terça-feira, janeiro 24, 2012

TEMOS PENA, MAS FOI MAU DE MAIS

Sr. Presidente da República, se a mensagem fede, a culpa não é nossa nem do mensageiro. A culpa é da verdade implícita, omitida sornamente para imposturar solidariedade e sabe Deus que outro fingimento sonso. Somos tão diferentes, afinal. Temos, alguma opinião pública, insistido muito neste ponto: o silêncio do Presidente vale ouro. Muito mais agora. Há demasiadas injustiças, demasiada exploração precariedade, demasiados recibos-verdes [roubo grosseiro!], demasiada traição política por décadas a fio para aturarmos, no topo de tudo, as bacoradas ou abébias presidenciais. Calado, Aníbal nem atrapalha nem instaura ruído no esforço colectivo porque motivos há-os de sobra para nos enfronharmos numa raiva tresloucada e patega de Esquerda Parva em relação à realidade com que efectivamente arrostamos, quanto mais relativamente a declarações proferidas sobre as pensões. Três dias depois do que foi dito Sexta-feira, no Porto, não há ressurreição possível. Só o oceano de críticas que se sabe. Dispensamos por isso mesmo o que Cavaco Silva tenha ainda a dizer, por escrito ou de outra forma qualquer 'hábil'. Cavaco não quer eximir-se dos sacrifícios?! Já se eximiu. Há séculos.

2 comentários:

Anónimo disse...

Ainda a propósito de Cavaco e das suas malfadadas declarações, considero com algum desalento a petição on-line de Nuno Marreiros. 'Petir', nesta sociedade de constantes indignados, parece ter-se transformado numa moda. Julgo que a única petição que nos tempos recentes fez sentido foi aquela organizada contra o "acordo" ortográfico; mas ela não surtiu qualquer efeito pois somos um país de analfabetos funcionais apenas com uma pequena minoria que sabe ler e escrever e que, pelos vistos, não se indignou em números e assinaturas significativos. Ainda ninguém - que eu saiba - 'petiu' em números maciços para levar sócrates a tribunal; também ninguém 'petiu' para que ricardo-rodrigues, face à indiferença do PS, fosse demitido das suas funções; também ninguém na altura 'petiu' para que Helena André e o seu algoz-Valter-Lemos fossem demitidos por constantemente mentirem e massajarem os números do desemprego na Ar e nas TêVês; também nunca ninguém 'petiu' para que Alberto João Jardim fosse exonerado - à força - das funções que ocupa e desonra há decénios. Aquando das presidenciais, era escolher entre a tonteira esquerdista do trombeteiro-da-madrugada-Manuel-Alegre e a rigidez, a ambiguidade e a arrogância do professor de finanças Cavaco Silva: para mim a escolha foi crua mas simples. Agora não adianta 'petir' para que o homem se vá embora - pois é inútil. Manifestações chatas de desagrado, isso sim, ele merece. Resta a Cavaco estar calado, efectivamente. Todas as suas desculpas são frouxas e soam a falso. O argumento de que "não queria dizer daquela maneira o que disse" e que "era sua intenção demonstrar que também fazia sacrifícios" não cola. Cavaco teve tempo para pesar as palavras; disse "ter feito contas" (como quem amadureceu a questão ou 'premeditou'); perguntou ainda ao jornalista "não sei se ouviu bem?: 1300,00 Euros!"; acrescentou ainda irresponsavelmente que "não ia chegar para as despesas" (!) - isto tudo sem pressão mediática, sem má disposição conhecida ou sem um ambiente de hostilidade em volta. Conclusão, Cavaco é apenas aquilo que já se sabia: arrogante, ralado com os seus interesses políticos e pessoais, insensível. Para os indefectíveis defensores de Cavaco é preciso fazer notar que o que está em causa não é quanto ele ganha - pois não se deseja ou espera que ganhe pouco; mas está sim em causa a falta de elevação de Cavaco, que não é compatível com o Cargo e com o difícil momento que o País atravessa; silêncio exige-se, pois. É tudo extremamente desagradável e era desnecessário. Mas não espanta.

Ass.: Besta Imunda

Miguel disse...

Realmente foi mau de mais. Tão mau como o «aparvalhamento» (palavra inventada em homenagem ao Mário Soares) da nossa «esquerda», dona da moral e cultura «lusitana».