terça-feira, março 31, 2009

MAIS FUEL PARA UM ALARME AGRAVADO


O mal de este tipo de comunicados é que chegam tarde de mais. Mesmo que as palavras anestesiantes da PGR tivessem ressoado de modo antecipado e imediato, teriam chegado tarde de mais. É que arde que torra, e muito!, na prolongada pira mediática de exposição à Opinião Pública a mais intocável sumidade de toda esta famigerada questão. Chamuscado vai e protegido. Ardido e encurralado. Tempo suficiente passou para que meio mundo português reflectisse sobre quanto quanto lhe soou a estranho em toda a matéria ressuscitada Freeport. Não há fumo sem fogo. O que se pressente estar em causa e, mais que isso, o que a acurada intuição do senso comum já definiu para si foi a substância profundamente corrupta, lodosa de toda a questão abafada Freeport: o Caso é uma coisa moribunda que estrebucha e mostrará melhoras. Implica e entala gente com peso e ego e é por isso que há razões para um secreto forcejar por que se soterre tudo isto de oblívio e o mais célere possível. Nunca ninguém mereceu declarações com pompa, ameaçadoras e desagravadoras por parte de algum outro PGR. Ninguém. Há em tudo isto um grande subentendível: «Ide para casa. Não penseis(z) mais(z) neste assunto.» Por isso mesmo, os lugares comuns e as profissões de fé que agora o PGR veio enunciar, essas garantias e palavras de ordem para dentro da magistratura, de tão banais e esperados, longe de comportarem o regresso à serenidade, aduzem exactamente o contrário. Se houvesse todas as condições para o processo decorrer com normalidade nem seria necessário enunciar essa normalidade. Assim, o que semelhava anormal permanece anormal e agrava-se como anormal. E se não houvesse pressões de velha gente corporativa, repetente e danada sobre os seus colegas magistrados, também nunca seria necessário declarar que não há pressões sobre magistrados ou que se ia investigar, coisa que nunca se sabe em tal labirinto confuso de obediência à Força dos Fortes. Assim, para efeitos de percepção geral, as pressões existem e negá-las não as anula, pelo contrário amplifica-as. Em suma, o problema pragmático e performativo de todas as declarações sérias e solenes, em todos os tempos e lugares, englobando necessariamente estas do PGR, é este: instilarem o pânico e a desconfiança que visam remover. É mais um esforço desfocatório a somar a muitos outros. Sobram os exemplos de que quanto mais veementemente se afirma não haver quaisquer razões para alarme, mais se alarma. Lamentamos que o PGR se tenha incomodado, submetido às câmaras e aos holofotes, para nada ou, o que é pior, para o efeito diametralmente oposto ao pretendido. Mais fuel para a pira Freeport: «O procurador-geral da República (PGR) negou hoje a existência de "pressões e intimidação" sobre os magistrados do "caso Freeport", garantindo que "fracassarão" quaisquer manobras para criar suspeição e desacreditar a investigação. Em comunicado, Pinto Monteiro afirma que os magistrados titulares do processo "expressa e pessoalmente reconheceram", que "não existe qualquer pressão ou intimidação que os atinja ou impeça de exercerem a sua missão com completa e total serenidade, autonomia e segurança".»

FIZESTE BEM, ESTALINE, FIZESTE BEM!


Sim, valeu a pena fustigar, torcionar e enlamear a nobre profissão docente em Portugal. É na verdade desvalorizando o mais que se possa pessoas (professores, polícias) e enaltecendo o sucedâneo delas, o Grande Vibrador Magalhães, que se obtêm os melhores resultados de sempre na Educação em Portugal: «O primeiro-ministro, José Sócrates, elogiou hoje o trabalho da ministra da Educação, considerando que Maria de Lurdes Rodrigues "fez bem em nunca ceder" apesar das dificuldades e obstáculos que encontrou.»

IRRESPIRABILIDADE DEMOCRÁTICA


É curioso: ontem, em face do tanto que li de preocupante, do tanto que se sente no ar de abominável em Portugual quanto a esses fumos de para-legalidade, de para-'democracia' aliás já da mais impensável irrespirabilidade democrática, fiquei com esse mesmo pensamento perplexo: por que não se indigna o dr. Soares com esta viscosidade no seu Partido?! Quem o pressiona a ele e em quê, em que €€?! Que xeque-mate se exerce contra os tais amantes da liberdade, agora calados como ratos?! Quanto a esse anónimo, presumindo que não vai pegar em armas e eliminar fisicamente os opinadores inconvenientemente penetrantes que não suporta, coisa complexa e prolongada para muitos anos, há a reiterar-lhe que quem vive da ameaça perecerá pela ameaça. As vozes Livres exercem a sua inalienável liberdade para pensar e exprimir o que realmente pensam. Quem não suporta a liberdade e a crueza da mensagem, debalde assassinará o mensageiro: morto um, levantar-se-á outro e outro e outro mensageiros. Nada há a temer dos que tremem perante a verdade mais inconveniente e assumem aquela fanfarronice-papão. Temamos antes a abominação totalitária, bufa e fratricida portuguesa, enterrada por 35 anos e agora desenterrada e exercida, fenómeno que em tudo lembra o pós-colonialismo, que reproduz inter pares os piores tiques coloniais. Neste caso, o PS da liberdade por intermédio de certos actores espúrios reproduz outro tanto do regime prévio.

