segunda-feira, junho 17, 2013

EXAMES DO CAOS E DA DESIGUALDADE

O caos e a desigualdade fazem o seu caminho pelas escolas de Portugal. Há um crescendo de choque e pavor entre alunos e pais, entre a perplexidade e a divisão. A melhor leitura do que se está a passar na função pública e da luta perdida que se trava é que se trata de política, só política. Chegámos a um ponto em que a Troyka nos aponta um caminho incontornável: romper contratos sociais, despedir, colocar na mobilidade, mudar regras. A desigualdade é um dos frutos mais amargos e fatais do egoísmo das corporações, da deriva corrupta por que se tem pautado o Estado Português, espécie de Grécia ultragarantística à nossa escala. A gula dos partidos extinguiu e absorveu as melhores e mais generosas energias da cidadania e hoje, perdidos os anéis, é tarde para tentar salvar os dedos. O Governo está encurralado na necessidade de mostrar docilidade e lealdade para com as exigências internacionais de sustentabilidade do Euro. Do outro lado da barricada, o que preconizam alguns intelectuais de destruição e do denegrimento raivoso do Governo, sem contextualizar o caminho que nos trouxe aqui: simplesmente o bloqueio. Dizem que igualitarizar o sistema privado e a função pública será romper com contratos e garantias, com direitos e condições sob o argumento de que não há dinheiro. Nem dinheiro nem responsabilização directa e pessoal dos decisores ruinosos do passado. Por mais chocante que isto nos seja, não seria boa política para o prestígio de Portugal que o Governo anunciasse aos quatro ventos internacionais, à banca internacional [que tudo financiou aos governos socialistas] não haver agora dinheiro para pagar o contratado. Não haver dinheiro para as PPP rodoviárias, para os contratos swap, para as dívidas contraídas sob o sorriso cretino do optimismo. Desde o princípio, alguém teria de as pagar.

1 comentário:

Anónimo disse...

O caro bloger destila contra uma "Esquerda Dormente e Fóssil", uma "Esquerda Demagógica e Oportunista", etc. Só lhe falta dizer que a culpa de estar "a maior parte do tempo em casa" é deles. Assino um apartidário que tenta ver da esquerda à direita!