terça-feira, maio 14, 2013

DANIEL, SANCHO PANÇA DE MONCO CAÍDO

Poderíamos estar aqui a inventar a emergência de mutações ideológicas e travestismos opinativos na personalidade do comentador Daniel Oliveira, numa espécie de pirueta mental de 180º. Mas é muito pior que isso. Regra para muitos, não sei se para ele: quando mais mediático, mas nulo e susceptível de licitação. O que se passa neste momento com ele, isto é, com o que vai derramando no Arrastado e no Espesso, é a completa absorção retórica da retórica solipsista que todo o curral socratesiano vem repetindo desde há dois anos nos blogues que a ele-sócrates fidelizaram a cerviz dobrada e o monco caído. Sim, os valupis, os jumentos e os diabo a quatro. Primeiro alvo, e gratuito, aliás: o Presidente.


O lastro socratista insiste em que ele inventou as escutas feitas pelo anterior Governo a Belém, coisa, teoria, factóide que apenas prejudicou o PSD, mas já não interessa para nada a evidência da monstruosa mistificação em que assentou toda a campanha eleitoral do PS, a qual, em 2009, forneceu um segundo take minoritário a um Governo esgotado, campanha empurrada com milhões de euros, com Figos para a fotografia, com planos para o redesenho editorial da TVI enquanto a negrura das contas públicas era varrida para debaixo do tapete de modo assistido, media comprados, para mais tarde nos explodirem na cara, falhanço após falhanço dos números do défice em 2010. Daniel, Sancho Pança mais recente do quixotismo socratista, diz a mesmíssima coisa que os blogues pretorianos daquele, ao ponto de parecer a quem, como eu, o lê que já não lê uma cabeça livre, embora oca, de influxos espúrios, mesmo de rupturas plausíveis e anúncios do Fim do Mundo em Cuecas, mas uma, mais uma-cabeça!, que se limita a derramar obsessiva e repetidamente o mesmo que o anónimo Valupi, para todos os efeitos, um anónimo castrado de qualquer coragem de se apresentar na plenitude da sua identidade, coisa que Sancho Daniel Pança não é, honra lhe seja. Insultar Cavaco e fazer dele o saco de toda a pancada retaliatória faz parte da ementa. Tal retórica enquistada e repetitiva dos prostitutos intelectuais de Sócrates repete que Cavaco, na sua tomada de posse, apelou à revolta nacional contra os sacrifícios impostos pelos sucessivos PEC. Isto foi mil vezes escrito pelos valupis. Ora, Daniel aparece agora a dizer o mesmo, seguindo basicamente o mesmo esqueleto argumentário. Sucede que foi contra muito mais que somente aquele estado de coisas putrescentes e inúteis dos PEC aquilo para que Cavaco apelou. No dia 9 de Março de 2011, apelou contra a Mentira e a Descredibilização do Estado Português [hoje corrigida], apelou contra a Falsificação dos Números [hoje nada se desorçamenta nos Orçamentos], apelou contra os Negócios Ruinosos Sucessivos e Comissionistas [hoje revêem-se as PPP ruinosas do socratismo, não se assinam sucessiva e sofregamente novas PPP]. Apelou, enfim, contra o Amiguismo e o Favoritismo Instituídos como caminho natural do pseudo-socialismo socratista, chuveiro de dinheiro à fartazana a quem [empresas, opinadores, figuras influentes] subsidiasse o Partido, dissesse bem do Partido e do seu supremo líder, consolidando uma forma de absolutismo pelo absolutismo e de perpetuação no Poder mediante a construção mediática de ficções convicentes, circenses, lustrosas, de curto prazo, metesse o Barco Nacional a água que metesse. Hoje, todos, livre e abertamente, podemos votar contra o PSD, punir o CDS, pois não consta que estejam a gastar montanhas de euros com uma equipa de assessores especialistas em treta e maquilhagem e aparecem tão frágeis, tão descoordenados e em dissensão que, dir-se-ia, temos um Governo suficientemente humano para falhar no acessório e cumprir os mínimos que nos salvaguardem de maiores desgraças que as que já abundam. Portanto, Sancho Pança-Daniel Oliveira, auto-evacuado, no papel, do BE, tu não foste apenas capturado para a órbita do Partido Socialista: entraste de cabeça para o antro maquiavélico de um certo Partido Socialista, hoje completamente à margem, marginal e derrotado, acantonado no seu radicalismo ressentido e esquerdista por conveniência. Porquê, pá? Por que seremos obrigados a ver-de debitar o sistema argumentário petrificado dos blogues socratesianos e não o que realmente te apeteça pensar?! Deve ter valido a pena. Mais um Jedi ambicioso que perde a cabeça e se atira todo ao colo do Lado Negro da Força. Eu, que sou uma merda, um lixo, um blogger sem classe, eu, que nem sou de Esquerda, nem de Direita, merecia qualquer coisa menos previsível da tua parte, pá. Agora, além dos teus fantásticos perdigotos tipo gato Sylvester diante do canário amarelo Tweety à meia-noite de Sábado, já sei quem aí te ventriloqua e te automatiza a escrita [sem exorcista] quando calha. Isso não se faz aos amigos, pá.

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