quinta-feira, setembro 27, 2012

A JUSTIÇA MEDIÁTICA E OS CÍNICOS DO CARALHO

Num País em que a Justiça funcionasse normalmente, em que se cortasse a direito, e não se lhe visse ponta de partidarização, valeria a pena pôr de lado a luta partidária para defender a separação das esferas da política, do Ministério Público e dos Tribunais. Isso tem sido impossível, basta acompanhar atentamente o discurso cínico do hipócrita Pinto Monteiro ou as certezas grotescas de Cândida Almeida quanto à inexistência de corrupção em Portugal. Por isso só nos resta sejam, ou comecem por ser, os media a julgar sumária e abductivamente, por exemplo, António Mendonça, Paulo Campos, Mário Lino, agentes das últimas PPP mais Ruinosas, embrulho bem atado no colo do Governo Passos, e ontem sob buscas policiais. É a nossa decadência cívica e a opacidade de Governos Danosos que determinam serem os media os agentes compensatórios com um outro tipo de Justiça, a Justiça Informal e Instantânea, matando a muito conveniente presunção de inocência, matando igualmente o muito conveniente arrastamento dos processos e só assim perturbando a impunidade e o deboche instalados, rompendo com a igualmente conveniente apologia do silêncio, quando não há sequer arguidos nem julgamentos em curso porque, sim, nem Paulo Campos, nem António Mendonça nem Mário Lino são ainda arguidos. Valha-nos os media. Num País como o nosso, a morte mediática de gente que emporcalhou a política é o mal menor que nivela o facto de a impunidade ser a regra quando se tem milhões para pagar mega-hiper-advogados como os proenças de caralho. As fugas de informação são também um mal necessário contra as estruturas de corrupção que passam ao largo de quaisquer consequências pelos seus crimes. Faz muito bem quem não comente notícias como a das referidas buscas aos domicílios de Mário Lino, António Mendonça e Paulo Campos, evitando corroborar na nossa única forma e no nosso único recurso de Justiça para um Povo Indefeso e à Mercê da Desgraça Colectiva, a justiça mediática. Já quando alguém ousa opinar em meu nome e em nome dos instintos mais corneados da Opinião Pública, por exemplo, a Ministra da Justiça, a propósito dessas mesmas buscas, pedindo rapidez e exigindo o apuramento de responsabilidades, isso faz-me justiça a mim e a quantos se vêm pobres e esbulhados por causa precisamente de políticas ruinosas e processos de saque continuado instalados no exercício do Poder. Quero que se fodam os princípios decorrentes do Estado de Direito se alguém os viola por me vir dizer, através das TV, que, um dos sinais das buscas de ontem, é que a impunidade acabou. É uma esperança que me mantém vivo.

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