ASS OU SOFISMAS-ÂNUS DO ÓNUS


Pronunciando-se sobre as tais pressões pelo arquivamento rápido do Caso Freeport, de que se queixa, por disso se queixarem os respectivos magistrados, e dá conta o presidente do SMMP João Palma, ASS falou de mais e não deixou de exercer, num tom magnânimo, beato e santeiro, é certo, outra forma de pressão aberta e desabrida ao mesmo João Palma e a quantos magistrados encarregados do Caso Freeport possam ter sido alvo de pressões para que as revelem, esclareçam e apontem a respectiva proveniência (tais pressões e ameaças poderão ser anónimas, com elementos materiais, ou de outro tipo, concretos de chantagem sobre as carreiras individuais e, portanto, melindrosas o quanto baste para justificar o máximo de sigilo). É curioso que estas declarações do Ministro ASS constituam elas mesmas uma inversão do ónus: i.e., é o queixoso portanto o culpado de se queixar e de pôr em causa a boa ordem e paz do Estado de Direito. Mas não será esse 'Estado de Direito' o de quem o subverte todos os dias para que seja 'o seu Estado de Direito'? Um 'Estado de Direito' à medida dos atropelos continuados necessários para que tudo fique na mesma? Não há limites para o ilimitado sofista-Σοφιστής que mora em ASS, o qual quando não malha a 'direita', molha o verbo para o torcer a favor das teses mais distorcidas de que a sua mente insuperável é capaz. O sr. Sócrates não encontraria um mais esforçado manejador de conceitos e subversor de ideias: «O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, quer que o presidente do Sindicato de Magistrados do Ministério Público (SMMP), João Palma esclareça publicamente as “pressões” sobre magistrados a que se referiu quando foi eleito, no passado sábado. Santos Silva considera “gravíssimas” as declarações de João Palma e afirma que estas “não podem ficar sem consequência”.“O presidente do SMMP tem de dizer quais as pressões a que se referem, em que é que consistem, sobre quem se exercem e sobretudo que as exerce ou tenta exercê-las”, afirmou à entrada das jornadas parlamentares do PS, que decorrem em Guimarães até amanhã. [...] “Estou apenas a reagir a uma nota do SMMP e a declarações do seu presidente segundo as quais estaria a haver pressões e que ele não poderia revelar porque seriam explosivas”, frisou o governante. “Nenhum Estado de Direito pode conviver com este tipo de receios”, concluiu.»

LAMA EM DETRIMENTO DE PORTUGAL


Devemos desconfiar activamente de quem por sistema se considere vítima, mas não diga de quem. Por exemplo, João Palma denuncia as pressões de que os Magistrados do Caso Freeport são alvo por que se arquive o caso o mais rapidamente possível. Mas nem sequer insinua a proveniência de elas. Fica ao nosso critério imaginar o pior e os autores por simples dedução. Só exerce pressão quem tem Força e Poder para tanto, assim como imenso a temer. Por sua vez, o sr. José Sócrates, o homem mais poderoso em Portugal desde o ápice do salazarismo, alguém que em quatro anos arrolou mais poder, acumulando o 1.º Poder com o 4.º e até um 4.º a) que é o poder ultra-Publicitário e o poder ultra-Propagandesco e poder ultra-Autopromocional, acima de qualquer outra coisa, incluindo governar, ao concitar o conceito de 'campanha' e logo 'negra', também não concretiza quem, não rebate o quê, e é o Vago e o Suspeitoso aquilo que fica. Em suma, alguma coisa escapa ao controlo do sr. Sócrates e do seu caríssimo staff de Imagem e Bitaites Agressivos da Pequena Política, a ele, que é um homem poderoso. Mas o pior sinal de todos, e esse, sim, inspirador da maior apreensão, é o recurso aos communiqués de presse, aos comunicados e às declarações. Normalmente este recurso, ao longo da história, representa uma dificuldade aguda para lidar com os problemas e uma forma de aliviar a pressão, coisa que só funciona no muito curto prazo, sendo que a noção global e refrescada dos factos, de novo regressada, arrasa com a aflição superficial das declarações, dos comunicados e communiqués. Na suposição de que politicamente e criminalmente nada houvesse a imputar ao sr. Sócrates, bastaria a este enfrentar o problema com os argumentos disponíveis em vez de se refugiar no Vago, no Conspiratório, na Poeira e no Vento. E isto porque, na verdade, o sr. Sócrates tornou-se num homem poderoso, CEO de Portugal, um ZooParlamentar feroz que esmaga os adversários, quebra-lhes os ossos com os argumentos e razões do século XX e nunca faz a coisa por menos. Isto porque o sr. Sócrates saíu sempre por cima da 'lama-regenerativa-revigorante-tratamento-de-pele-em-SPA' que lhe atiraram com os factos límpidos da pseudo-Licenciatura, dos camafeus urbanísticos da Guarda, das esquisitices identificatórias e ambíguas nos ficheiros do Parlamento. Saíu por cima. Sair por cima e sem semancol é um atributo que blinda o sr. Sócrates desde sempre. O País, em face de este hábito de toda a vida do sr. Sócrates, é muito menos importante. Percebam isto: o País é muito menos importante que a imagem absolutista de um Condottiero Iluminado, cultivada com um zelo extraordinário ao longo dos últimos quatro anos pelo staff especializado (e caríssimo ao erário) do sr. Sócrates. Há muito que a honra de Portugal, o bem de Portugal, o interesse profundo de Portugal, o bom nome de Portugal foram relegados para terceiro plano em favor da Imagem do sr. Sócrates. E é em detrimento de Portugal que nada se passa de consequente e nada se passará.

segunda-feira, março 30, 2009

WHITE HOUSE, AIG — SUPREME IRONY


Aparentemente, para os detractores de Obama, para além de tudo o que se possa pensar, a situação global na AIG prefigura a lógica geral do sistema norte-americano e da própria Administração que a nacionalizou. Nada como a saborosa e corrosiva ironia dos imensos cartoons! «Geithner says AIG, which the government effectively took over last fall, is a good example of how difficult nationalization is today. "The government took 80 percent of the thing as a condition for initial intervention. They replaced management, changed the composition of the board — they might call that nationalization. We did that because they couldn't operate. They were on the brink of default. Look at what's happened. They've had the [healthy aspects of their] business bleed away." At the same time, senior Treasury and Fed officials concede they may still have to make substantial investments in a couple of major banks when the "stress tests" are completed sometime in April. But that won't mean "nationalization." "You can't solve it that way," says Geithner.» The Education of Timothy Geithner, by Michael Hirsh, .

