terça-feira, fevereiro 28, 2012

A ADRENALINA DA GREVE PARA PATOS APÁTICOS

Daniel Oliveira entrou em taquicardia com a entrevista de Diogo Feyo, eurodeputado do CDS, ao "Público". A verdade é que o Governo não tem alternativa ao acatamento da austeridade ditada externamente. Os políticos que nos deram o optimismo assassino e vácuo não nos deixaram outra saída. Desobedecer à austeridade é descarrilar antes da luz ao fundo do túnel. Mesmo de sindicatos com décadas de defesa, antes de tudo o mais, dos privilégios da elite dirigente sindical e só muito depois dos direitos fossilizados dos trabalhadores ou da criação de riqueza e produtividade nas empresas, não se pode esperar absolutamente nada senão o que o Fóssil Arménio espingarda sob a espora de um ou dois cafés loquazes. O Daniel quer o laxante do conflito, do contraste e do dinamismo social e intelectual, paralisando o País como combate ao laxismo?! O mais certo é que, no mínimo, passemos fome alegremente durante o processo e, no máximo, sejamos despejados por falta de pagamento do aluguer da casa. A luta está boa para quem tem dinheiro, para quem não tem filhos a cargo e ganha a vida sentado a garatujar artigos libertários, moções anacrónicas e paralíticas para o Espesso. O contraditório, o conflito e o pluralismo são coisas liriquistas quando o básico ameaça colapsar, quer corramos quer fiquemos quietos. O problema não é a putativa promoção que o Diogo Feyo parece fazer à apatia e crédula submissão geral ao Governo. O único problema é trocar cidadãos apáticos com pão na mesa por cidadãos frenéticos, mas esfomeados nas praças; trocar trabalhadores apáticos com trabalho por trabalhadores frenéticos nas ruas mas sem trabalho; trocar estudantes apáticos com esperança por estudantes frenéticos sem futuro. O mesmo com intelectuais, cientistas e empresários. Entre o pântano sem fome e o pântano da mediocridade activista e cívica que nos atrasou durante décadas, escolho ter o que comer e ter o que dar de comer às minhas filhas. A única luta é trabalhar mais, é inventar trabalho para todos e criar riqueza antes de vociferar contra a lei da gravidade com petardos, cocktail molotov e a tirania dos piquetes sornas.

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