DOENTIA CENTRAL DE INTIMIDAÇÃO
Manuela Ferreira Leite não tem falado senão sobre as queixas que muitos cidadãos comuns testemunham na sua vida e observam à sua volta. A chantagem político-profissional está aí, requisitando silêncios, instilando insegurança, construindo desconforto. Louvo o sentido crítico de muitos elementos do PS que não se identificam com o clima que se vai instaurando no país. Entre eles, Medeiros Ferreira. Cumpre-me aliás sublinhar que tem sido para mim, no seu blogue e nos textos do CM, uma bela surpresa de independência e lucidez moderadas. Entre os socialistas que respeito [e, até ver, merece-me respeito e apreço Henrique Neto e António José Seguro...] MF demonstra aquela sensibilidade sábia que faz falta ao País e constrói esperança. Pode ser contido onde outros não podem, mas não deixa de ser oportuno e correcto. Não vejo outra forma de esperança para Portugal senão um regresso lúcido à Ética de Estado e à Honradez na política sob todos os planos e pontos de vista. A fajutice ratazanesca de este Ainda-Poder-PS, uma que chuta para canto as demais vozes plurais, maltrata a inteligência alheia, e vê no contraditório e na contestação directa e deliberada aos próprios pressupostos, não um exercício cívico legítimo e até necessário, mas um 'ataque a si, mera maledicência e negativismo' contra si, não tem qualquer futuro nem merece qualquer crédito. Para passes de vitimização útil e mau entretenimento e teatro, bastou o número de circo de Vital: «Manuela Ferreira Leite denunciou hoje em Leça da Palmeira (Matosinhos) a existência de um “intolerável clima de medo” em Portugal, declarando que os portugueses “têm medo ser escutados ao telemóvel”.“É intolerável que passados 35 anos [de democracia] exista um clima de medo entre as autoridades públicas e os cidadãos”, declarou a líder do PSD, na intervenção que proferiu no encerramento de um mega-almoço comemorativo do 35ºaniversário do PSD, em Leça da Palmeira (Matosinhos) e que juntou, segundo a organização, cerca de 1500 pessoas. Afirmando que “a democracia está doente – e não há democracia plena enquanto os cidadãos não puderem confiar nela e na justiça", a presidente do PSD comparou “o intolerável clima de medo que se vive hoje em Portugal com o ‘antigamente’”. “Antigamente receava-se ser preso caso se discordasse do poder instituído. Hoje tem-se medo de perder o negócio ou o emprego”. “Hoje tem-se medo de retaliações, tem-se medo de falar com desconhecidos, tem-se medo de ser escutado ao telemóvel”, exemplificou a dirigente.»
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