sexta-feira, outubro 19, 2012

UM GASPAR SÓ ACONTECE DE CEM EM CEM ANOS

O que me faz defender a irracionalidade intransigente que quase todos imputam a Gaspar é isto: ele não cede, mesmo se toda a gente [e quem berra insultuosamente mais, no Parlamento, é naturalmente a ala cretina socratista, o Galamba, a Isabel Moreira] julga ter percebido que a proposta de OE para 2013 parece inexequível, excessivamente assente na receita. Gaspar é, finalmente, o anti-eleitoralismo absoluto em forma de técnico. Não se detém com argumentos tíbios e calculistas, como os de Portas. Isso vale ouro. Imaginemos que o resultado deste OE é mesmo a destruição do País, conforme clamam as putas da dívida e os cabrões do gasto faraónico?! Mas afinal, o País não havia sido já destruído e comprometido pelos anos a engonhar e a prostituir eleitoralmente as Finanças?! Vítor Gaspar é o Governo! Ponto. Gaspar é um gigante. Passos um anão. Gaspar resume o Governo. Mostra-se tão obstinado e tão indiferente à psicopatia covarde que caracteriza o cálculo medíocre da nossa Nata Política em Perda que é, não haja dúvidas, o derradeiro milagre nas Finanças do Século XXI. Aliás, Miguel Sousa Tavares não tem moral para beliscar este Ministro que nada tem a ver com décadas de desastre, covardia, dano, responsabilidade aliás que repousa toda nas costas de quase toda a classe política e na cara do batido Portas, que anda nisto há demasiado tempo. Admitamos que a proposta do OE para 2013 parece inexequível, que todos os quadrantes políticos que hoje clamam têm razão: não esqueçamos, porém, que estamos onde estamos por causa da Espessa Miséria Ávida dessa Classe Política, judicativa em causa e interesse próprios. Nada mais raro nem mais urgente que quem mande nada tenha a ver com tal lista interminável de cromos, de mamões, todos, na verdade, todos responsáveis, na acção ou na omissão, por esta bancarrota iminente. Gaspar é o único que, com extrema liberdade, pode ser e fazer o que urja a fim de ganharmos a permanência do Euro sem favores e para que continuemos prestigiados na arena desconjuntada da Europa e a salvo do oportunismo de emboscada que caracteriza os Mercados. Psicopatia política é foder com Portugal e ir para Paris assistir de longe à nossa explosão. Psicopatia política foram estes anos de paleio mentiroso e negócios ruinosos, de dívidas cavadas sem dó nem piedade, atiradas para um tempo ulterior em que os decisores já não fossem decisores. Que melhor sinal de fortaleza que, mesmo perante a admissão de culpa por parte do FMI, Gaspar se conserve irredutível com a parte que nos cabe, sem partir para o confronto, sem quebrar para a negociação de condições mais favoráveis. O FMI venha lamber-nos a mão, grato. Vítor Gaspar está nos antípodas de um Teixeira dos Santos. Um Gaspar só nos acontece de cem em cem anos. Podem vir os Pacheco Pereira, as Manuela Ferreira Leite, toda classe de donos da antena chorar e babar. É uma sorte o Ministro da Finanças não se mostrar em momento algum mais um Ministro Político das Finanças.

2 comentários:

Grego disse...

Apenas por respeito pessoal...sem comentários!

Luis Moreira disse...

Nem mais!