PORQUE PORTAS CORRE COM GOSTO
Já sabemos que o PP, isto é, Paulo Portas, está prestes a ser governo coligado com o PS relativo que poderá emergir (esperemos que não, nem relativo nem novamente absoluto) do próximo sufrágio de Legislativas. O que não sabíamos era que o populismo mais oportunista lhe subiria à cabeça ou lhe surdiria da manga a torto e a direito. Como um sarampo de última hora, há governação na cabeça de Portas e ele corre com gosto a fazer sombra à gestão em piloto-automático presente. À governação prometida, ele corre, portanto, e mostra serviço perante um governo extraordinário a plagiar. E corre com tanto gosto que, por vezes, temos a sensação de que expende medidas com mais acerto que o próprio governo vazio de elas e sem acção ou reacção pró-activa contra a Crise e os desmandos de Pandora entretanto à solta. Esta medida, porém, do subsídio de desemprego pago integralmente ao criador do seu próprio emprego soa a perigosamente esquisita, voluntarista, irrealista e facilitista, num país de espertos e devoradores de recursos à primeiro oportunidade. Portas é um aluno obediente e esforçado. Todos, Alegre, Portas, todos, vêm comer à mãozinha hegemóncia e absoluteira de José Sócrates, o Caudilho errado que nos demos: «O CDS-PP propõe, num diploma que será debatido na quinta-feira no Parlamento, que o subsídio de desemprego seja entregue de uma só vez à entidade empregadora que celebrar um contrato de trabalho sem termo com um beneficiário.»
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