HELENA MATOS — PRECE SEM KAIROS


Kairos auf einem Fresko des manieristischen Malers Salviati
Há demasiada Fé na prece de HM: aos portugueses não é dado aspirar a milagres transformistas de tal monta. O Inferno é para durar e recrudescer e o nosso Calvário é e será o mais pagão Eterno Retorno, sem qualquer Kairos-καιρός.

FREEPORT: ARQUIVACIÓN O MUERTE!


As declarações do PGR anunciadas para amanhã, como todas as anteriores, não nos tranquilizarão em nada. Tem sido notório que virão trazer, tal como as anteriores, novas almofadas de clorofórmio e novos eufemismos: o Caso Freeport é um "romance", é "uma novela"; o Caso Freeport "não é nada do que as pessoas andam por aí a pensar", disse algures paternalmente Pinto Monteiro ao enxame de Jornalistas que tanto fustigam com perguntas a medo os poderes situacionistas, todos eles, incapazes de respostas ao mesmo nível. Depois, o outro lado da questão Freeport são as pressões denunciadas por João Palma por que se arquive o mais rápido possível. Sabe-se que se chantageia com base em formas de prejudicar as carreiras dos magistrados que não foram concretizadas. Adivinha-se que estes homens sitiados já mal consigam conciliar o sono durante as noites ao verem-se compactados por tais ameaças. Espero que o PR, na audição com João Palma, em face de este abuso perfeitamente natural na Súbltil Situação ultrafascizante em que vivemos, tenha a coragem ou de agir ou de falar como se pudesse agir a qualquer momento: «O novo presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, João Palma, vai pedir uma audiência de urgência ao presidente da República Cavaco Silva. Nos últimos dias João Palma tem vindo a denunciar pressões sobre os magistrados, alegadamente relacionadas com o caso Freeport e que visam, segundo revelou o "Correio da Manhã" levar ao arquivamento do processo. O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público vai emitir ainda hoje um comunicado. Por sua vez, o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, anunciou para amanhã uma declaração sobre a investigação ao caso Feeport.»

MUI AMADO E SEMPITERNO AUTARCA


Operação sem anestesia é este cortejo a que nos obrigam os casos Fátima, Avelino e Isaltino. Retiram-nos a próstata a frio estes enunciados risonhos dos nossos mais célebres corruptos na fritura 'rápida' e indolor dos tribunais omni-absolventes. É de arrancar ovários este paleio pró-forma de encher tempo de antena em tribunal: «Não tive consciência de que havia um problema fiscal, nunca me passou pela cabeça». — diisse Isaltino. Uma comédia angustiante, aliás. Não estamos preparados para as desculpas infantis e esfarrapadas com que este jet-set da corrosão nacional nos cumula. Se fossem mais elaboradas as desculpas, e levassem o tempo que Rogério Alves leva a explicar por que motivo as provas do Caso Freeport caprichosamente não contam, ainda seria de entender. Mal, mas seria. Apesar de todo o Portugal ser uma malha de corrupção intrincada e inextricável, pátina que herdamos desde que a canela assomava ao Reino, pelo Cais das Colunas, temos os nossos limites para a tolerância com más narrativas, cheias de hiatos, falta de verosimelhança e aquela leviandade de quem nada tem no fundo a temer de maior. Do tribunal para a campanha e mai nada. Note-se, porém, que Isaltino será sempre mais um mui amado e sempiterno autarca, o grande Nabo. De Oeiras: «O autarca Isaltino Morais admitiu hoje que foi de "forma inconsciente" que não declarou uma conta bancária da Suíça ao fisco e ao Tribunal Constitucional e sustentou que algumas testemunhas do processo foram "ameaçadas para mentir". "Não tive consciência de que havia um problema fiscal, nunca me passou pela cabeça", disse o presidente da Câmara de Oeiras durante a manhã, na quarta sessão do julgamento do processo em que é acusado de um total de sete crimes de participação económica em negócio, corrupção para acto ilícito, branqueamento de capitais, abuso de poder e fraude fiscal.»

