Isto de passar a não haver problemas com vistos e trabalhadores portugueses, ao chegarem a Luanda; isto de não haver represálias do Regime Angolano sobre pessoas que nada têm a ver com jornalistas gloriosos e beatíficos; isto de não haver melindres nem cenas forçadas entre um Regime e cidadãos que vão trabalhar para lá; isto de não ter o justo calado de pagar pelo inocente palrador e o certo pelo errado; isto de os cidadãos que emigram não terem de sofrer o ónus da má consciência do Estado e da péssima gestão dos políticos, é muito simples: basta ao Rosa escrever mais uma crónica acintosa contra o Regime Angolano que paga a milhares de portugueses a vida que levam por lá e tudo deslizará lubrificado com a sua moral superior, a célebre moral do Rosa, o imensamente compadecido Rosa, o Rosa por vezes em Paris, cidade onde cheira sempre ao mesmo tosco conspirativo. Certo é que os 19 portugueses, que à chegada ao aeroporto de Luanda foram encerrados à chave numa sala, onde coincidentemente foram acusados de terem vistos falsos, poderiam ter sido poupados. Devem, aliás, ter certamente pensado: «Mas por que é que o caralho do Rosa não ficou calado? Há-de pensar que estas viagens são grátis?!»
«After he has suffered, he will see the light of life and be satisfied; by his knowledge my righteous servant will justify many, and he will bear their iniquities.Therefore I will give him a portion among the great, and he will divide the spoils with the strong, because he poured out his life unto death, and was numbered with the transgressors. For he bore the sin of many, and made intercession for the transgressors.» Isaiah 53
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1 comentário:
Mário Soares, enquanto Primeiro Ministro ('realista', mas não do socialismo do mesmo nome) disse um dia de Timor: "para quê tentar resolver a questão (legal) do Território? 'Aquilo' está lá muito longe; são apenas um punhado de ilhotas Indonésias". A frase foi-lhe atribuída e nunca desmentida. Depois, quando J.W.Bush pretextuou "Ditadura no Iraque e armas de destruição maciça nas mãos de um louco" para desencadear a bendita guerra de 9 anos naquele país, Soares avançou o argumento crítico de Bush: "dizer que o Iraque é uma ditadura não é suficiente; ditadores há muitos e não vamos derrubá-los todos fazendo guerra". Fora a centralíssima questão do petróleo, estes sábios conselhos, à partida, estão ensopados de bom senso e 'temperança' - mas são completamente incompatíveis com idealismos, esquerdismos, progressismos, comunismos, socialismos, 'liberalismos' e outras coisas que inflamam as mentes e os espíritos quando todos falam fácil dentro de um confortável salão, e em abstracto. O mais irónico é que Soares pertence justamente à categoria de pessoas "cujos ideais republicanos, socialistas e laicos" são geralmente mais do que suficientes para destravar acções, protestos e cruzadas libertárias - mais ou menos a propósito de tudo e de nada que vá surgindo 'no Mundo'. Ora todos estes pândegos contraditórios se têm esquecido selectivamente nos últimos 37 anos de denunciar e apontar os Países que nos vendem petróleo e outros bens como "ditaduras sinistras" - que é o que eles muitas vezes são. Centrar a questão no bendito programa-RTP e em Angola é compreensível por ser próximo de nós e coisa recente - mas não é razoável. Não tardarão a aparecer outros sururus à volta da China - que se prepara para comprar o pouco-Portugal valioso que ainda resta. O Bloco de Esquerda - veja-se lá - já bradou contra a China "por ser uma ditadura"! Ora a China deveria ser exactamente e justamente o modelo sonhado, almejado, choramingado, suplicado e ejaculado pelo BE: regime comunista de partido único; campos de reeducação e de 'tratamento psiquiátrico' para quem esteja 'deslocado da sociedade'; um ideal universal de igualdade; estatização plúmbea e incontornável; polícia (secreta) para caçar dissidentes e 'Inimigos do Povo'... O que está mal na China, afinal, para o BE? o dinheiro?
Angola não é uma ditadura sinistra nem de ontem, nem de hoje: é uma ditadura sinistra, comunista, marxista e venal desde 11 de Novembro de 1975; e contou com numerosíssimos 'criadores' e 'apoiantes' "desinteressados" desde a primeira hora do anti-fascismo selvático do pós-25 de Abril em Portugal: os nomes são conhecidíssimos e não vale a pena recordar. Para os paladinos da Liberdade e súbitos defensores da Democracia, do Povo angolano e da dignidade de Portugal, está-me cá a parecer que o seu mal é algum complexo de superioridade, agora muito ferido: uma espécie de racismo ao retardador, um acordar picados no seu amor-próprio de "conhecedores da verdade". Pois habituem-se.
Ass.: Besta Imunda
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