sexta-feira, outubro 05, 2012

CORVOS FLAUTEADOS E ABUTRES PROTESTATÓRIOS

Para Luís Fazenda, o discurso de Cavaco Silva foi um apelo fora do contexto
Tive a azarada sorte de ouvir o inflamado discurso improvisado de Luís Fazenda no Parlamento, pela rádio, e senti um frémito: o homem brilhou. Brilha-se muitas vezes só a escrever e a falar do alto da burra mais indignada. O pior é quando a cabeça social não funciona e o trabalho no dia-a-dia não se faz graças à vida flauteada de deputado. Por isso, protestar eloquentemente não chega. Vociferar com arte e algum engenho também não chega. Por mais que a nossa democracia eleitoral minimalista tenha consagrado sucessivos Governos de Desastre, o Desastre Socialista pela Dívida Colossal e o Desastre PSD/PP Através da Salvação Brutal Dela, para a Esquerda Protestatória, ao menor cheiro de justificadíssimo desassossego nas ruas, o que se atiça são mais labaredas-labirinto do fim do mundo. Em Março de 2011, todos juntos, Presidente, Sociedade Civil, BE, PCP, PSD, CDS-PP, corremos com um Governo-Calamidade, muitíssimo pior que este porque foi ele que nos conduziu às condições que determinam as actuais consequências calamitosas para os portugueses. Há-de, portanto, ser possível, todos juntos, negociar medidas concretas que amputem a Despesa e aliviem a Canga Confiscadora. Por pressão da rua, por pressão consistente do Bloco de Esquerda e do PCP, cujos partidos similares na Europa por alguma razão se vêem por sistema arredados dos Governos, há-de ser possível pressionar os vícios deletérios e indeléveis de PSD e PS no que respeita ao enraizamento parasitário das suas clientelas no Aparelho de Estado. Então por que motivo, para esse peditório, para sugestões dessas, o PCP e o Bloco não parecem disponíveis?! Não é à toa que, em vez disso, as greves na CP e outras greves avultem pela sua crassa imoralidade e desajuste desigualitário em tempos onde está em causa o mais básico das condições gerais de sobrevivência e normalidade. Depois de em Março de 2011 termos libertado Portugal do bando de aldrabões, incompetentes, oportunistas, insensíveis, vendedores da banha da cobra e vendidos aos interesses pessoais, com vida flauteada em Paris, a maior gatunagem e devastação de que há memória neste País, importava não hostilizar a Troyka para no fundo apenas flanar o caminho da chantagem primária e ridícula de um pequeno País sobre os directórios europeu e mundial, quando se diz «Não pagamos!». Também não vale a pena encarreirar na perfídia em que consiste o lado impostor-contestatário e impostor-inconformado da ala socratista, hoje muito à Esquerda, ao faro de quantos erros e aselhices o Governo Passos cometa que os absolva nas suas responsabilidades criminais e criminosas pelo estado a que Portugal chegou. Percebe-se que, com as moções de censura de ontem, BE e PCP reduziram o Partido Socialista à sua ambígua e minguada condição de Zero à Esquerda. E está certo. Se o Bloco de Esquerda crescer à custa do PS, está, estará sempre certo. É justo. Um Partido da Bancarrota só pode ter dado o que tinha a dar. Ainda por cima, se ainda há Lellos a bolçar opinião nas TV, mais se confirma estar certo que o Bloco de Esquerda cresça à custa do PS. E se um Paulo Campos vem para as TV sorrir e confirmar os caminhos desastrosos das decisões dos dois Governos Sócrates Mega-Gastadores, só pode ser divino, escrito nas estrelas, que o Bloco de Esquerda cresça à custa do PS. Se, em virtude desta crise, nascer em Portugal uma espécie de Syriza que absorva e extinga o PS, é uma bênção que esse Syriza cresça à custa do PS. Quem hoje no PS, a ala alarve e rapadora do costume, está indignado e descrente no Seguro, apenas nostalgia uma fase sacana da política portuguesa, onde tudo era possível graças à tecnologia da manipulação das massas e do momento mediático. Isto com o soundbyte certo e a omnipresença intrujona de um actor espetado nas TV todos os dias, andaria imundo pelo melhor dos mundos possíveis.

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