ODISSEIA DOS LIXOS

É ainda longo o caminho que falta percorrer para a sustentabilidade, até que o circuito-ciclo dos lixos se mostre controlado e a necessidade de aterros muito menor. Caminhar para um mundo mais equilibrado nesse ponto só ocorrerá graças à activa participação consciente dos cidadãos. Não há outra saída senão a tradução da cidadania nesses mínimos de cooperação com o ambiente e as estruturas que por ele zelam. Obviamente que há sempre quem considere redundante pagar impostos e executar a própria parte na separação doméstica dos lixos, mas a pergunta que se coloca é: «O que é que custa separar e o se ganha com isso?» Imenso. Sem disciplina ambiental e respeito pela natureza não é possível evitar o declínio do bem-estar geral. Na verdade, vale a pena zelar pelos recursos comuns e ter cada um a sua quota de responsabilidade a fim de que o nosso mundo conserve traços mínimos de casa comum, onde cada qual se sente bem porque mais um seu jardineiro responsável e enamorado por ele: «Cada cidadão europeu produziu, em média, 522 quilos de lixo durante o ano de 2007. O português produziu um bocadinho menos, 472 quilos. Mas apesar dos esforços de sensibilização, 42 por cento do lixo europeu continua a ir para o aterro. Apenas 22 por cento é reciclado, segundos dados divulgados hoje pelo Eurostat. Portugal utiliza ainda mais os aterros, para onde enviou 63 por cento dos seus resíduos sólidos urbanos (RSU). Dezanove por cento foi incinerado, oito por cento reciclado e dez por cento reaproveitado através da compostagem.»
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