FREEPORT, ESTE DOLENTE PERGUNTAR


Os factos elencados e as perguntas levantadas pela questão Freeport, factos e questões que prometem avolumar-se até ao mais escabroso ponto de saturação, têm o dom de ser cristalinamente 'negros' no plano judiciário e, no plano estritamente político, ainda mais breu: «PERGUNTAS Porque é que o cidadão José Sócrates ainda não foi constituído arguido no processo Freeport? Porque é que Charles Smith e Manuel Pedro foram constituídos arguidos e José Sócrates não foi? Como é que, estando o epicentro de todo o caso situado num despacho de aprovação exarado no Ministério de Sócrates, ainda ninguém desse Ministério foi constituído arguido? Como é que, havendo suspeitas de irregularidades num Ministério tutelado por José Sócrates, ele não está sequer a ser objecto de investigação? Com que fundamento é que o procurador-geral da República passa atestados públicos de inocência ao primeiro-ministro? Como é que pode garantir essa inocência se o primeiro-ministro não foi nem está a ser investigado? Como é possível não ser necessário investigar José Sócrates se as dúvidas se centram em áreas da sua responsabilidade directa? Como é possível não o investigar face a todos os indícios já conhecidos? Que pressões estão a ser feitas sobre os magistrados do Ministério Público que trabalham no caso Freeport? A quem é que o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público se está a referir? Se, como dizem, o estatuto de arguido protege quem o recebe, porque é José Sócrates não é objecto dessa protecção institucional? Será que face ao conjunto de elementos insofismáveis e já públicos qualquer outro cidadão não teria já sido constituído arguido? Haverá duas justiças? Será que qualquer outro cidadão não estaria já a ser investigado? Como é que as embaixadas em Lisboa estarão a informar os seus governos sobre o caso Freeport? O que é que dirão do primeiro-ministro de Portugal? O que é que dirão da justiça em Portugal? O que é que estarão a dizer de Portugal? Que efeito estará tudo isto a ter na respeitabilidade do país? Que efeitos terá um Primeiro-ministro na situação de José Sócrates no rating de confiança financeira da República Portuguesa? Quantos pontos a mais de juros é que nos estão a cobrar devido à desconfiança que isto inspira lá fora? E cá dentro também? Que efeitos terá um caso como o Freeport na auto-estima dos portugueses? Quanto é que nos vai custar o caso Freeport? Será que havia ambiente para serem trocados favores por dinheiros no Ministério que José Sócrates tutelou? Se não havia, porque é que José Sócrates, como a lei o prevê, não se constitui assistente no processo Freeport para, com o seu conhecimento único dos factos, ajudar o Ministério Público a levar a investigação a bom termo? Como é que a TVI conseguiu a gravação da conversa sobre o Freeport? Quem é que no Reino Unido está tão ultrajado e zangado com Sócrates para a divulgar? E em Portugal, porque é que a Procuradoria-Geral da República ignorou a gravação quando lhe foi apresentada? E o que é que vai fazer agora que o registo é público? Porque é que o presidente da República não se pronuncia sobre isto? Nem convoca o Conselho de Estado? Como é que, a meio de um processo de investigação jornalística, a ERC se atreve a admoestar a informação da TVI anunciando que a tem sob olho? Será que José Sócrates entendeu que a imensa vaia que levou no CCB na sexta à noite não foi só por ter feito atrasar meia hora o início da ópera?»
lj

BCP, ESSE BANCO PRIVATO-PARTIDARIZADO


Reúne-se, magnânimo, o capital social de esse magnífico Banco secretamente periclitante, liderado por Carlos Santos Ferreira, na Alfândega do Porto. Ao que se sabe, a situação não é realmente famosa. O BCP era dos bancos europeus que mais caira em bolsa nos últimos treze meses e isto embora conste não ter tido uma exposição directa relevante à crise do crédito hipotecário de alto risco nos EUA, o chamado subprime, coisa que se verificou em muitos dos grandes bancos europeus. O outro lado de toda a questão é aquilo a que muitos observadores qualificaram como 'assalto partidário à gestão do BCP', quando foi necessário 'responder ao desafio da solvência' que então se colocava, levando Santos Ferreira na sua equipa nomes provindos como ele da CGD, entre os quais Armando Vara, o imprescindível. Grandes rumores circulam agora sobre se o BCP é ainda um banco verdadeiramente privado e, se o é ainda, até quando: «A assembleia geral do BCP começou às 14h45 no edifício da Alfândega do Porto, com 63,71 por cento do capital social representado, o que garante quórum para a alteração dos estatutos, explicou o presidente da mesa, Menezes Cordeiro. A reunião magna de accionistas do maior banco privado português vai apreciar e votar o relatório e contas de 2008 e analisar propostas de alteração dos estatutos do banco, merecendo destaque a referente à extinção do conselho superior do BCP, um órgão criado por Jardim Gonçalves, onde tinham assento representantes dos accionistas de referência da instituição.»

CORRUPÇÃO — LABIRINTO PORTUGUÊS


«Se a corrupção for de esquerda, só a direita reage. E vice-versa. Se for autárquica, só o poder central se insurge. E reciprocamente. Se for pública, só os privados protestam. E ao contrário. Se for de um partido, aos outros de contrariar. E assim por diante. Quer isto dizer que não existe qualquer espécie de tradição ou de “cultura” contra a corrupção, a promiscuidade e a “cunha”. Na verdade, os beneficiários são muitos: municípios, populações locais, associações desportivas, partidos políticos, empresários, proprietários, construtores, promotores imobiliários, funcionários públicos, políticos, banqueiros e comerciantes. Neste nosso pobre país, a corrupção é democrática. Herdámos a corrupção da ditadura, à qual acrescentámos a liberal. Recebemos a corporativa, enriquecendo-a com a socialista e a capitalista. Sem regulação à altura, o mercado gera corrupção, fraude e promiscuidade. Quando aparece o Estado, corrupção, fraude e promiscuidade são geradas. Do atraso económico e cultural, recebemos a cunha e o favoritismo; mas do crescimento fácil chegou-nos o casino. Da ditadura, tínhamos a corrupção escondida; da democracia, temos a corrupção exposta.»

