quarta-feira, janeiro 25, 2012

ESTUPIDAMENTE, ROSA TEM UM CERTO TIPO DE RAZÃO

Mas mesmo quem joga à roleta russa pode tê-la. Pedro Rosa Mendes assina e  dá voz a uma crónica repleta de verdades. E tem fundamentalmente razão. Mas há um problema de fundo que esvazia o seu argumentário repleto de factos consabidos: não se pode hostilizar demasiado aqueles com quem fazemos negócios, já sendo alguma coisa, por pudor, não abundar em encontros e fotografias de família em primeira linha como as de Sócrates com Kadhafi. Ou não fazemos negócios com eles, o que só é fácil quando não precisamos deles. Ou então, se fazemos, não os podemos hostilizar abertamente, mas usar do máximo de pedagogia e persuasão pois o que está em causa é a libertação cívica e a justiça social entre os angolanos, coisa interdita. Não gostamos de ditaduras, mas não é somente Portugal a fazer cedências e a ajoelhar-se: todo o mundo ocidental se inclina e submete à poderosa China e a quem possua o argumento supremo do petróleo, dos diamantes e de quaisquer interesses. A GALP e o Estado Português, por exemplo e para não irmos mais longe, esmagam há anos os consumidores com uma muito sua abusiva e exploratória oleocracia., sem possamos resistir-lhe, nós os que moramos no litoral. Daí que as verdades de Rosa, o moralismo do Rosa, o tom sobranceiro de Rosa contra a sobranceria tonal dos apparatchiks angolanos, ainda que os subscreva ponto por ponto, são um exercício hipócrita e estúpido no actual contexto de carência e encalacranço nacional e são também uma facada nas costas de quem procure construir alguma coisa em nosso próprio benefício. E não falo somente deste Governo, mas das empresas portuguesas e cidadãos portugueses que buscam futuro por lá. Rosa não parece dotado de quaisquer qualidades de diplomata porque ao arrasar com o Regime Angolano, coisa que qualquer um pode fazer sem falhar muito no alvo, arrasa de igual modo, minando-as, as tentativas mediadoras deste Governo em construir qualquer coisa de bom e positivo no plano mais elementar e pragmático. Agradecemos, mas seria preferível essa crónica ter sido expelida a partir respectivamente dos empórios mediáticos de Balsemão, do Joaquim Oliveira ou da Ongoing. A partir da Antena 1 não é suposto, sequer compreensível, que se possa rebentar com os interesses de Estado, com a estratégia económico-diplomática do Estado, fazer e acontecer a partir de um órgão noticioso e cultural sob chancela do Estado. Não me fodam! O revólver tonal e discursivo que Rosa apontou à cabeça tinha uma bala na câmara. Ninguém o obrigou a premir o gatilho.

1 comentário:

Anónimo disse...

Foi um procedimento Kamikaze. E por alguma razão, esses pobres pilotos eram algemados à estrutura do avião-bomba que tripulavam até aos navios americanos: não podia haver lugar a mudanças de ideias, a confortos súbitos ou a salvações à última da hora com um salto para o vazio (também, coitados, não tinham pára-quedas...). Resolveu levantar vôo, arque com as consequências.

Ass.: Besta Imunda