segunda-feira, junho 17, 2013

DA LAMA

Se Sousa Tavares ousa exarar em texto merdas inexactas e cretinas como as seguintes citadas, não pode ter como amigo o comentador merdoso dominical da RTP, o qual do ponto de vista estritamente político não se fatiga de ser o refinado Homem-Merda. Só um País sem vergonha tolera corruptos, sujos, toldados e manipuladores, como se não sofrêssemos todos, hoje, aqui e agora, as consequências da sua acção abominável no passado: «Só uma classe que recusou, como ultraje, a possibilidade de ser avaliada para efeitos de progressão profissional – isto é, uma classe de medíocres reivindicam o direito constitucional de ganharem o mesmo que os competentes – é que se pode permitir a irresponsabilidade e a leviandade de decretar uma greve aos exames nacionais. Nisso são os professores exemplares: transmitem aos alunos o seu próprio exemplo, o exemplo de quem acha que os exames, as avaliações são um incómodo para a paz de um sistema assente na desresponsabilização, na nivelação de todos por baixo, na ausência de estímulo ao mérito e esforço individual. Mas a greve dos professores vai muito para lá deles: reflecte o estado de espírito de uma parte do País que não entendeu ou não quer entender o que lhe aconteceu. Deixem-me, então recordar: Portugal faliu. O Portugal das baixas psicológicas, dos direitos adquiridos para sempre, das falcatruas fiscais, das reformas antecipadas, dos subsídios para tudo e mais alguma coisa, dos salários iguais para os que trabalham e os que preguiçam, faliu. Faliu: não é mais sustentável. [...] Se alguém conhece uma alternativa mágica em que se possa ter professores sem crianças, auto-estradas sem carros, reformas sem dinheiro para as pagar, acumulando dívida a 6,7 ou 8% de juros para a geração seguinte pagar, que o diga.» Miguel Sousa Tavares, Expresso, 15 Junho 2013

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