sexta-feira, junho 07, 2013

PARA QUÊ RESISTIR À GUILHOTINA SWAP?!

Não consigo ter demasiada compaixão pelo presidente da Carris e Metro de Lisboa, José Manuel Silva Rodrigues, um resistente à demissão do cargo, exigida pelo Governo, na sequência do caso envolvendo contratos swap especulativos em empresas públicas. A mentalidade de espernear contra uma demissão só revela fixação no lugar ou a concepção do cargo-lugar como coisa sua, como seu, para si. E não é. O cargo é um serviço. Um serviço público ao público e, assim sendo, deve imperar o desprendimento à cabeça, não a insubordinação despudorada Onde pára o desprendimento ético e republicano dos cargos, na republiqueta plutossocialista?! Não há. Tal cultura não existe nem se sedimentou precisamente pela mentalidade socialista de premiar os seus com cargos e prebendas e sinecuras, muito para lá dos resultados e das competências evidenciadas. Não interessa se é esse o caso de José Manuel Silva Rodrigues. O facto é que pode fazer perfeitamente a defesa da sua honra fora do cargo. Pode barafustar, mas fora do cargo. Pode, aliás, nem sequer haver um nexo directo entre as swap e a sua presidência [o que é duvidoso]. Porém, uma vez que também vivemos de exemplos, de bons exemplos, nada como a dimensão simbólica de um abandono quando convém passe para a Opinião Pública que coisas desastrosas para si, para os contribuintes, não passam sem efeitos. Portanto, ainda que essa demissão pareça injusta e injustificada aos olhos do demitido, na presidência do conselho de administração da Carris desde 2003 sem que tenhamos visto os resultados operacionais e a boa governança que só testemunhámos nos últimos dois anos, o que faz falta à malta é mesmo a higiene de sair. Vejo como uma lastimável anomalia a falta de desprendimento do José Manuel, tenha ou não tenha razão.

1 comentário:

José Domingos disse...

Em vez de servir o bem público, servem-se.
O caminho para o socialismo, tem destas coisas.
O que nos vale, é que estamos num estado de direito.