BRASIL, O PAÍS DE LULA — ZÉ RAMALHO

Tô vendo tudo, tô vendo tudo/ Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo/ Um país que crianças elimina/ Que não ouve o clamor dos esquecidos/ Onde nunca os humildes são ouvidos/ E uma elite sem deus é quem domina/ Que permite um estupro em cada esquina/ E a certeza da dúvida infeliz/ Onde quem tem razão baixa a cerviz/ E massacram-se o negro e a mulher/ Pode ser o país de quem quiser/ Mas não é, com certeza, o meu país/ Um país onde as leis são descartáveis/ Por ausência de códigos corretos/ Com quarenta milhões de analfabetos/ E maior multidão de miseráveis/ Um país onde os homens confiáveis/ Não têm voz, não têm vez, nem diretriz/ Mas corruptos têm voz e vez e bis/ E o respaldo de estímulo incomum/ Pode ser o país de qualquer um/ Mas não é com certeza o meu país/ Um país que perdeu a identidade/ Sepultou o idioma português/ Aprendeu a falar pornofonês/ Aderindo à global vulgaridade/ Um país que não tem capacidade/ De saber o que pensa e o que diz/ Que não pode esconder a cicatriz/ De um povo de bem que vive mal/ Pode ser o país do carnaval/ Mas não é com certeza o meu país/ Um país que seus índios discrimina/ E as ciências e as artes não respeita/ Um país que ainda morre de maleita/ Por atraso geral da medicina/ Um país onde escola não ensina/ E hospital não dispõe de raio-x/ Onde a gente dos morros é feliz/ Se tem água de chuva e luz do sol/ Pode ser o país do futebol/ Mas não é com certeza o meu país/ Tô vendo tudo, tô vendo tudo/ Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo/ Um país que é doente e não se cura/ Quer ficar sempre no terceiro mundo/ Que do poço fatal chegou ao fundo/ Sem saber emergir da noite escura/ Um país que engoliu a compostura/ Atendendo a políticos sutis/ Que dividem o brasil em mil brasis/ Pra melhor assaltar de ponta a ponta/ Pode ser o país do faz-de-conta/ Mas não é com certeza o meu país/ Tô vendo tudo, tô vendo tudo/ Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo.

Música: Zé Ramalho; Composição: Livardo Alves - Orlando Tejo - Gilvan Chaves.

O SANITARISMO DE D. ILÍDIO LEANDRO


Não ousando antecipar que resposta terá o Vaticano na manga para o Bispo de Viseu, convém desde já atribuir as costumeiras palmadinhas nas costas às declarações de D. Ilídio: muito bem, a saúde é uma responsabilidade e portanto o preservativo pode configurar um imperativo moral básico. Sim, senhor! Mas depois fica complicado compreender o que é, para D. Ilídio, vida sexual activa. Segundo parâmetros morais e éticos evangélicos, 'vida sexual activa' não pode ser uma vida sexual desenfreada, aventureira, promíscua, irresponsável, experimentalista. Enfim, todos os seres humanos buscam realizar-se, excedem-se nessa busca e por vezes morrem no processo. Aqui cabe bem a palavra estimulante e exigente da Igreja no caminho dos vivos convertidos ou em processo de conversão para, se o for (tumultuada, descontrolada), deixar de o ser. Uma velha palavra dignificadora, nada platónica, pedagógica sobre a sexualidade humana e a novidade cristã de a viver, para além do paliativo sanitarista chamado preservativo. Porque se a Igreja media uma salvação do Homem todo e de todo o homem não pode escamotear, por isso mesmo, um meio sanitário como esse em contextos e comportamentos de risco. Só que não chega. Há um apelo à integridade, a um sentido transcendente e ao amor, na vivência da sexualidade cristã, que só pode ser activada na lealdade, numa fidelidade projectiva, contida mas não avara e não-pagã. Estou certo que D. Ilídio pronunciou-se movido pela compaixão e um sentido de diligência prática contra os riscos que as pessoas correm com os seus comportamentos 'intensos'. Acontece que o Vaticano não pretende que o anúncio exigente do Evangelho se transforme no Anúncio do Preservativo, do Kama Sutra, da Pílula, do Diafragma. À Igreja o que é da Igreja e não é pouco. E aos Serviços de Saúde e Prevenção o que lhes cabe por força. Em Igreja, não acredito nem numa proibição que não orienta nem numa caução que desorienta. O sentido espiritual do sexo, segundo a Igreja, merece bem melhor serviço que a pequena mercearia dos interditos atávicos e dos permissivismos alarves: «A Santa Sé está a preparar uma resposta oficial às declarações do bispo de Viseu D. Ilídio Leandro que defendeu, num texto publicado no site da Diocese de Viseu, que quem tem uma vida sexual activa tem “obrigação moral de se prevenir e não provocar a doença na outra pessoa. O bispo disse ainda que “aqui, o preservativo não somente é aconselhável como poderá ser eticamente obrigatório”.»

GM SEM RICK WAGONER EX-PROBLEMA?


Aparentemente, com Obama terá chegado o tempo dos sacrifícios para todos, que ainda não faz escola em Portugal, onde a tónica se coloca basicamente nos sacrifícios para a imensa massa dos mesmos, já sacrificados e empobrecidos em quatro anos de treta, e benefícios e ajudas para alguns, o número minorca dos poucos avulsamente tomados em função do sucessivo grito de alarme. Mas não há dúvida de que 'sacrifícios para todos' é um lema excelente para a reestruturação global da indústria automóvel norte-americana, esperemos que em função de parâmetros energéticos e ambientais que permitam uma maior eficiência e decorrente independência do petróleo. Significativo que tal passe pela demissão de Rick Wagoner. Bastaria que tal lema 'sacrifícios para todos' fosse seguido em Portugal, e já teríamos o dr. Vitor Constâncio a anunciar qualquer coisa relativamente aos seus 500 000 euros, o sr. Vara igualmente em relação aos seus 500 000 euros no pseudo-privado BCP, igualmente algo entre o grande número de gestores excedentários quase todos das famílias-bem da política (os filhos da política, primos da política, sobrinhos da classe política postos em bom tempo a mamar altos vencimentos graças ao seu 'mérito' e ao facto de terem subido a pulso na escala automática de progressão para essas gestões bem pagas) da Galp e da PT, da Refer e da EDP, empresas que afinal riem da nossa cara todos os dias. Definitivamente, em Portugal, o 'liberalismo' é uma coisa muito mais avançada e sofisticada que nos Estados Unidos e isso implica 'sacrifícios para os mesmos' que somos nós: «O patrão do gigante automóvel norte-americano General Motors (GM), Rick Wagoner, demitiu-se a pedido do Presidente Barack Obama, que exigiu uma profunda reforma também à Chrysler LLC para poderem receber financiamentos adicionais do Estado, noticiou ontem a imprensa. A queda de Wagoner precede em poucas horas a divulgação do plano presidencial para uma injecção financeira no sector, a troco de duras concessões.»

