segunda-feira, janeiro 16, 2012

GOVERNO PASSOS, A MANSIDÃO DAS RECONDUÇÕES

Continuo a gostar do Pingo Doce e a ter algum prazer num certo escárnio de notícias bombásticas, venenosas, pólvora seca. Quando Passos Coelho, ainda em 2010, contemporizava largamente com o mafioso Sócrates, amparando-lhe as sucessivas e inexplicáveis derrapagens no défice, eu já denunciava por aqui essa táctica PSD contranatura, uma vez que a sacanice exclusivista do socratismo consistia precisamente em cozer em lume brando a ingenuidade dos oponentes, agregando, nesse caso, o PSD ao descontrolo das contas públicas que então se avolumava. Os ressabiados socratistas mentem duplicadamente e não escondo que me dedico a uma certa monitorização do fenómeno fumegante. Pelo Público, muito embora a manchete diga o inverso, fica-se a saber quem é o campeão das nomeações clientelares a doer e quem, pelo contrário, se comporta como um estranho campeão das reconduções ingénuas de socialistas e socratistas no mesmo centrãozolas que transitou do socratismo. O primeiro campeão é Sócrates. O segundo campeão é o ingénuo Passos. Começo, aliás, a desgostar de Passos apenas por ser mole com quem lhe fustiga as costas todos os dias impiedosamente. Ora, o campeão das nomeações nos últimos governos não foi Durão Barroso, com 57 nomeações por semana; não foi Santana Lopes, com 94 nomeações por semana [desconte-se a efémera e minada passagem pela governação!], mas o primeiro Sócrates, com 99 nomeações por semana, e o segundo Sócrates, com 91 nomeações por semana. Sim, Passos Coelho vai só com 37 nomeações por semana sem sinais de que alguma coisa tenha mudado no apetite clientelar agregado ao Poder seja ele qual for. Mas importa sublinhar o grande número de reconduções, 962. Não é que alguma imprensa e algum spin socratista vai cospindo precisamente na mão que o afaga e alimenta?