Uma análise atenta da 'democracia' portuguesa permite-nos concluir que a generalidade dos cidadãos é escravizada (precários, desempregados, mal remunerados) por uma classe política autora de um sistema perverso que se locupleta com o seu sangue e os seus sacrifícios. Os mais honestos dos cidadãos são ao mesmo tempo os mais débeis para resistir a todo o tipo de esbulho e dificuldades e, face essas mesmas dificuldades para uma sobrevivência condigna, coloca-se fortemente a muitos jovens a hipótese de emigrarem, o que se concretiza e evita males maiores como por exemplo os males gregos e os males daqueles países, sem vocação de emigração, onde as coisas se assinalam com violência. De resto, a classe política portuguesa, bastante insensível, bizantinesca, entregue a chinesices, e civicamente desligada dos cidadãos, inventou as reformas-benesse, as ajudas de custo à medida dos desejos de gestores públicos nomeados politicamente, inventou os apoios cumulativos, a glutonaria clientelar sobre o OE, toda a espécie de obscenidade e benfícios permutados entre si ao passo que a estabilidade profissional e psíquica é sonegada por toda a vida a um cidadão comum. Esta classe política, que assim capturou o Estado e fê-lo exclusivamente seu e ao seu serviço, também inventou a prescrição que é uma coisa que a protege de males maiores e a faz passar de todas as vezes por entre as gotas da chuva dos próprios problemas e berbicachos. Observe-se a quantidade impressionante de trapalhadas sonoras em que o sr. Sócrates aparece arrolado. Consequências? Zero. Pedidos de desculpa? Quantos forem necessários para adormecer os casos e passar adiante, além dos processos a jornalistas por difamação, sinais e características que nos permitem aferir a falta de nível e de escrúpulos de estes grandes privilegiados no seu mundo intocável. Não se rebelem nem se insurjam, não. Dom Nuno e os filhos bastardos e segundos da Nobreza. Alguém e todos esses explorados, secundarizados nos seus direitos fundamentais enquanto portugueses: «O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Coimbra mandou arquivar o inquérito aberto aos projectos de obras assinados por José Sócrates na década de 1980 por terem prescrito os crimes que poderiam estar em causa.»
1 comentários:
Em fila compassada e ordeira os freeports seguem o caminho dos projectos: o gavetão com essa designação: Prescrito.
Será que Édipo devora mesmo?
Maria Ramalho
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