terça-feira, junho 18, 2013

POUPAR NA PONTA DOS CORNOS

O conceito de poupança inventado pelo Governo Passos diz respeito a todo o tipo de renegociação de problemas, contratos swap, parcerias ruinosas em que o Estado Português se meteu através de outros Governos: não é nada bom para Portugal no seu conjunto que o Estado Português perca a face. Nada pior que perder a face. Toda a gente se escandaliza justamente com o facto de para a Banca Nacional e para a Banca Exterior este Governo ser todo cumprimento do apalavrado e assinado, lealdade e pezinhos de lã, sendo que depois não poupa ninguém à voragem dos cortes especialmente no funcionalismo público, mera intenção para a qual é preciso colhões de aço. No meio de todas as dificuldades que atravessamos, tento pensar que quanto se fizer no sentido de dar aos compromissos com a Banca Nacional e Internacional o respeito que [não!] merecem nos poupará a desgraças maiores, mas o certo é que no que ao funcionalismo público diz respeito está a nascer todo um admirável mundo novo: rasuram-se regalias, abre-se uma guerra com o Tribunal Constitucional que é uma espécie de última barreira entre o Estado e os detentores dessas regalias, os sindicatos saltam a terreiro na defesa do seu torrão, pode o País desmoronar, e vêm as avoilas, vêm os nogueira e vêm os outros. Toda a obsolescência e o parasitismo que as décadas acalentaram e pelas décadas engordaram tornaram-se posto de vigia face a uma ameaça real. Jaz no pó o tempo em que as amplas liberdades eram amplas formas de falir com o País muitas vezes. As vezes que fossem precisas para manter regalias e um admirável mundo à parte. No meio do nosso sofrimento, estrebucham os boys, esparramam-se em espasmos as girls dos partidos do Arco da Bancarrota, décadas a infectar tudo em que o Estado tocou. Não me admiraria nada que Portas se atravessasse pelo refugo do funcionarismo público agregado aos partidos, aliado a Seguro, aliado a Mário Nogueira, aliado ao fóssil Arménio, que deve estar de férias a preparar a próxima Greve Geral à Greve Geral. O sistema das bancarrotas está a ver se derruba um Governo. Boa sorte, rapazes!

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