terça-feira, janeiro 17, 2012

PROENÇA DE CARVALHO, DA RETÓRICA PREVENTIVA

Pode aparecer diante mim munido de chupeta e com o olhar mais seráfico do mundo, Daniel Proença de Carvalho não me convence. Se me vierem dizer que é de Direita, eu digo que tem bolsos de ambos os lados das calças. Se me vierem dizer que ele é verdadeiramente de Direita, eu respondo que não gosto do Mefisto das Beiras ou do Minho ou de quem o agarrar. Para mim, DPC, não conta e o que quer que diga, falha o alvo por ser frouxa a credibilidade. Não é alguém cuja intervenção pública promova a decência, mas sim alguém cujo percurso atesta fundamentalmente o venha-a-si comum à Besta Apocalíptica do Estado Português, o chamado Centrão. Não acredito nos que pregam a decência consoante os ventos. Calados quando um princípio de corrosão lavra no exercício do Poder e isso foi a marca d'água do consulado socratesiano, e se arrogam a largos alvitres, quando o mal está feito. O bem comum não pode ter intermitências como tem para os socratistas e para os acordados do longo sono socratista como o amigo Daniel. Não acredito, da parte de ávidos, absolutamente ávidos, quaisquer pronunciamentos a favor da realização plena da liberdade cívica. Dispensa-se a converseta anacrónica dos "verdadeiramente de Esquerda" e dos "verdadeiramente de Direita". Essa merda, na boca desastrosa dos prostitutos de Sócrates e de toda a massa de sôfregos e maquiavélicos equivale a histórias da Carochinha. Não me fodam! Por que motivo vêm agora esses crápulas [que não viam mais nada à frente dos cornos senão a próxima manobra de diversão a atirar aos media] com a coverseta de encher tipo "política de verdade" e no paleio sectário de "democracia"?! Nós, cidadãos, exigimos simples, pura e dura justiça. Não é uma questão de moralismo que ex-governantes paguem por danos ao presente e ao futuro dos Povos a cujo serviço supostamente estiveram. A única tirania portuguesa é a da impunidade dos maus políticos, a única perversão é que se exilem airosamente sem dar cavaco. Não adianta dourar a pílula: ao falarmos José Sócrates estamos a falar de um problema novo na sociedade portuguesa. O ex-primeiro-ministro está muito além, na malícia com que governou e nos danos que causou, do que quaisquer putativos "assassinatos de carácter" insinuem. Vítima de si mesmo e vitimador do País, não há, no cerco cívico que lhe fazem, enquanto laureia a pevide por Paris, qualquer "moralismo" de Esquerda ou de Direita: o trajecto político do Primadonna é negro e repleto de toda a espécie de suspeições mal esclarecidas. Mercê de mecanismos de ocultação e protecção, os factos que o arrolam passam por difamação e calúnia, passam por mero ódio. Mas são simplesmente escrutínio e exigência cívicas. Não se pense, portanto, que quando Proença de Carvalho salta para o areópago a fim de vir defender o seu cliente oficioso Sócrates é neutro. Não é. Se fala do ódio, sentido asco e pesar votados a Sócrates, fala de um problema e de uma funda suspeição na psique colectiva, pois todos percebem nos sofrimentos presentes a malícia deliberada e cega de um homem absolutamente narcísico e mergulhado na mais desastrosa fantasia política até ser tarde de mais para nós e hora, para ele, do exílio impunitário da praxe. Perguntemo-nos por que motivo Sócrates merecer todo o escárnio, toda a rejeição, toda a execrabilidade e se isso tem Esquerda ou Direita e não patenteia, antes, a noção pungente do grau zero da qualidade humana, cívica e técnica nas mais exigentes funções de Estado. Pergunte-se se é possível conduzir um País segundo as lógicas traiçoeiras das concelhias, os pequenos golpes de Estado dos núcleos, as emboscadas e armadilhas da secção partidária?! Pergunte-se por que motivo fomos tantos a execrar José Sócrates e se estávamos todos alucinados ou, pelo contrário, intoxicados de demagogia e culto personalitário. Éramos muitos a rejeitar o circo e a fraude corporizados em Sócrates: Pacheco Pereira, Mário Crespo, Manuela Moura Guedes, Ferreira Leite, José Manuel Fernandes, Eduardo Cintra Torres, Henrique Neto, Manuel Maria Carrilho. O PS, enquanto se não limpar da tralha socratista, da gente mefistofélica socratista, do núcleo de ávidos técnicos socratistas de hipnotismo mediante tácticas de marketing político e treta de adormecer os cidadãos, esse PS não tem futuro, mas um declínio notório, o desaparecimento, o opróbrio, o nada. Mas como pode o PS limpar-se de esse grupúsculo reles de conspiradores?! Será preciso muita coragem. A indecência socratesiana tornou-se Poder. Esse Poder para si mesmo e por si mesmo, num autismo profundo e numa insensibilidade crassa própria dos desígnios fechados num autotelismo de proventos, corrupções e opacidades administrativas. Não haverá decência sem um cabal apuramento de responsabilidades, sem levar à Justiça todos os Isaltinos, todos os Dias Loureiro, todos os Sócrates que vêm agora com o paleio da decência, dos ideais, da pátria e da cidadania. Não convencem. Numa coisa Daniel Proença de Carvalho tem razão, ao dizer isto «... quem governa é o Governo, que tem de ter condições de governabilidade, e que [o PS] se abstenha de uma oposição caótica, descoordenada, nomeadamente no plano da descredibilização da própria política. Nós estamos a pagar um preço caro, porque hoje bem vemos que os portugueses têm pouca fé nos políticos, houve aqui uma descredibilização geral da classe política, e penso que é muito importante que os políticos tenham credibilidade, e tenham autoridade, e possam governar, porque sem isso não podemos sair da situação em que estamos.»: o grupelho de deputados que desautoriza Seguro, fractura a bancada parlamentar do PS, move-o mais esse desmantelamento da liderança socialista que propriamente a iniciativa de submeter o OGE2012 ao Tribunal Constitucional. Mas essa moção também atraiçoa o País, a Hora gravíssima que nos foi deixada em relíquia pela legislatura anterior, e fere as nossas hipóteses de saída do buraco em que estagiamos. Tendo em conta que esses deputados, com Isabel Moreira à cabeça, são de lealdade socratesiana, estamos conversados.

