terça-feira, setembro 11, 2012

MEDITAÇÃO LAVÁVEL

Há-de vir um dia em que todos os intrujões magnos do Roubo Com Estilo não poderão alegar questões de saúde na hora de expiarem dentro, mas mesmo dentro, longos anos de vertigem e de dolo. A lista começa a ser infinita. Quanto mais roubados, mais sedentos e esfomeados de Justiça? Não os portugueses. Passo os 366 dias possível de um ano a pensar e a escrever sobre isto. Outros passam igual número de dias a suavizar a realidade. Puta que os pariu!

1 comentário:

Anónimo disse...

«Há-de vir um dia»

E enquanto isso, o dia não vem. E nunca virá, enquanto olharmos para ele como um pontinho no futuro.
Isto é uma herança cristã (sorry...) cujas raízes afundam na própria mente do homem. Se a vida é uma treta agora, temos sempre o além, o Paraíso, o Reino disto e daquilo. Enfim: o agora é uma treta, mas um dia há-de ser o máximo. Isso tranquiliza-me e, reconfortado, de palas firmemente coladas nos olhos, posso voltar à minha vidinha da treta.
E de concreto? Nada.
A história da humanidade é uma série infindável de "Há-des" falhados. Por definição, o "Há-de" não existe. O futuro não existe. E o passado também não mexe. Está morto. Sorry to burst your bubble.
Quando aprenderá o ser humano que apenas o presente interessa?
Se agora e já, há centenas que andaram a brincar com o dinheiro dos outros na impunidade mais total, escusamos de pensar que um dia, "hão-de" isto e aquilo.
O caminho entre aquilo que somos/ fazemos e aquilo que gostaríamos de ser/gostaríamos de fazer é onde todos os sonhos da humanidade "crasham".
Enquanto acharmos que "havemos-de", algum dia, e enquanto estivermos entretidos com essa ideia ela não passa disso mesmo: uma ideia.
Temos a coragem de renunciarmos de vez ao "havemos-de", algum dia, e vivermos apenas no presente, vermos a realidade por aquilo que realmente é, sem fugas, sem sonhos, sem ideais, sem projectos, sem nada de nada que nos retire a energia para agirmos, AGORA?
Quando a casa está a arder não ficamos a pensar "hei-de", um dia, ir buscar água para apagar o fogo...
Pois bem, as chamas estão a alastar. Ou isso não é evidente para todos ?

Virginia