SEIS ANOS DE DANO E RAPINA

Estou a ouvir Vítor Gaspar. Confio nas suas medidas. Olho para trás e parece-me qualquer coisa de incrível como correram rios de dinheiro para financiar os partidos, correram rios de dinheiro provenientes da UE para "desproduzir", correram rios de dinheiro quando a produção e a riqueza do País colapsavam, eram desactivadas, e o único caminho de que se era exclusivamente capaz passava por mais dívida e mais dívida, mais mentira e mais mentira, ocultação, optimismo alarve e politiquice odiosa. Para os desafios de 2012 os sindicatos não estão à altura, anquilosados por chefias cristalizadas como insonsas estátuas de sal. Os partidos de esquerda, sei lá o que é isso, PS/PCP/BE, não estão à altura e já foram censurados pela fuga à Troyka e a política como mero comentário para-literário e metapolítico, sem qualquer linha de esperança e de alternativa e uma esquerda que se limita a comentar com brilhantismo as contradições do capitalismo já lhe sucumbiu há muito. A nossa falência é iminente, a não ser que o Governo e os cidadãos sejam sérios e resolutos, enquanto o Estado passe por uma quase total refundação, voltando ao mais absoluto realismo dissolvido, aliás, com o 25 de Abril, pelo qual a fantasia entrou na política e se transformou em política, afundando-nos na suas lógicas implantadas de rapina e dissipação. Parte, como que a fugir de nós o TGV económico da Europa-a-sério, verdadeiramente desenvolvida e socialmente justa porque dignificadora dos seus cidadãos. Sendo cidadãos quase falidos de segunda e ficando sob a espada da falência, digamos-lhe, à Europa-a-sério, adeus porque ela seguirá cada vez mais rica e cada vez mais justa, apesar dos seus próprios reajustes e esforços semelhantes aos nossos. Nós ficaremos para trás. O dinheiro de quem roubou fica com quem o roubou. A impunidade próspera dos filhos do socialismo rapace sustentará o gozo de quem o soube abichar contra todos nós. O Estado Português está falido. Quando olho para o que Sócrates fez e foi para Portugal, entre sorrisos e pesporrente insolência, e o contrasto com Passos e com os insultos injustos de que é alvo, num esforço artificial de o equiparar ao pseudo-engenheiro, medito na lógica facciosa e desonesta dessa gente daninha. Eles esburacaram Portugal e ocultaram a Cova em que o enterravam. A desonestidade intelectual é um crime moral e não pode ter perdão. Não haverá descanso enquanto não abrir a caça ao corrupto, ao mentiroso, ao devastador de dinheiros públicos.

Comments

Anonymous said…
Joaquim, não foram 6 anos, antes pelo menos 10.
Sem Economia não há Estado Social que aguente. Ponto. As despesas com o Estado Social aumentam exponencialmente ao mesmo ritmo que as Economias decrescem de vigor. Não há dinheiro para continuar este estado de coisas. 88% dos impostos recebidos são para pagar o Estado Social.

Não há gorduras que consertem este problema. Temos duas hipóteses, ou pomos a Economia a crescer ou temos de cortar nas despesas. Ora se não dependemos só de nós para colocar a Economia a crescer o caminho só pode ser cortar onde se gasta. Estado Social.
Temos pena mas não há alternativa.

A Europa esta desindustrializar-se. Não irá começar a produzir desmesuradamente e a crescer como já cresceu. Sendo o Estado Social um produto da Revolução Industrial e da geração de riqueza, parece mais ou menos óbvio que se não se gerar riqueza, não se pode manter um Estado que tudo pague.
Os portugueses sentem-se enganados, e com razão.
Durante uma crise não seria a melhor altura para cortar no Estado ma sem cortar na Despesa Pública não sobreviveremos.

Desde 2000 que este destino era perfeitamente identificável. Ninguém fez a ponta de um corno. Todos foram uma cambada de românticos que não quiseram enfrentar a realidade. O resultado está à vista.
Vão-nos tirar ao prato na altura em que menos temos para comer, mas a culpa não é da mão que nos tira. É daqueles que, quando podiam e deveriam, nada fizeram. Perdemos 10 anos e agora atravessaremos o deserto, queiramos ou não, custe-nos ou não, não há mais nenhum caminho, podem vir comunistas, bloquistas, marxistas, trotskistas, maoistas, pode vir o Papa que a verdade não muda.
É injusto? Sim.
Há alternativa? Lamento, mas não.
Vai doer? Oh se vai!
E resolverá o problema? Não se sabe.
Há que falar verdade aos Portugueses.

Enquanto foi tempo não se fizeram manifestações e indignações. Andámos todos mansos? Agora é tempo de comer o feno porque não há dinheiro para ração.
Anonymous said…
Não há desonestidade intelectual separada ou diferente da desonestidade de outra natureza.
Desonestidade é desonestidade em toda a linha.

Virginia

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