QIMONDA,DIE WELT,DE BLUFF EM BLUFF


Até que ponto não é tóxico instilar esperança antes que qualquer coisa de verdadeiramente concreto se apresente, se consolide e seja a tal base sólida para que quem trabalhou na Qimonda possa efectivamente regressar/retomar o seu posto de trabalho? 'Terá apoios' não é sólido. 'Está a tentar' não é sólido. Nós sabemos que a Qimonda 'está a tentar', mas o efeito, ao fim de tantos meses, tem sido de todas as vezes bluffosférico: «A Qimonda está a tentar atrair investidores privados, sobretudo na Ásia, com o argumento de que terá apoios públicos, nomeadamente de Portugal e do Estado da Saxónia, revelou hoje o jornal Die Welt.O matutino alemão diz ter tido acesso a um documento confidencial que constitui a base para as negociações em que se afirma, a dado passo, que "a manutenção de quatro mil postos de trabalho na Alemanha e em Portugal abre caminho a importantes apoio do Estado".»

ROLLO TOMASI - IMPUNIDADE


Generosamente, os partidos clamam por clareza e resolução rápida do Caso Freeport, actuação 'justa da Justiça', passe o pleonasmo, e palavras equivalentes altamente circunstanciais. Esquecem que vivemos sob a dependência espiritual de Rollo Tomasi, entidade parda permanentemente impune e certificadora de impunidade. A partir daqui é sempre a descer porque a impunidade atrai a impunidade e as carreiras ameaçadas e as vozes amordaçãdas e as pressões exercidas não mostram sinais de ter nome. Por enquanto. Veremos arquivado o assunto rapidamente e veremos a qualidade verme, na hora H, de esses homens que deveriam salvaguardar o interesse da verdade, dos factos, da Justiça. A Justiça sonegada, a Corrupção moral e material no ápice do Estado, insultam Portugal e difamam-no por todo o mundo civilizado que lê jornais. Há quem pouco se incomode com estes danos horrendos ao País: «O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, exigiu hoje o "funcionamento da justiça" para que "a verdade" sobre o caso Freeport "seja apurada"."A nossa posição de fundo tem a ver com a exigência (...) do funcionamento da Justiça, procurando que a verdade seja apurada, obviamente sem procurar julgamentos e condenações prévias", disse Jerónimo de Sousa.»

domingo, março 29, 2009

O ROLO COMPRESSOR DA DEMAGOGIA


Como é que há egos descomunalmente doentes-de-si que se apoderaram de todos os mecanismos de controlo do Estado (e mediaticamente das mentes), que meteram homens de mão em todas as estruturas do poder, Justiça, Finança, que falsificaram políticas para melhor esbulharem os fracos, e praticaram-no a sangue frio, enquanto a Crise internacional não se declarava ou chegava para obrigar a inverter um paradigma liberal de merda, arte sofista de furtar direitos, equidade, justiça laboral, e ainda têm tempo para um discurso pseudo-ideológico a falar dos outros quando os outros são eles mesmos, eles e os seus amigos favorecidos numa longa corte de avençados, eles e os seus podres, eles e os seus problemas com a liberdade e a verdade? Eles e as suas pressões arquivacionistas dos processos que lhes maculam o maculado curriculum? Eles e o absoluto controlo de tudo o que mexe, pensa, opina? Não sabemos. Também não sabemos a que estado de degradação e putrefacção tivemos de chegar para termos inéditos representantes democraticamente eleitos que nem se explicam à Opinião Pública, nem prestam contas a absolutamente ninguém numa fuga contínua dos problemas com que provam o quanto afinal nos não respeitam. Isso e acumular incompetência por todos os poros, consentir no colapso semana a semana dos esmagados de fisco: «A pré-campanha para as eleições Europeias já está em andamento e, hoje, José Sócrates juntou-se ao cabeça de lista do PS, Vital Moreira, numa sessão pública, em Viseu, na qual o líder socialista não poupou críticas ao PSD e a Manuela Ferreira Leite. O primeiro-ministro acusou mesmo os sociais-democratas de estarem sem programa desde a altura em que “faliu o pensamento único” de que qualquer intervenção do estado “seria nociva” e que “o liberalismo selvagem entregue ao interesse egoísta de todos os agentes económicos responderia a todos os problemas do mundo”.»

TEMPOS DE PERVERSÃO E DESMESURA


Ter um em cada dois votos italianos? Berlusconi não faz as coisas por menos. Não é o único. Há por esse mundo indivíduos poderosos, e a arrolar e a concetrar poder, que se sentem 'mais importantes' que os países mesmos que supostamente governam: Chávez, na Venezuela, Mugabe, no Zimbabué, Berlusconi, na Itália, Sócrates, em Portugal. Acima da lei, acima dos outros, acima da democracia, acima do bom senso, acima da murmuração da sociedade perante factos factualíssimos, acima de curricula passados que os tingem de todo o tipo suspeições, senão até de sangue, incompetência e caos desencadeado. Tornaram-se sinais de contradição e assumiram um paternalismo devorador do pluralismo democrático, paternalismo que ninguém, na verdade, lhes outorgou. Estranha-se que, em Portugal, hordas de anónimos incensem este declínio inexorável da 'verdade desportiva' até na Política, mitigando de atenuantes o intocável líder: «O chefe do Governo italiano, Silvio Berlusconi, foi eleito para a direcção do partido Povo da Liberdade (PDL), durante o congresso fundador da formação de direita que ambiciona conquistar o voto de um italiano em cada dois.“Espero estar à altura, tentarei não os desiludir”, declarou o escolhido no discurso que fez a seguir ao anúncio da decisão dos 6 mil delegados, reunidos em Roma, que votaram de braço no ar

