sábado, maio 25, 2013

GRÃ-BRETANHA E A OCULTAÇÃO DE CADÁVER

Onde houver dinheiro, aí estará um português, dois ou três. Portanto, Londres! Sempre Londres. Ainda um excelente e único destino de emigração portuguesa, porque paga bem quem trabalhe muito e bem. Vai-se a ver e começamos a sentir mais simpatia pela Grã-Bretanha que pela Alemanha por seguir aquela uma linha de actuação política muito própria, de quem bate o pé aos continentais, de quem desconfia e se demarca das estratégias centralistas do Continente. Percebe-se há muito que a Grã-Bretanha resiste dentro da União Europeia a harmonizações, a acordos, a tratados que politizem o que a economia uniu. Tem [e quer preservar] outros instrumentos, outros caminhos, e, sobretudo, aquele sentido de si que está e sempre aspirou a estar muito para além do Caos-Coisa-Europeia, do seu devir e das suas luas. A Grã-Bretanha está na Europa, continua na Europa, mas resiste à Europa, recusando dar-se de corpo inteiro a este hoje periclitante Projecto Europeu. E porquê? Além de idiossincrasia, dinheiro. Só pode ser o dinheiro. Atente-se neste poderio prodigioso-vertiginoso: só três dependências da coroa britânica, Caimão, Ilhas Virgens Britânicas e Bermudas providenciaram $332,5 biliões de financiamento para a City, a maioria não taxado. Se a coisa vai assim, quem é que quer saber da Europa, das suas metas e angústias e, sobretudo, quem é que quer saber do euro-moeda?! Campeão da ocultação do cadáver-dinheiro, ficamos a saber que o mais importante jogador do sistema global de offshores — livre de impostos e taxas — é a Grã-Bretanha. Ora, com um grande poder-dinheiro vem uma enorme responsabilidade e é preciso ter moral para se ser ouvido e levado em conta.

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