenhuma forma e sob nenhum tipo de chantagem, já que esta energia de escrever e esta urgência de dizer me assaltam pelo menos quatro vezes por dia, bem domadas e disciplinadas, para não serem dez ou vinte ou trinta. As opiniões que antagonizam as minhas opiniões não mordem. Não têm bicho. Nunca perceberei por que causam desmaios, vómitos e dores de dentes um simples post e uma singela opinião com quatro ou cinco mil palavras. Tendo defendido, não a muralha esburacada da Situação no Poder, mas o pragmatismo a que estamos obrigados pelos directórios europeus, imposições frias, objectivas, apostados em robustecer e sanear o núcleo a partir do qual tudo o mais pode funcionar: o sistema bancário e o controlo orçamental dos Estados. Estalinisticamente, sem dúvida. Mas é a Europa que temos e a única que, antes de mudar de linha por vontade hercúlea de Seguro ou pelo espingardar heróico de Arménio, dita de facto as linhas gerais da política económica dos países para debelar esta crise. Não há justiça social nesta estratégia nem tem de haver. Há o paradoxo de o saneamento da Banca e dos Estados se fazer às nossas custas multiformemente, para que, graças a ele, a economia e as nossas vidas voltem aos eixos com infinitamente maior robustez, base sólida a partir da qual tudo o mais será possível. E o que é que sistemicamente nos diz a Europa? Diz-nos, por Jeroen Dijsselbloem, por exemplo, que o nosso País, nos últimos três anos, obteve resultados notáveis no âmbito do controlo orçamental, embora a batalha dos países intervencionados pela competitividade se mantenha e muito esteja por fazer. E a velha conversa repete-se: pedem-se mais reformas estruturais. Ele di-lo e dentro em breve corre o risco de isso não querer dizer nada ou estar desactualizado por termos feito tudo. A competitividade, basicamente, é o grande graal da Comissão e do BCE e resume-se nisto: proceder ao que for necessário para nunca mais fazer depender a nossa recuperação económica do facto de alemães, holandeses e demais europeus ricos nos subsidiarem a factura social ou qualquer outra factura, fornecendo-nos carregamentos de dinheiro anuais com que suportemos os nossos próprios ónus sociais ou outros. É cruel. Evidentemente que não foi nesta Europa Indiferente e Insolidária, Desigual e Insensível, que apostamos e em que vivemos todos estes anos. Era, pelo contrário, um Europa Mãos-Largas e até Laxista. A vida era bela para os Gregos. Pode essa Europa andar a pisar o risco, desconhecendo realidades muito distintas, mas decididamente não será o rotineirismo sindical, a linguagem ordinária para que resvala mesmo Carlos Silva, talvez depois de ler o desbocado ex-primeiro-ministro, nem será a gastar e a desgastar a paciência de quem vai todos os dias tentar sobreviver na cidade que qualquer daqueles pressupostos europeus mudará, embora gritar faça falta. Há transformações e imposições que um olhar norte-europeu decreta para o Sul e a sua idiossincrasia e o pior é que a nossa jangada de pedra não se secciona do Continente para rumar a paragens menos exigentes e mais offshore, em África ou América, a fim de continuarmos a viver placidamente à nossa maneira, como até aqui. É simplesmente por isto, por causa desta pressão continuada para uma rápida revolução crescimentista e reformista estado a estado, que um segundo resgate deve ser evitado a todo o transe em Portugal. Temos de ganhar tempo e fazer o que devemos no pouco tempo que temos. Só num País pervertido por uma maligna autofagia política é que não é possível concitar vontades lúcidas numa só direcção salvífica, para além das dinâmicas calculistas dos partidos. Tenho-me especializado em observar e criticar sistematicamente o Partido Chupcialista e a sua Ala Sôfrega, Mentirosa e Cretina Socratesiana. É uma necessidade fisiológica, tendo em conta a contaminação da linguagem e dos tiques pseudo-extremo-esquerdistas de que se enforma: além do facciosismo extremo e do imputar de todas as culpas a outrem, quando na Oposição, os ChupSocratesianos são incapazes de um foco no interesse nacional. Estão, aliás, apostados no pior resultado possível dos incumbentes e isto é simplesmente insano. Talvez tenha sido devido a lógicas internas semelhantes, pouco unificadas e pouco dadas a contemporizar com o inevitável, que Atenas pode estar nas vascas de um terceiro resgate. Simplesmente, essa cacofonia, esse trabalho paciente pelo ódio a quem decide marca países