sábado, outubro 06, 2012

O INCRÍVEL FACTÓIDE MENDAZ

Chega. No plano do reles político-partidário, há quem tortuosamente tente separar-se de quaisquer responsabilidades pela situação geral comatosa do Estado Português, atribuindo ao eixo governativo a exclusividade pela opressão a nos submetem. Mas o Governo Português, como bem se percebe, já só se confina ao Ministério das Finanças. Não há Governo. O Governo é Vítor Gaspar. Esse é o último e único reduto do Estado Português, onde se jogam todas as cartas do pagamento da dívida excessiva, dos monstruosos juros dessa mesma dívida excessiva e monstruosa, bem como da redução mirífica do défice. Quem se posiciona, pois, confortavelmente de fora, retirando o corpo das responsabilidades pela falência colectiva?! A ala sabuja e mendaz do PS, cuja agenda de Esquerda Postiça todos percebem pelo que vale e pelo que é. Falam e falam de Esquerda como um ateu de Deus, escamoteando o abismo aberto por eles que afinal nos não deixa opção politica diferente. Na última disputa eleitoral, era uma ambígua verdade o que o PS-Socratista anunciava acerca dos planos subjacentes ao Passismo: comprimir o Estado Social, degradar ainda mais a segurança no emprego, submeter os cuidados de saúde aos princípios gerais do racionamento. Mas, pelas mais diversas razões, essa foi a herança do socialismo gastador impudente e imprudente. É também aquilo a que assistimos na Europa: precisamente à morte e à compressão das valências do Estado Social tradicional, coisa que não parece derivar de um plano cruel e insensível dos diabos de Januário, mas de uma lógica aritmética absolutamente compreensível, senão no imediato, no médio e longo prazo. Percebe-se esse recuo num contexto de recessão demográfica e económica. Compreende-se ainda mais num outro de pura depressão, ambiência já palpável em cada recanto das nossas cidades. É sintomático que os nossos políticos fujam de se misturar ou confrontar com multidões. Não deveria ser assim, mesmo neste contexto altamente volátil, em que o insulto e o desejo de sangue aflora aos lábios e ao pensamento de modo redobrado e irreprimível, quer pelo legado, quer pelo extremismo das decisões confiscatórias. Foge quem tem a temer. Foge quem deve, anos e anos alapados e dependentes do Regime e da engorda fácil nele. Mas lembre-se que ainda há entre nós quem tenha as mãos absolutamente limpas de traição ou abuso ao Povo, o único capaz de unir os Portugueses pelo vínculo do amor a Portugal e da dedicação ao bem comum: Dom Duarte de Bragança. A extrema violência portuguesa até aqui esparsa, paroquial, covarde sobre fracos, sem alvos bem focados, pode transmutar-se em tensão social bem dirigida. É quando o ódio passa a ter um alvo bem definido e que pode passar por se fantasiar um crime público, forma de catarse de um mal tão radicado e radical, uma fome tão desesperada, confinamento da desesperança, que, como no passado, pode materializar-se no premir de um medonho e impensável gatilho. Quem pode pois atrair sobre si um ódio tal que simbolicamente atinja o Regime, os privilégios adquiridos, a obscena insensibilidade das cúpulas e divórcio da Aristocracia Político-Oligárquica? Não faltam alvos primários e secundários. O nosso cansaço de todos os cromos repetidos da política rançosa, do comentário datado e rançoso, do sindicalismo rançoso materializou-se serenamente, sem excluir ninguém, a 15 de Setembro último. Será assim, espontaneamente, que um dia talvez em breve aclamaremos o nosso Rei, não por ter a retórica maviosa, masturbatória e pseudo-sedutora de um Charlatão Filho da Puta, mas porque se apresenta na sua nudez humana, na sua simplicidade de Português ao serviço dos únicos Soberanos, os Portugueses. Em Setembro protestamos porque a Política e os Políticos, os Sindicatos e os Sindicalistas, os Partidos e os seus Militantes, representam-se a si mesmos. Não nos representam a nós. As massas hoje chantageadas por todas as formas e lados, massas cujo Fórum Agregador é o Facebook e cuja Pátria é esse Portugal Inaudito que nenhum político entende e com o qual não comunica olhos nos olhos, essas massas não exercem chantagem. Exibem a rejeição definitiva do actual modelo opaco de Regime, bom para parasitas, fantoches e corruptos, bom para Soares e quejanda prole de gananciosos, mas péssimo, devastador, para nós. Não há ameaça nem medo que atinja os que perderam tudo por não poder escapar ao IMI para cumprir o IRS, nem escapar ao IVA para cumprir o IRC. Não é por acaso que mesmo os próximos sacrifícios que nos conduzirão a um estado piorado e catatónico são entendidos pelos gregos. O que gregos já não toleram nem aceitam é impunidade dos que, no passado recente, exercendo actividade política, enriqueceram pessoalmente. Mais, muito mais que os sacrifícios, é a impunidade e a desvergonha que se afigura como muito, muito perigosa como reagente e catalizador de uma explosão social. Passos não oprime de Fisco toda uma Nação para seu prazer e proveito. Sócrates endividou-nos até aos quintos do caralho e por mais anos que vegete não esgotará todo o proveito que tirou dessa sanha insaciável. Fora da Troyka e do Euro, antecipa-se para nós um inferno muito pior de regressão económico-financeira rumo a um empobrecimento intolerável. Resta lutar contra a despesa remanescente do Estado e pensar-agir sobre o que fazer com o PS, com os seus inúmeros ricos ilícitos. Como dar satisfação ao clamor das ruas, cego à ideologia, atento aos dissipadores e à intrujice?! Na verdade, o PS não está em condições para exercer oposição, mas de ser submetido a um escrutínio milimétrico sobre quanto de danoso antecedeu o que vivemos. Que um Zorrinho fale ou um Galambóide apostrofe umas coisas cheias de Tesão Impostor de Esquerda, ou um Sérgio Sousa Pinto estilize uns Exercícios Anais Sinceros de Esquerda, tudo isso equivale a tiro de canhão no próprio pé. Tiro no pé de um partido sem pé para a realidade e para a justa noção do seu passado daninho ao País. A oposição do PS, feita pelo PS, é, portanto, o tal incrível factóide mendaz.

1 comentário:

Floribundus disse...

esta republiqueta é um protectorado da Troica
Gaspar é o executor
felizmente para nós