3.ª REPÚBLICA OU CORRUPTOCRACIA
«Numa altura em que anda meio mundo à procura de comportamentos suspeitos do outro meio, esta lei parece destinada a virar contra os políticos as atenções que vinham sendo dirigidas para os banqueiros. Na ocasião em que a corrupção é um fenómeno que a muitos preocupa, em que se procuram meios para a combater e em que se pretende liquidar ou diminuir o tráfico de dinheiros, luvas e prendas, a disparatada lei estabelece uma via legal para que o circuito venal tenha curso livre.» Antonio Barreto, Jacarandá Se há leis que pedem um atestado de óbito à 3.ª República, estirada no chão e apodrecendo, é esta do Financiamento dos Partidos. O Poder Político já não nos representa. Segue uma dinâmica própria. Autonomizada do interesse geral. Os cidadãos, anestesiados com a própria irrelevância inculcada convenientemente pelo Poder majestático e absolutista de 'democratas extraviados', confrontados com a grosseira inércia contra si detectada na acção Política, se não reagem agora, aflitos por sobreviver e nisso ocupados, abstêm-se ostensivamente na primeira oportunidade para votar ou votam nulo redigindo insultos furiosos ao Regime precisamente nos boletins de voto. Como a rapina instalada ao mais alto nível está aí e como os Partidos se arvoram a regimes de excepção e se cevam esconsamente, o pico de degradação cívica e social é só uma questão de tempo. Inescapável. Dar-se-á galopante a grande dissolução portuguesa. A crise portuguesa é só um país que morre voluntariamente, condenação que começa pela ignorância promovida e pelos facilitismos estatísticos que nada consolidam e automatizam os diplomas. Primeiro envelhecendo sem retorno. Depois dissolvendo-se moralmente graças à Corruptocracia que pseudo-reforma estrutural absolutamente nenhuma debela. A Corruptocracia portuguesa, aliás, desmoraliza os melhores espíritos. E sai reforçada e robustecida com o perfil berlusconiano de José Sócrates. Portugal acaba a pouco e pouco precisamente graças a coveiros especializados e egolátricos como este. Pobre Povo. Pobre País. Paz à sua alma.
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