terça-feira, maio 07, 2013

CONTRA O POLITRAUMATISMO DO MEDO

«SOBRE AS PROVAS DE AFERIÇÃO DO 4.ª ANO DO 1.º CICLO DO ENSINO BÁSICO (4.ª classe era mais fácil de dizer) Tenho uma filha que foi hoje para a sua primeira prova nacional, e confesso estar FARTO da parvoeira histérica que se tem gerado em torno desta estória das provas nacionais de aferição. Parece que se estão a mandar as crianças para as minas de diamantes da Serra Leoa. Ou melhor, parece que são os pais das crianças que estão a ser mandados para as minas de diamantes da Serra Leoa (por causa dos filhos?). Sim, é uma chatice ter de se dar apoio às crianças para elas estudarem. Sim, é uma maçada ter de se dar ao trabalho de criar sentimentos de auto-confiança nas crianças: leva tempo e não se consegue com uma ida ao psicólogo ou promessas de refeições no McDonalds. Sim, as crianças têm de estudar e preparar-se, o que é chatíssimo quando se põe a fazer birras e dão uma trabalheira aos adultos que têm (sempre) mais que fazer. Sim, as crianças têm de ir a outra escola fazer a prova e não é o seu professor que está a vigiar a prova: criar a capacidade de autonomia nas crianças é outra daquelas coisas que é uma chatice, pois mais uma vez leva tempo que se podia estar a gastar a trabalhar, a ver 'cenas' no Facebook ou simplesmente a abobrar em frente à TV. E sim, ter filhos é tão giro e engraçado, mas as crianças não são animaizinhos domésticos, ou brinquedos, ou extensões dos nossos desejos: são pessoas, e como pessoas têm de ser tratadas, educadas e amadas. E sim, dá trabalho, muito. Dá-me a impressão que o terror que estas provas supostamente 'provocam' nos filhos é, no fim de contas, um terror mais dos próprios pais em relação ao conceito de 'avaliação' que das crianças. Pais, cresçam, apareçam, e não tenham medo de serem avaliados. Ah, e ao contrário do que li hoje num artigo de um Psicólogo no Expresso Online, ser-se avaliado não implica deixar ninguém para trás: implica preparar futuros adultos a não terem medo do futuro, mal que parece afligir muita boa gente hoje, e que parece quererem passar para a geração seguinte. A minha sugestão é fazerem a todos um favor: acalmem-se, ajudem os vossos filhos a terem capacidade de trabalho e autonomia, a não terem medo. A falha, a existir, deve ser uma oportunidade para melhoria e aprendizagem. E o medo é uma coisa muito, muito feia, ouviram paizinhos?» Pedro Moura

1 comentário:

Maria disse...

Nem mais.Gostei e concordo. Na minha humilde opinião os mídia, como agora se diz, carregam muita culpa na forma como abordam certos temas/assuntos. Extrapolam e envenenam, contribuindo para o nosso afastamento. É pena.