sexta-feira, setembro 21, 2012

UMA CULTURA DA BURLA E DO BRANQUEAMENTO

O restrito número de socratistas que ainda ousa bolçar opinião a escudar anos de latrocínio alegre sobre contribuintes e contumaz opacidade deliberada nas contas públicas, atira-se dia sim dia sim a quantos, sendo livres a opinar fora da caixa restrita de facção, regressam ao passado das governações socratistas para bater no Intocável Sócrates. Depois de Pedro Santos Guerreiro ter sido alvo de recente reeducação económica segundo a infalibilidade socratista do PEC IV e do aumento manhoso à Função Pública em 2009, chegou a vez de Luís Menezes Leitão.apanhar com o argumentário encornado do pessoal onanista de serviço. O coitado do homem Luís não tinha o direito de embarcar na tese universal de que Sócrates é o rei dos mentirosos por ter mentido em pleno Parlamento: «Sócrates foi apanhado a mentir no Parlamento sobre o caso TVI e foi imediatamente desculpabilizado pelos seus deputados que diziam que se tivesse ocorrido não era grave. O inquérito parlamentar que então foi aberto, e que podia ditar a demissão de Sócrates, evitando o que ocorreu posteriormente, foi convenientemente encerrado com o acordo do PSD. E ficou provado que mentir compensa em Portugal.». O que foi o pobre Menezes Leitão escrever. Pronto, deu um exemplo de mentira. Haveria mais? Com certeza. Infinitos e sistemáticos exemplos de mentiras. Ora proferidas na missa diária das aparições na TV. Ora em treta-chuva no Parlamento, fugindo às questões directas que lhe eram colocadas, repetindo anúncios tão falsos como falidos. No entanto, para os zelosos defensores do bom nome precário do ex-Primeiro-Ministro, não se lhe pode apontar uma mentira sem se ficar obrigado a listá-las a todas. Tudo quanto se aponte de negativo, nefasto e nefando a esse ex-actor político pertence ao domínio da difamação, da calúnia, do atentado ao bom nome. As escutas que o apanham em conspiração activa e pornográfica contra uma Jornalista e uma Estação de TV, são ilícitas. O conteúdo não conta. E como é que esses zelosos chupadores de calipos justificam que o Burlão tenha dito no Parlamento que não tinha tido conhecimento das intenções e preparativos para o eventual negócio PT/TVI, quando as escutas mostraram que ele falou acerca desse negócio com Vara antes do episódio parlamentar?! Os anais defensores do bom nome precário de Sócrates mostram-nos o caminho: separar os papéis. No papel de Primeiro-Ministro, Sócrates não tinha tido esse conhecimento. Já a título privado, sim, conhecia-o, participava conspirativo e estava ao corrente do que fazer nos círculos empresariais e jornalísticos. Se isto não é ridículo... E pronto, para essa malta que um Primeiro-Ministro conspire contra uma estação de TV é legítimo. O problema é o meio pelo qual se obteve a informação de que, em Portugal, um Primeiro-Ministro ousou negociar, urdir, conspirar activamente pela compra de uma Estação apenas por que se desse uma mudança editorial de um serviço noticioso. O direito à privacidade é outro dos argumentos da malta que lambe o chão por onde o parisiense larga as migalhas comissionistas. Se há coisa que lhes está atravessada são as escutas a Vara. Para quem aprendeu a chantagear e a fugir das próprias responsabilidades e malfeitorias, ter sido apanhado foi a suprema derrota. Na rede de Vara estava a bisca histérica Sócrates. E isso é um problema e um vexame para essa conspícua gentalha. Como se investigação legítima se confundisse com espionagem ou como se Sócrates estivesse isento de qualquer propósito investigativo, uma vez investido de responsabilidades públicas. Evidentemente que se os políticos têm relações duvidosas, relações perigosas contra o interesse nacional, devem ser escutados. A privacidade dos políticos [o que ganham, como gastam, de onde lhes veio a riqueza] acaba a partir do momento em que são investidos papéis que envolvem a prestação de contas cabais ao Povo, às instituições do Estado. Nem todas as conversas tidas ao telefone com amigos expõem uma linguagem chula e intencionalidade ilícita como aconteceu entre Sócrate e Vara. O que é certo é que a indecência prevaleceu. A geometria e a aritmética da impunidade em Portugal atingiram a perfeição com os casos sucessivos de José Sócrates. Nenhum socratista é levado a tribunal. Paris continua deliciosa para aquele que se vê reflectido pelas águas de La Petite Seine para só ver a Burla a Portugal que merece o bom nome, a Burla aos Portugueses que toma os próprios actos ilícitos por difamação, a Burla aos Contribuintes que toma por calúnia as próprias malfeitorias listadas uma a uma. O que foi Luís Menezes Leitão escrever, coitado!

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