RAFFAELLO SANZIO, MADONNA SISTINA


MENEZES, ENTRE A BÍLIS E A LÁGRIMA


Não deixa de ser enternecedor que Menezes, que é um excelente autarca, talvez o melhor do País, reúna em si qualidades emotivas extraordinárias: vingativo e cáustico, maternal e pacificador. A raiva e a lágrima. Não o censuro. É extremamente humano. É pragmático quando raciocina em função dos lugares, das listas e da mercearia geral posicional dos cargos presentes e futuros. Sabe elogiar e dar folga a Sócrates, como o faz Valentim, servindo-lhe de escudo, quando toda a gente o impreca e põe em causa, porque sabe como é que certas coisas mais importantes se desbloqueiam. Espero, porém, que não prossiga fazendo comparações entre o estado 'familiar' coeso do PS, que é podre e rançoso, e o desavindo PSD. Neste momento, o País precisa de se purgar dos malefícios manhosos e corruptivos com que em trinta e cinco anos PSD e PS lesaram por todos os meios o País e ainda o danificam mais e mais com este domínio completo de tudo e todos sob um místico terror para com o magnífico líder 'incontestável': «Luís Filipe Menezes disse ontem, em Matosinhos, que "o PSD não está a comportar-se como uma família", ao contrário do que, em sua opinião, acontece no Partido Socialista (PS).O ex-líder social-democrata e presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia falava num almoço do PSD, que juntou cerca de mil mulheres, em que pediu aos antigos dirigentes que "arregacem as mangas e se coloquem ao lado das bases do partido e venham dar a cara nestes seis meses que (temos) pela frente".»

ASS, FREEPORT EXPERT, TAXATIVO


Com ASS e Sócrates, o País é menos que o PS e bem menos que o PS-Governo. Ética é não haver Ética nenhuma. Respeito pelos cidadãos é não haver qualquer respeito pelos cidadãos. No passado, havia um sentido de pudor e de honra que conduziu a muitas demissões higiénicas nos governos PSD. Entre este PS-Governo nunca há demissões. Nunca. A vergonha já não envergonha. A Justiça, que não é tutela do ministro ASS e, mesmo que fosse, supostamente deveria ser estanque e obedeceria a limites de interferência e pressão, aparentemente é-lhe transparente e por isso emite uma sentença ilibatória do Governo a que pertence quanto ao Caso Freeport , não vá acontecer que os cidadãos pensem, saibam, tenham a certeza do pior. E se as pessoas começarem a pensar que não haver ninguém indiciado no Caso Freeport só representar que o trabalho de minimizar e abafar o 'Romance' Freeport está a ser exercido musculadamente pelo PS-Governo? E se as pessoas começarem a pensar que o PS-Governo é um rolo compressor da Justiça e que o estrangulamento dos casos mais delicados se faz sem rebuço e com toda a ferocidade com que se chantageia e amedronta o amedrontado aterrorizado Smith? Na verdade, a gravidade portuguesa é uma gravidez técnica que vai parindo um Totalitarismo Silencioso e um País da Simulação: «O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, reafirmou hoje em Gondomar que "não há nenhum membro deste Governo ou de anteriores Governos que esteja indiciado ou sequer sob investigação a propósito do chamado caso Freeport". Santos Silva, que hoje participou na apresentação da candidatura da deputada Isabel Santos à Câmara Municipal de Gondomar, comentou assim o mais recente capítulo sobre o processo Freeport.»

sábado, março 28, 2009

POLÍTICO-PARTIDARIZADO MINISTRO VIEIRA


Vieira da Silva acumula o MTSS, o Ministério mais determinante no cerne da Crise, e a função de Mandatário do PS. É como se além de rosto do Pai-Natal do PS assumisse as funções ferozes de Rambo do PS convergindo numa só mensagem persuasiva implícita. Este tipo de acumulações sornas entre a tutela do social e a tutela da reeleição Sócrates 2009 não lembram ao diabo, mas lembram o que é pior que o diabo: este mefistofelismo maquiavélico concreto de um PS cubanizado, dependente e aclamativo de um só homem que é, no fundo uma corte cara de acessores, estalinizante nos processos, que veio vampirar com dentes agudos a vida política nacional nas suas múltiplas realidades, agudizar-lhe os medos, promiscuar ainda mais a política com os grandes negócios, rompendo todos os limites do aceitável, cruzando todas as estremas da decência. Valer tudo, esmagar tudo e todos terá vindo para ficar com este PS assanhado ou poderemos, votando, repor democracia contra as derivas fascizantes que contaminam de terror, falsidade e demagógica treta a vida social e política nacionais?: «A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, acusou hoje o primeiro-ministro de "confundir" prioridades ao escolher para coordenador das eleições do PS o ministro que tem o maior problema social do país.Manuela Ferreira Leite referia-se, num comício em Macedo de Cavaleiros, no Nordeste Transmontano, à escolha do ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, para coordenador nacional para o processo eleitoral no Partido Socialista.»

QUE ESTÚPIDO ATERRORIZA SMITH?


