segunda-feira, maio 14, 2012

SINGAPURA É QUANDO PASSOS QUISER

A cultura geral de Passos Coelho não é brilhante, nem o volume de livros consumidos parece efectivamente volumoso, coisa que tem procurado disfarçar com aquela eloquência kamikaze e aquela psicanálise de massas aparvalhante e voluntarística com resultados tão derrapantes quanto desconcertantes. Porém, se conseguisse ser sério e desprendido no essencial, não seria preciso mais. Muito menos seria preciso lábia gesticulatória esganiçada, teleponto de embair, putices de demagogo. Já foi tempo. Pessoalmente, é-me indiferente se o presidente singapuriano a que aludiu existe e escreveu. Onde houver gaffes é porque não há pastilhas, nem teleponto, nem serviço enciclopédico de bolso e de bastidores, coisas com que o filho da puta parisiense empurrou os problemas com a barriga, enquanto queimava toneladas de dinheiros públicos [a assessoria do verbo de encher era competente como um ladrão de Bancos por apanhar]. Torrou-os em omnisciência rasteira e oportunista, escarrapachada no teleponto, tudo preparado meticulosamente por um batalhão caro, formal ou informal, de assessores e opinadores bem pagos que alias só opinavam e funcionavam porque bem pagos para funcionar e porque a histeria e o narcisismo do fils de pute parisien não tinham limites. Hoje, a derrota deles é clamorosa, mas é mais nossa. Tirando uns bloggers teimosos, toda a gente foi a última a saber. Alguns desses assessores, oficiais ou oficiosos, jazem e apodrecem. Outros agonizam, tombam e também apodrecem. O dinheiro não nasce das pedras, a não ser, talvez, das fragas violentadas do Tua. De resto, tal trabalho de sapa seria hoje redundante e frustre. Resta o reduto da matrafona Câncio e pouco mais. Quanto a Passos, achem o que quiserem da sua colectânea de gaffes. Singapura. Katmandu, não lhe peçam a ele-Passos para citar publicações de referência ou autorias de cabeça. Fichas de leitura não são leitura. Por isso aí, cada tiro, cada melro. Nem ele se deixe tentar pela velha arte maldita de andar a entreter o pagode. São velhas pegadas malévolas a evitar.

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