Sr. Presidente da República, se a mensagem fede, a culpa não é nossa nem do mensageiro. A culpa é da verdade implícita, omitida sornamente para imposturar solidariedade e sabe Deus que outro fingimento sonso. Somos tão diferentes, afinal. Temos, alguma opinião pública, insistido muito neste ponto: o silêncio do Presidente vale ouro. Muito mais agora. Há demasiadas injustiças, demasiada exploração precariedade, demasiados recibos-verdes [roubo grosseiro!], demasiada traição política por décadas a fio para aturarmos, no topo de tudo, as bacoradas ou abébias presidenciais. Calado, Aníbal nem atrapalha nem instaura ruído no esforço colectivo porque motivos há-os de sobra para nos enfronharmos numa raiva tresloucada e patega de Esquerda Parva em relação à realidade com que efectivamente arrostamos, quanto mais relativamente a declarações proferidas sobre as pensões. Três dias depois do que foi dito Sexta-feira, no Porto, não há ressurreição possível. Só o oceano de críticas que se sabe. Dispensamos por isso mesmo o que Cavaco Silva tenha ainda a dizer, por escrito ou de outra forma qualquer 'hábil'. Cavaco não quer eximir-se dos sacrifícios?! Já se eximiu. Há séculos.
«After he has suffered, he will see the light of life and be satisfied; by his knowledge my righteous servant will justify many, and he will bear their iniquities.Therefore I will give him a portion among the great, and he will divide the spoils with the strong, because he poured out his life unto death, and was numbered with the transgressors. For he bore the sin of many, and made intercession for the transgressors.» Isaiah 53
terça-feira, janeiro 24, 2012
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2 comentários:
Ainda a propósito de Cavaco e das suas malfadadas declarações, considero com algum desalento a petição on-line de Nuno Marreiros. 'Petir', nesta sociedade de constantes indignados, parece ter-se transformado numa moda. Julgo que a única petição que nos tempos recentes fez sentido foi aquela organizada contra o "acordo" ortográfico; mas ela não surtiu qualquer efeito pois somos um país de analfabetos funcionais apenas com uma pequena minoria que sabe ler e escrever e que, pelos vistos, não se indignou em números e assinaturas significativos. Ainda ninguém - que eu saiba - 'petiu' em números maciços para levar sócrates a tribunal; também ninguém 'petiu' para que ricardo-rodrigues, face à indiferença do PS, fosse demitido das suas funções; também ninguém na altura 'petiu' para que Helena André e o seu algoz-Valter-Lemos fossem demitidos por constantemente mentirem e massajarem os números do desemprego na Ar e nas TêVês; também nunca ninguém 'petiu' para que Alberto João Jardim fosse exonerado - à força - das funções que ocupa e desonra há decénios. Aquando das presidenciais, era escolher entre a tonteira esquerdista do trombeteiro-da-madrugada-Manuel-Alegre e a rigidez, a ambiguidade e a arrogância do professor de finanças Cavaco Silva: para mim a escolha foi crua mas simples. Agora não adianta 'petir' para que o homem se vá embora - pois é inútil. Manifestações chatas de desagrado, isso sim, ele merece. Resta a Cavaco estar calado, efectivamente. Todas as suas desculpas são frouxas e soam a falso. O argumento de que "não queria dizer daquela maneira o que disse" e que "era sua intenção demonstrar que também fazia sacrifícios" não cola. Cavaco teve tempo para pesar as palavras; disse "ter feito contas" (como quem amadureceu a questão ou 'premeditou'); perguntou ainda ao jornalista "não sei se ouviu bem?: 1300,00 Euros!"; acrescentou ainda irresponsavelmente que "não ia chegar para as despesas" (!) - isto tudo sem pressão mediática, sem má disposição conhecida ou sem um ambiente de hostilidade em volta. Conclusão, Cavaco é apenas aquilo que já se sabia: arrogante, ralado com os seus interesses políticos e pessoais, insensível. Para os indefectíveis defensores de Cavaco é preciso fazer notar que o que está em causa não é quanto ele ganha - pois não se deseja ou espera que ganhe pouco; mas está sim em causa a falta de elevação de Cavaco, que não é compatível com o Cargo e com o difícil momento que o País atravessa; silêncio exige-se, pois. É tudo extremamente desagradável e era desnecessário. Mas não espanta.
Ass.: Besta Imunda
Realmente foi mau de mais. Tão mau como o «aparvalhamento» (palavra inventada em homenagem ao Mário Soares) da nossa «esquerda», dona da moral e cultura «lusitana».
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