ISTO DE PERDER DUAS VEZES
Ontem, a sombra de Queiroz pairava sobre o rectângulo de Copenhaga pois havia no ânimo negro das nossas hostes uma lassidão tão grande que era como se para cada um daqueles jogadores tanto se lhes desse prestigiar a sua carreira com um desempenho denodado e raçudo ou passar a maior parte do tempo com o cu dos calções sobre a relva, como Postiga, mil vezes perdendo a bola, deixando-se antecipar por um qualquer gigante nórdico. Não se viu senão uma imagem pálida do estrelato futebolístico nacional. Em campo, das duas uma: ou não estava ali o melhor onze dentre os convocados, mas só os que se submetem à autoridade de Bento sem sorrisinhos trocistas ou trejeitos desrespeitosos, ou aquele onze teve medo, um terror de correr riscos, aquele susto de se lesionar perante as grossas pernas de destemidos copos-de-leite, susto que faz ponderar toda uma carreira internacional de vento em popa. Ontem perdemos por falta de comparência em campo e foi desolador para o nosso pequeno e residual orgulho. Hoje voltamos a perder. Perdemos a paciência com Queiroz, que ressurge, cheio de moral, ainda a esbracejar contra as moscas e os espectros na sua cabeça de vento e espavento, a saber, Laurentino Dias, antigo secretário de Estado do Desporto, e Amândio de Carvalho, vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Quando os outros é que são dinossauros, o dinossauro só pode ser aquele que os vê: no máximo, são três monstros extintos, inúteis, que já não contam, exactamente iguais na nulidade que aportaram à Selecção, Queiroz, Amândio, Laurentino. Isto dava um magnífico cartoon. Simplesmente, há treinadores que nunca assumem quando falharam porque inventaram, quando destruíram capital anímico, quando representaram um ou dois passos atrás no desenho de um carácter forte, vencedor, ousado.
+%E2%80%94+Pieter+Bruegel+(1564-1638)+%E2%80%94+Kunsthistorisches+Museum,+Viena.jpg)
Comments
nunca perdoaram a Queirós apoiar Cavaco.
no parlamento houve peixeirada com a venús vitorino
estamos fecundados e mal pagos