4 comentários:

Anónimo disse...

Se Sócrates não tivesse reduzido o PS à sua figura, como fazem todos os grandes ditadores, os ataques pessoais não teriam atingido a mesma proporção. É o preço que se paga quando se impõe a submissão. Nunca dantes o PS tinha sido um partido pessoalizado, ainda por cima por alguém que se comportava como monarca absoluto, vingativo, mimado e tirano.

Por outro lado, se a sua vida pessoal não tivesse tantas zonas “cinzentas” não haveria pontas para pegar.

Anónimo disse...

Este Proença de Carvalho não é o célebre advogado dum certo escritório de advogados que fazem chorudos negócios com o estado? Então está tudo explicado: gosta de estar sempre de bem com todos: com Deus e com o Diabo!

Anónimo disse...

o pior 1º ministro foi de longe o Guterres. Foi ele a abrir a sepultura. Sócrates apenas se encarregou que o buraco fosse tão fundo, tão fundo, que seria difícil sair de lá.

Guterres teve uma oportunidade histórica de ter pela primeira vez um superávit das contas: crescimento fantástico dos nossos parceiros e uma embalagem que vinha de trás, dos anos Cavaco.

O Cavaco não sendo brilhante (longe disso), efectuou uma série de reformas, empreendeu obras (graças aos fundos comunitários, é um facto) fundamentais para o País e criou uma dinâmica de crescimento e modernidade sem precedentes. Lembremo-nos que antes do Cavaco, o País tinha saído de uma recessão profunda, e era quase, quase um país do 3º mundo.

O Guterres, do seu lado, conseguiu construir auto-estradas que não servem para quase nada, contratar 200.000 funcionários públicos (o célebre “jobs for the boys”), gastar centenas de milhares de euros na manutenção do preço da gasolina, e atirar o déficit para níveis ingeríveis. Tão ingeríveis que teve de se demitir.

Em 3º lugar, temos o Santana Lopes. o estrago deste,só não foi pior porque esteve pouco tempo no governo. É que nem a Manuela FL quis nada com ele…

Ah, o Sócrates que vocês adoram como lulus de estimação apaneleirados, babando-se em sôfregas chupadelas de boçalidade cacique, foi outra história: em nome de um projecto pessoal de poder e de um total vazio ideológico, sublimou quanto pode o seu complexo de inferioridade e psicose delirante, pagando a psicoterapia pessoal com os biliões da nação. Um cafageste pindérico, sem ponta de capacidade para dirigir uma nano-empresa, quanto mais um país.

Anónimo disse...

Cada partido em Portugal, cada um daqueles que se rendem no Poder mas também daqueles que esfregam o cu pela AR há 37 anos, moldou paulatinamente o Estado e o seu funcionamento às suas conveniências próprias e às suas ânsias particulares de comida. O Orçamento, mesmo de um País pobre, era 'largo' o suficiente; e era a maior concentração conhecida de dinheiro visível e palpável ao alcance das suas manápulas: ir para onde está o dinheiro, eis o velhíssimo truque. A vergonha do constante compadrio - só possível num Estado cujo peso na economia é absurdo e com um Povo débil de Moral e de Educação - é antiga e tem vindo a ser deliberadamente hipertrofiada; a bem do vastíssimo pessoal-das-legislaturas que não sabe fazer nada, nem nunca soube. Proença é advogado (do Diabo?). Segundo 'aquela piada' americana, ele vai para o Inferno - onde todos os advogados têm um lugar especial (se Dante os tivesse conhecido, em vez dos 'benignos' Príncipes, Prebostes, Cobradores, Regedores e Juízes-de-Fora, teria arranjado mais um círculo, mais um nível de negrura e de penas-eternas no seu Inferno). Proença faz em público aquilo que devia estar recatadamente - a bem da saúde pública - exclusivamente dentro de uma sala de audiências. Proença não é um agente da Justiça, não é um respeitável membro dos Tribunais, mas um político - que também é "homem de negócios". Dividir dinheiro, Poder e proventos futuros - eis a questão. É fácil, para mim que sou dado a paranóias, imaginar as estratégicas conversas havidas entre Proença e o seu 'constituinte'. Quanto a mudar leis iníquas, a suprimir truques, artigos e diplomas 'encomendados' propositadamente - jamais sem uma revolução violenta. Não acredito "...na reforma das Instituições, principalmente quando são os seus beneficiários a discuti-la e a decidi-la".

Ass.: Besta Imunda