PRESSÕES E O PÁRA-CHOQUES RTP


Nas tertúlias de barbearia e nos mini-mercados locais, não se fala noutra coisa: o relatório das pressões já saiu, pelo menos foi preliminarmente divulgado nos jornais, por exemplo, no CM, no JN. Por terem mesmo existido, a podridão percebida no sistema supostamente democrático português percorre os discursos dos reformados, dos ex-emigrantes com quarenta anos de França no lombo, [capazes de operar a comparações curiosas: os jipes de alta cilindrada que assistem em Portugal aos funcionários das Câmaras Municipais nas suas PPP correspondem em França a singelas carrinhas sem pretensões], funcionários e jovens desempregados, vozeando três a três ou quatro a quatro, no sector da fruta, no sector da carne, no sector dos enlatados. Uns, que vêem basicamente a RTP e, aturam a «lambisgóia da Situação e do Regime» que é como se comporta Fatima Campos Ferreira no Prós&Próstatas, e lêem basicamente certos editoriais facciosos, ultrassuperficiais e situacionistas do JN e do DN, ainda dão o benefício da dúvida ao Grande Litigante. Dizem que «teve tomates para afrontar certas classes e tal», mas dizem-no como quem repete o que o ventríloquo quer que o boneco articule porque a ignorância, a superficialidade e os chavões vão funcionando como o resíduo de uma nuvem tóxica, confusa lançada pela agenda ultracontrolada que ASS faz aos media, especialmente da RTP. Outros, porém, ligeiramente mais lidos e observadores, insurgem-se desde logo contra a «pouca-vergonha». Enfim, Lopes da Mota e, muito naturalmente, Alberto Costa, o ministro da 'Justiça' não estão com a vida facilitada, aparentemente. Afinal, com o jogo de varas longas que ambos manipulavam, a Campanha que enegrecia o PM era completamente outra e muito ao contrário, sendo que ingenuamente Câncio/Rangel/Cândida/Pitta/todos quantos simplisticamente defendiam que as pressões eram normais não poderiam compreender que não terá sido somente a intensidade, mas sobretudo a qualidade e o efeito profissional delas a agravar toda a questão, enquistando-a de contaminações e interferências do Poder Político no Poder Judicial. Como que apanhado de surpresa, o PGR terá de começar a empregar outro termo que não 'Romance' quando se referir à matéria freeportiana: Policial? Terror? História da Carochinha? Doninha Fedorenta do Regime? Qualquer vocábulo ou expressão servem. Romance é disfemismo/eufemismo que não colhe nem sossega absolutamente ninguém. Marinará esta questão ainda por muito tempo nos corredores e salões do CSMP? Cheira a crime contra o Estado de Direito e havendo interferências intoleráveis de membros da agremiação governamentalesca, há quem avente que isto deveria originar a demissão imediata do Governo. Mas isso teria de ser noutro país que a si mesmo se levasse a sério. Não neste Portugal, cuja Televisão estatal e outros órgãos de informação avençados e dependentes da cor política vigente, longe de informar e fazer compreender quais os poderes que trazem o País preso e esganado pelos testículos, faz o serviço dúbio de obnubilar a razão recta e bem informada das pessoas. Neste ponto, não há TVI o suficiente para o exercício de vigilância e exigência cívica que incumbem a todos os cidadãos e patriotas que o sejam em verdade: «Também não é de excluir a possibilidade de abertura de um processo-crime [por via de dúvidas, já foi interposta uma queixa-crime pelo Movimento para a Democracia Directa e já está no Supremo*] se os factos apurados no inquérito apontarem nesse sentido, adiantou a mesma fonte do MP, admitindo, contudo, que a abertura de um inquérito-crime às alegadas pressões possa já estar em curso na sequência de uma queixa particular recentemente participada ao MP. O processo relativo ao centro comercial Freeport de Alcochete prende-se com alegadas suspeitas de corrupção e tráfico de influências no licenciamento do espaço em 2002, quando o actual primeiro-ministro, José Sócrates, era ministro do Ambiente. O processo tem dois arguidos constituídos: Charles Smith e o seu antigo sócio na empresa de consultoria Manuel Pedro, que serviram de intermediários no negócio do espaço comercial.»
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* «O processo foi para o Supremo Tribunal de Justiça porque um dos denunciados, Lopes da Mota, é procurador geral adjunto e, por isso, como tem o cargo correspondente a juiz da Relação, o processo tem que ir para a instância superior, ou seja, o Supremo Tribunal de Justiça.» (via Portadaloja).

Comments

antonio ganhão said…
Tu viste as pressões? Viste?...
Luis Melo said…
José Luís Lopes da Mota AINDA é procurador-geral adjunto e presidente do Eurojust. Aliás, fico pasmado ao saber agora que ele esteve na calha para substituir Souto Moura e ser procurador-geral da República (!!).

Tendo sido suspeito de avisar Fátima Felgueiras possibilitando a sua fuga, tendo sido hipótese para PGR com o intuito de "travar" o caso Casa Pia, tendo sido provado que pressionou dois procuradores do caso Freeport... ainda alguém acha que este senhor tem condições de continuar a desempenhar qualquer uma das duas funções que tem? Pelos vistos parece que ainda há... este PS não tem vergonha na cara.

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