decadentes que nunca, em cem anos, se encontraram verdadeiramente a si mesmos para se encherem de brios e respeitarem as exigências de cada tempo. Não é preciso vir Dijsselbloem recordar-nos que o grande risco na Europa não é propriamente económico ou financeiro, mas é político: além do envelhecimento e da obsolescência que faz perigar o Estado Social nos diversos países europeus, a agitação histérica das ruas, mais violenta em Madrid, Atenas, Paris ou Roma, não augura nada de bom porque ninguém investe em Países com instabilidade política, ninguém investe no Portugal que Soares e os Socratesianos querem colocar a ferro e fogo, eventualmente com um assassinato política de grande impacto nas psiques da União. O trânsito rumo à decrepitude não perdoa: de europeístas convictos a demagogos e sedicionistas reles. Acontece que a nossa batalha é pela Moeda Única: dependente de equilíbrios variáveis e lógicas diversificadas consoante os Países, o Euro vive da estabilidade política em toda a Europa e esta é a base de tudo o resto. Se a união bancária for avante dentro dos prazos previstos, nunca mais o risco soberano e o da banca na Europa serão misturados com as consequências nefastas e dolorosas que temos suportado. Lamentavelmente, a Esquerda e os Sequazes Rançosos do desbocado ao Expresso confundem totalitarismo com disciplina. Não é possível conceber na Europa um sistema político que venha a matar o pluralismo ideológico, religioso, as diversidade de escolhas políticas ou o activismo social, mas é sempre preciso um equilíbrio, não vá o protesto descabelado repelir a economia e o investimento, arruinando as parcas hipóteses e as primícias da esperança. Portugal não vai a caminho senão de uma disciplina nova na gestão do Estado. A essa disciplina, pela qual nos obrigamos, pelos tratados e pelo vínculo a um défice zero, não se pode chamar totalitarismo, mas rigor, previsibilidade, critério e seriedade. Só muito transitoriamente se pode conceber que um Estado sequestre e esmifre os cidadãos; só por razões de extrema necessidade, razões a que nenhum Governo, seja qual for a matriz, escaparia: Portugal tem saída. Portugal tem um rumo. O nosso rumo e a nossa alternativa consistem em fazer de 2014 o melhor ano de trabalho e de cumprimento possível de um défice, cuja meta nos foi imposta. Se não fosse com Passos e a Troika, seria com Seguro e a Troyka ou com Costa e a Troyka. E no entanto, cumprir um défice, constringir dez milhões de cidadãos à exigência de sacrifícios para cumpri-lo seria sempre um facto. Pagar é pagar. Manifestar boa vontade em cumprir é já parte substancial da mensagem e de uma suavização ulterior. Só por escárnio e utopia pode olhar-se a Constituição, em tempos de guerra, como Bíblia rígida não passível de um ajustamento criativo à realidade e aos riscos que todos corremos: sim, todos juraram defender e fazer cumprir a Constituição, mas cumprir a Constituição não pode significar que todos pereçamos, afundando no descrédito internacional pela segunda vez em três anos. Medidas de excepção fazem sentido em tempos de excepção. Não se pode viver num País no qual o bem da Nação se confunde com o bem do Largo do Rato e o que o Largo do Rato bem entende compaginar-se com os seus designios de Poder Exclusivista em Portugal. Não se pode viver num País no qual o nada contra a Nação seja o Nada contra a Nação somente quando os Chupcialistas são Governo e uma chuva de cobras e lagartos e desgraças e fracassos se imputam aos outros e só saem das mãos dos outros. Há, sim, um totalitarismo inerente à deriva por controlo mediático, aparelhístico, línguas de lixo e de crítica que papagueiam quotidianamente o fim do mundo e a falência histórica de Portugal, sem apelo nem agravo. Eles, que faliram com o País, não foram trapalhões nem obtusos. Os outros, sim. Eles que, no tropel obreirista, inauguraram mil e uma estradas quando a parede já se avistava e tropeçaram nos seus próprios pés optimistas e no grande verbo lustroso de encher, eles não falharam. Os outros, sim. Eles, que se desdisseram com a realidade, que fizeram trinta por uma linha até que o default bateu à porta, eles são imaculados. Ora, um dia esta dicotomia ranhosa será superada. Um dia, milhares de portugueses que não se enfronham na politiquice e trabalham arduamente, fora e dentro do País, verão finalmente um Portugal muito mais previsível e menos capturado pelos interesses. Só precisamos de nos organizar.

