E ELE DESAMPAROU A NOSSA LOJA

Não, não há quaisquer saudades do PEC 4, mero modo de protelar a cura e de ir enganando o paciente, uma vez que o vigarista alcandorado enganadoramente a primeiro-ministro, Sócrates, vinha sistematicamente garantir risonho, mentindo uma mentira de cada vez, a cada falha ou descontrolo dos números do défice, quantas vezes o disse?, que o PEC em causa é que era, era o tal, o definitivo. Por tudo isso, por esse desgaste da credibilidade socratina, o tal acordo negociado nas costas das Oposições e alinhavado sornamente com os parceiros europeus, esse PEC IV, tinha de ser chumbado porque o PS era há muito uma completa fraude governativa aos olhos externos e internos, há muito não passava de uma fonte de fiascos e não era possível continuar a enganar com números manhosos as instâncias internacionais. Era, sim, e foi, sim, possível enganar os Portugueses com doses massivas de propaganda enganadora, única especialidade das assessorias de imagem e marketing, as quais se convenceram ser eternamente possível vender-nos o rosto, o vestuário, a irreverência insolente, o produto Sócrates. Com o chumbo ao PEC IV, o Primadonna desamparou-nos a loja finalmente, coisa que nos custou imenso alcançar dadas as ventosas com que se agarrara à fatalidade de desgovernar. A seguir veio a Troyka. A seguir vieram as imposições externas negociadas a três. A seguir veio a ajuda externa e as medidas realísticas tomadas que a possibilitaram: havia um gravíssimo problema de sustentabilidade do Estado português, sempre escamoteado e sonegado, e que foi agravado pelos socialistas para além de quaisquer limites do zelo, do amor por Portugal, do respeito pelas gerações presentes e futuras, para além do bom senso, para além da mínima governança, para além do módico mais módico da prudência. A crise das dívidas soberanas veio revelar o veneno socratista, veio expor um modo palhaço, danoso, de estar na política como quem está na gasolineira do bairro. Era fácil falir com ela: bastava, sempre que lhe dava na cabeça, ir à caixa registadora tirar dinheiro para putas, jantaradas onde escorresse champagne entre neblinas de cocaína.

Comments

Anonymous said…
« Era, sim, e foi, sim, possível enganar os Portugueses com doses massivas de propaganda enganadora, única especialidade das assessorias de imagem e marketing»
Sabe como é, a primeira vez que me enganam a culpa é dos outros, mas a segunda, a culpa é toda minha.
Esta desresponsabilização das massas brutas, coitadinhas e ignorantes é muito perigosa e nos leva por maus caminhos.
As massas - que levam a vida a clamar por todos os direitos e mais alguns - têm, em contrapartida, a OBRIGAÇÃO de se cultivar, informar e precaver, porque de Sócrates (o contemporâneo), Neros, Hitlers e Marias Antonietas está cheia a história.
Porque a praga nunca muda aquilo que não é praga e dá fruto tem que tornar-se mais forte e sobretudo mais atento.
E vou mais longe, no que especialmente diz respeito ao povo português: desconfio que não tenham propriamente sido enganados, mas se alguém em Portugal se oferecer para nos adiar a grande maçada de ter que arrumar a casa, esse alguém é sempre bem vindo. No questions asked...
Obviamente não estou a isentar o ex PM de responsabilidades (e as criminais tardam em ser-lhe imputadas, nem provavelmente vão ser) mas se continuarmos cegos às NOSSAS responsabilidades, isto volta a acontecer, "make no mistake".

Virginia

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