O PIAR FINO QUE SE IMPÕE

Uma das coisas mais asquerosas em todos quantos se insurgem contra as medidas de Passos Coelho é a amputação da memória e da coerência. Décadas de democracia mentirosa, despesista e devorista tiveram nos últimos seis anos de socratismo o ápice dessa deriva: seis anos de violência gratuita, seis anos de rapina ao erário, seis anos de desonestidade grosseira, os quais deverão ser investigados exaustivamente a fim de dar lugar a uma inédita, ampla e cabal clarificação de decisões e à mais absoluta transparência lá, onde imperou a ocultação grosseira de actos de governação e o cinismo mais grotesco atentatório dos precários equilíbrios sociais do País, como se vê. Todos aguardamos expectantes as devidas conclusões acerca do Aterro da Cova da Beira e acerca das fortunas pessoais de anteriores governantes como José Sócrates (€ 380M). Aguardamos igualmente a rápida «proibição legal, sem excepções, de serem acumuladas pensões de reforma: Vereador+Administração da Empresa Municipal+Deputado = € 15.000 mês». Exigimos a «proibição legal, sem excepções, de acumulação de ordenados e reformas, como na actual administração da EPUL; exigimos a limitação legal, sem excepções, dos ordenados de todos os gestores do sector público e entidades da sua esfera: se gestores valiosos como Mexia, Fernando Gomes, Celeste Cardona ou Armando Vara fogem para o sector privado em busca de ordenados mais interessantes, nós agradecemos, abrem-se lugares para gente tão boa e seguramente mais honesta do que a dança das cadeiras PSD/PS de sempre tem promovido». Exigimos a «proibição legal de os governantes ingressarem em empresas privadas com que tiveram relações durante os seus cargos públicos, imediatamente após o abandono destes. Exigimos a imposição de limites (por exemplo €30.000) na aquisição de viaturas do Estado: se nos retiram dinheiro para o passe também têm que deixar de andar de Mercedes ou de Audi. Somos nós que pagamos os carros deles, e não aceitamos pagar esse luxo. Na Suécia andam de autocarro e comboio como toda a gente». Exigimos o «fim do privilégio legal atribuído a alguns cargos de adquirirem ao sair do cargo a viatura que lhes estava atribuída por 20% do seu valor de aquisição: a Sra. Vereadora Teresa Mauri da CML levou uma carrinha Mercedes E220 novinha em folha por € 10.000 quando saiu de Presidente do CA do MARL (falido) para ingressar na ANACOM. O seu verdadeiro carro de serviço era um Lancia. Quem pagou € 40.000 da carrinha Mercedes nova da Sra. Vereadora? Nós.» Exigimos o «fim dos prazos de prescrição para os crimes de abuso de poder e corrupção nos cargos públicos: a última defesa de Isaltino Morais, corrupto condenado, aliás já requerida pelo seu advogado. Exigimos que todos os cargos não eleitos no Estado terão que ser preenchidos por concurso público com júris independentes: na Câmara Municipal de Lisboa, à revelia da Lei, nenhum (ou quase) cargo de chefia está preenchido por concurso. Desde Santana Lopes que estão todos nomeados por “confiança política”.»

Comments

floribundus said…
no final da Idade Média os cidadãos de Florença financiavam a cidade

no iluminismo socialista os naturais do rectângulo são contribuintes
«Uma das coisas mais asquerosas em todos quantos se insurgem contra as medidas de Passos Coelho é a amputação da memória e da coerência.»

Na mouche.

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