PARASITAS

domingo, outubro 20, 2013

ANDAM FASCISTAS A PASSEAR NAS PONTES

Infelizmente, é absolutamente vital para o progresso e a liberdade do País que o Orçamento do Estado para 2014 seja aprovado e posto em vigor. Qualquer um, menos o beatífico e parcial Bagão Félix, menos a privilegiadíssima social Ferreira Leite e estafermo mediático, menos o ronhoso Pacheco Pereira, menos o grande emissor de perdigotos Daniel Oliveira, menos a perene indignada Clara Ferreira Alves, menos o alarve castrato Pedro Marques Lopes, qualquer um que não tenha trabalho e não seja funcionário público, percebe o quanto a face do País está na berlinda e suspensa do dinheiro do mundo. Claro que a possibilidade de cortar unilateralmente salários e pensões é uma hecatombe social que deveria ter sido possível evitar lá atrás, no tal passado de que os meus amigos chupcialistas não querem que fale. Vemos que o regime democrático construído desde Abril de 1974 teve demasiada utopia e prisão de movimentos para nos dar o que tem sido dado ao Reino Unido, à Alemanha, à Holanda, à Dinamarca, e mesmo a França, descontando as vantagens da escala dos seus mercados: flexibilidade, menos Estado, libertação massiva de recursos para a iniciativa livre da sociedade. Em vez disso, tivemos um Estado com pendor para cubanizações retóricas e pragmáticas, muito oneroso, permeabilíssimo à influência parda e perturbadora dos grandes captadores ilegítimos dos recursos orçamentais e camarários, como a Fundação Soares, symbolo da máxima obscenização papalista do Regime Português e da mais infecta interferência sistemática e sem-vergonha nos Assuntos de Estado, conforme hoje verificamos ser e ter sido vício e recorrência. Claramente, o OE 2014 comporta injustiças e violência social, mas não há outro caminho. O empobrecimento de que se fala, sendo um facto, pode sempre ser pior se por perda de paciência o País se derrubar a si mesmo, derrubando os delegados de Bruxelas, da Troyka e do FMI. Se queremos preservar a nossa democracia infantil e a soberania nacional, é preciso eliminar o risco de um segundo resgate, é preciso aplacar os Mercados e ter menos rancor e descabelamento de Esquerda. Não há outro caminho útil e de efeitos imediatos apaziguadores dos Credores, senão a nossa submissão aos compromissos assumidos com os nossos credores: os credores, agiotas ou não, têm direitos e, de futuro, só temos de nos preparar para uma democracia não passível de governações dolosas, danosas, de catástrofe como as que vigoraram especialmente entre 2005 e 2011 que depois descarregam o seu ónus pesadíssimo na filha da mãe da Direita. Estou pessoalmente apostado, do fundo da minha miséria pessoal, em passar por reacionário, distraído ou pateta no sentido de aplicar um olhar crítico e insatisfeito às obsolescências da Constituição da República, cujo parto, a 2 de abril de 1976, determinou um excesso de Esquerda na vida prática e, portanto, tal como em Cuba e noutros paraísos do colectivismo, paralisia de movimentos, nenhum progresso efectivo de adaptação a um mundo altamente competitivo e ultraflexível e não apenas nas relações laborais. A Constituição, venha quem vier, obsolesceu e não está preparada para as exigências e inerências dos tratados europeus, da União Europeia e da nossa preservação numa nova moeda, o Euro, patamar de onde nos não convém despencar para o falhanço e a miséria a quadruplicar. Paulo Portas e a ministra das Finanças cumprem o que devem cumprir: o Estado sucumbirá senão contrair os seus gastos. E é preciso contrair 3 mil milhões de euros na despesa, recorrendo desse valor a 2 mil e 200 milhões de euros das famílias dos funcionários públicos e dos pensionistas, enquanto o BES de Ricciardi não se atravessa para o tal período de carência, nas PPP, o verdadeiro busílis da nossa dívida no próximo e pelos próximos anos. Não podemos decretar a abundância de dinheiro, coisa de que o Ratton parece não se capacitar. Do mesmo modo, a saúde, o ensino, a justiça, a segurança social e outros serviços não terão, como que por magia, todos os recursos necessários para funcionar com folga. A vida é isto. A Europa está a ser isto. Estados sob Resgate, como o nosso, ou sem ele, como ainda é o caso da Itália, ficam sujeitos a tais agruras e a tais extremos. Em suma, será com os cortes, os aumentos de impostos e as contribuições sociais que serão evacuados para as mãos creditícias dos que nos emprestam dinheiro 4 mil milhões de euros. Não devemos temer a recessão porque há dinâmicas económicas novas num Estado liberto do lóbi do betão e das grandes obras de Estado que sugavam praticamente a restante grande parte dos recursos. Há que ter paciência e esquecer por uma vez o Estado, o Governo. Os objetivos de défice e dívida são maleáveis em função dos bons sinais que dermos a tempo e a horas aos Mercados e às Instituições Estalinistas Europeias: um Estado sob resgate que tergiverse, que finja boa vontade, mas que engonhe, tem problemas