TÍTERE BARROSO SOB INDEFINIÇÃO


O Fabuloso Exilado, Durão Barroso, poderá ver trocadas as voltas à sua recondução na presidência da Comissão. Em boa verdade, a sua mercenária transumância para um desígnio europeu súbito, em detrimento do Governo de Portugal para que fora eleito, redundou numa coisa absolutamente parda e irrelevante por vezes embaraçosa, pelo menos a um português orgulhoso e com o carácter belicoso de um Albuquerque não talhado para servilismos. Tantas vezes moço de fretes entre o Alemão e o Inglês, aprendiz de butler entre o Russo e o Belga, mero caddy ou caddie para o serviço de Bush e Sarkozy, espanador de Aznar ou Zapatero, enfim, suma mascote dos líderes dos grandes países, algum dia teria de chegar em que já não servisse. Nunca precisara de ter carácter e ser incisivo, nem precisara sequer de liderar propriamente. Coordenar por concessão limitada o que lhe consentiam coordenar era o que lhe incumbia. Por isso, a perda é mínima. Era, ainda é, um serviço de pura intendência simbólica. Agora o problema é, como o põe JG, se essa coisa politicamente venal e humanamente inimitável tiver de regressar e renivelar as suas ambições, como um Sebastião encervejado, ao pior Norte de África possível: o governo de Portugal. Nem é bom pensar nisso, tendo em conta a boa cooperação dada na sua função honorífica ao Grande Escaqueirador em Passerelle Ominosa de um País que há quatro anos era muito mais decente, saudável, respirável e minimamente frequentável. Arranjem lá um aquário europeu para esse Cherne, que bem o dispensamos: «A França lançou uma dúvida sobre o calendário para a escolha do futuro presidente da Comissão Europeia, o que pode indiciar que a escolha de Durão Barroso ainda não é um dado adquirido. Esta interrogação foi lançada pelo Presidente francês, Nicolas Sarkozy, ao defender durante a cimeira europeia de Bruxelas que a escolha do futuro presidente da Comissão, que iniciará funções a 1 de Novembro, terá de esperar pela realização de um novo referendo na Irlanda ao Tratado de Lisboa – previsivelmente no Outono. [...] Por outro lado, o facto de Sarkozy falar de “candidaturas”, pode ser interpretado de duas formas: a existência de outros aspirantes à Comissão, ou, em alternativa, o regresso à sua velha ideia de realizar um “pacote” de nomeações entre a presidência da Comissão e os dois novos cargos que serão criados no Tratado de Lisboa – presidente do Conselho Europeu (as cimeiras de líderes) e alto-representante para a Política Externa da UE – em função de critérios políticos e geográficos. Os dois casos criam uma situação nova que poderá fragilizar a posição de Barroso. A nova tese de Sarkozy contrasta igualmente com o seu tradicional apoio entusiástico à continuação do actual presidente. Nos últimos meses, no entanto, Paris tem dado sinais claros de impaciência face ao que considera a timidez da reacção de Bruxelas à crise económica e financeira. De acordo com um diplomata europeu, a ideia de esperar pelo referendo irlandês corresponde à posição que tem sido defendida pelo chanceler alemã, Angela Merkel – que, nos últimos meses, se distanciou de Barroso devido, ironicamente, à sua excessiva proximidade do Presidente francês, numa altura em que as relações entre Paris e Berlim atingiram um pico de degradação.» E pronto, talvez Merkel e Sarkozy façam as pazes com a cabeça de Barroso! Seria tão cómico.

Comments

antonio ganhão said…
Essa do espanador foi boa.

Mas sabes que por vezes muda a corte, mas o bobo sobrevive. Vivessemos nós bos tempos dos egipcios e coisa seria diferente...

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