Domingo, Outubro 02, 2011

SOFRER E RIR COM «LITTLE MISS SUNSHINE»

Quanto mais vejo, mais gosto dos filmes e das actuações de Steve Carell. Impecável em Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos, filme que veicula uma mensagem que guardo há muito e nem sequer foi Proust que ma ensinou, mas talvez Mozart, Beethoven e outros sofredores geniais, mestres involuntários dessa lição de vida: aprendemos quase tudo com o sofrimento e quase nada com a felicidade. Quanto ao filme, ri e chorei como uma criança com a dança de Olive, no concurso de beleza, em Redondo Beach, Califórnia. No final, antes de embarcarem, de regresso a Albuquerque, no Volkswagen amarelo T2 Microbus, Richard abre a porta traseira para acomodar a bagagem e depara-se com o sudário do pai. Afasta-o num misto silencioso de embaraço e homenagem. Nada mais luminoso e simbólico. Não há nada mais exigente e paradoxalmente mais gratificante que o fracasso aceite e superado, arte das artes, mesmo quando uma constante e não um episódio biográfico. Também passa por aí o paradoxo absoluto da derrota convertido e guardado, como um tesouro desconcertante, no triunfo de Cristo

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