muitíssimo mais gravosos. Sobejam exemplos. É por isso que este OE 2014 deverá entrar em vigor. É por isso que os cortes, estes ou outros, terão de ser feitos. É por isso que nós, as pessoas, teremos de sofrer e acatar e assim, dessa paciência e dessa entrega, teremos recuperação, a recuperação que paradoxalmente e contra todas os agouros do beatífico e parcial Bagão Félix, da privilegiadíssima social Ferreira Leite, do ronhoso Pacheco Pereira, do grande emissor de perdigotos Daniel Oliveira, da perene indignada Clara Ferreira Alaves, do alarve castrato Pedro Marques Lopes, se verificou em 2013. Temos um Regime que nunca plebiscitámos. Temos um Regime que nos traiu três vezes as expectativas de progresso e criação de riqueza, falindo três vezes, com gente chupcialista subjacente a essas três falências. Que Portugal tenha falido três vezes tem consequências. Esta última falência cuja culpa não foi de quem resvalou incompetentemente a governação, mas da filha da mãe da Direita, é o problema com que nos defrontamos colectivamente e para cuja solução nos foram dados três anos. Mais Governo, menos Governo, venha o Primeiro-Ministro que vier, o que temos democraticamente morto e em decomposição é todo o friso de agentes da suposta democracia, dos Partidos à sua casa, o Parlamento, do Tribunal Constitucional e seus habitantes bem atochados de privilégios, à Presidência da República, vértice partidarizado e sempre partidarizável do sistema. O Regime é isto, é mau, e não me recordo que andem para aí uns fascistas a pedir que se demita o Regime. Para levantar a economia, a sociedade e o país é preciso ganhar juízo e assemelharmo-nos mais ao funcionamento de Países com dinamismo, organização e retribuição em função da produção, como o Reino Unido, para onde milhares de portugueses válidos se acoitam e são reconhecidos. Não há Direita nem Esquerda, num OE. Há somente as linhas e limites com que nos temos de coser. A única ameaça ao sucesso do ajustamento e à saída iminente da Troyka provém do Tribunal Constitucional e a rigidez do Estado de Direito democrático se for de Esquerda, se for utopista e idealista, indiferente aos limites e mudanças que ter falido implicam. Dar poder aos credores é o Estado Português tergiversar. Dar poder aos credores é usar as leituras da Constituição como nós cegos às nossas prementes necessidades de tesouraria e liquidez para matar as facturas a vencer no ano do Senhor 2014 . Portugal, depois de ter sido traído pela Cúpula Política, ter sido mal gerido, ter sido miseravelmente governado por imberbes, loucos e fanáticos, corre o risco de entrar no grande sepulcro do ridículo agarrando-se a uma Constituição Datada que nos não protegeu nem salvou de rapaces loucos e sôfregas eminências pardas. Em caso de dúvida, a parte fraca e devedora deve agradar provisoriamente à parte credora, procurando suavizações progressivas de comum acordo, prémios pela boa-fé. Quero viver num País que cumpre. Quero habitar num local que não se pareça com uma Argentina ou uma Grécia nas suas rebeliões contraproducentes. Quero viver num Estado de Direito cujos direitos e liberdades fundamentais incluam o direito à não-falência de Estado, ao não-regabofe de Estado, o direito à prestação de contas por Governos despesistas e de pendor mãos-largas com amigos, favoritista com os banqueiros amigos e as construtoras amigas. Depois do mal feito, será necessário compreender e acolher todos os esforços no sentido de que as nossas condições e perspectivas não se agravem. É nos mercados que o Estado Português se financia. É graças a eles que podemos ter normalidade de vida. É da União Europeia e na sua moeda que dependemos. Havia fascistas a passear nas pontes, ontem. Fascistas de Esquerda, gente que não entende a desumanidade de abusar do dinheiro alheio e da paciência alheia, gente que não compreende a fundo as consequências de não pagar. Não temos sabido desenvencilhar-nos do excesso de Esquerda, da paralisia de Esquerda, das favas contadas de Esquerda e das grandes raivas em pólvora seca de Esquerda agregadas ao emprego que o Estado, mesmo falido, terá de proporcionar. Se vocês, fascistas dolorosos e esbulhados por este Orçamento 2014, imaginam que se resolvem problemas demitindo este Governo e realizando eleições, vão dizer isso aos franceses, aos italianos e aos espanhóis, cujos Governos se preparam, grosso modo, para fazer exactamente a mesma coisa aos salários e às pensões. Nada mais fascista na Esquerda que ignorar o quanto a única coisa que nos oprime, de momento, é pura matemática. A matemática que assiste aos interesses dos credores e nos penaliza a nós. Não há caminhos alternativos. O único progresso é produzir, poupar, empreender, exportar. E sermos livres finalmente a partir do sagrado caminhar por nossas próprias pernas e nosso próprio mérito. E sermos pessoalmente solidários com fica para trás. Contra este mínimo, andam há demasiado tempo demasiados fascistas a passear nas pontes.