Acção mediática fundamentada e feita de factos Freeport? Reacção mediática assente em declarações, palavras, fuga sem factos desmentidos ou contrariados Freeport. A legislatura, assente em pés de barro mediáticos, tem tido peões no terreno a fazer o jogo político-justiciário do esconde e do protela, gente que trabalha o registo de texto automático, formalmente orquestrado e blindado, não para rebater as denúncias e os factos revelados, mas para terçar declarações de honra com a fragilidade da veemência desesperada e sôfrega. Esta declaração de Smith, num português dificilmente ao alcance do mesmo Smith, não é outra coisa senão terror em movimento com uma energia de chantagem subjacente. Terror e chantagem ferfumados tanto quanto o medo pode ser perfume ou tem odor detectável à distância. De resto, quaisquer gravações que apanham os declarantes desprevenidos, não estão isentas de certas liberdades de linguagem e registos mais livres. Quem é, portanto, que aterroriza Smith? Por que parece recair exclusivamente sobre ele o ónus expiatório?: «O britânico Charles Angus Smith, gerente da Smith & Pedro, consultora do Freeport, desmentiu hoje em comunicado que alguma vez se tenha referido ao primeiro-ministro português, José Sócrates, de forma injuriosa."Mantive durante anos muitas reuniões com os administradores, nomeadamente Alan Parkins, algumas na presença de João Cabral e outros colaboradores para discutir questões relativas ao empreendimento", mas "é falso que alguma vez, naquelas reuniões, ou em qualquer outra oportunidade, me tenha referido ao primeiro-ministro de forma injuriosa, bem como a qualquer outro político, ou tenha oferecido, ou prometido contrapartida, ou vantagem, para obter o licenciamento do Freeport", garante no comunicado enviado à Lusa.»

JUSTIÇA PRESSIONADA E SEQUESTRADA

Compreende-se que a Situação fomente um ataque conjugado e generalizado às liberdades e aos garantes dela, o que é pena é não se revelarem abertamente os fautores da chantagem e da pessão inadmissível em decurso. Um País que se deixa asfixiar por essa horda de malfeitores com as suas malfeitorias apoiadas numa corrupção difusa e aceite como normal, está condenado à dissolução. O perigo, a tirania, a desvergonha têm um nome cada vez mais horrível de pronunciar: «O novo presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), João Palma, disse, em declarações ao PÚBLICO, que “as pressões sobre os magistrados estão a atingir níveis incomportáveis” e admitiu a hipótese de as denunciar. Palma, eleito hoje por quase 50 por cento dos votos, assegurou que “as pressões existem” e que há “conhecimento delas”, salientando que “umas são públicas e evidentes e outras, o sindicato reserva-se a oportunidade para as denunciar se for caso disso”. [...] No programa eleitoral que a sua lista apresentou aos magistrados, João Palma alertava para o facto de “nunca como agora” o Ministério Público ter sido “tão atacado e vilipendiado, alvo de reformas legislativas e campanhas de deslegitimação tão bem orquestradas e institucionalizadas, com cumplicidades inesperadas”, notando que “as verdadeiras motivações dessas campanhas talvez a história se encarregue de as evidenciar, mais cedo do que se pensa”. João Palma garantiu ainda que o SMMP estaria na primeira linha de defesa do MP democrático, dos seus magistrados.»

PAINÉIS, PÓNEIS E MINISTROS GHOST


Uma das razões por que José António Pinto Ribeiro Pinto Ribeiro não existe, nem política nem culturalmente, é porque o personalismo socratino faz toda a questão de que só Sócrates exista: só ele pode ser esse enorme agente gerador de lubricidade e lubrificação vaginal entre o máximo de população fêmea votante. Só ele é e pode ser o verdadeiro painel sexual fêmeovoltaico.

BILTRES ACABADOS E SHOW POLICIAL


Enquanto a presunção de inocência, por baixo dos nossos narizes, é elevada à demissão mais criminosa de quaisquer consequências, e vai justificando molemente a protecção prolongada dos mais refinados biltres públicos, com um curriculum e um trajecto de vida pejados de irregularidades, tretas, ilegalidades, suspeições, corrupções, estranhezas, eis que novamente as grandes operações pontualísticas e ultramediáticas estão aí para molestar cidadãos tesos e, enquanto montanha de meios, para parir os ratos criminais de sempre. Uma administração central que não se leva a sério, não merece nem se dá ao respeito, só pode arrolar as polícias para acções de espectáculo espampanantes, que ocultam o essencial e que não servem de nada aos cidadãos. Sintomático de tudo, num dia temos o encerramento sorna, completamente desrespeitoso em relação às populações, das linhas ferroviárias do Corgo e do Tâmega. Num outro dia, temos este show policialesco que busca mostrar serviço a todo o transe mas sem outros efeitos senão os estatísticos, reveladores aliás da miséria que por aí vai. Em suma, poupa-se os tubarões a incómodos e preocupações de maior, esses perfeitos biltres desonestos, sempre a salvo e com a Justiça portuguesa agarrada pelos colhões. E molesta-se a arraia-miúda. Isto não é um País: é um palanque: «A PSP levou a cabo uma mega-operação de segurança em todo o país, durante a última madrugada, o que levou à detenção de 350 pessoas, 18 apreensões de droga, 42 apreensões de veículos e 27 armas apreendidas, indica o site oficial da força policial. Foram igualmente identificadas 2104 pessoas.»

GOVERNO SOB VAIA GENERALIZADA


Podia o PM até estar à espera do Papa: as pessoas sentem bem o precedente do atraso compulsivo do início da Opera e de que forma o exercício do poder em quatro anos tem sido o exercício discricionário, caprichoso e privilegiista dos titulares dos cargos, que frequentemente se comportam como uma aristocracia plenipotenciária sem respeito por plebeus — todos os demais. Sentiu tudo isto quem vaiou e quem vaia e pateia o governo todos os dias pela escandalosa dicotomia Discurso/Acção, Factos e Consequências. Por muito que se esconda como e porquê, a Legislatura-Mandato governamentais do PS está sob o alastrar generalizado da vaia e por graves razões, uma delas, a verdadeira, determinou o atraso do PM ao espectáculo no CCB: «A grande parte do atraso do primeiro-ministro, José Sócrates, ontem à noite, na entrada para assistir ao espectáculo "Crioulo, uma ópera cabo-verdiana", no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, deveu-se ao facto de o chefe do executivo português ter estado à espera que o seu homólogo caboverdiano, José Maria das Neves, chegasse ao local.»

FT: MERKEL COM RECEITA SUMÍTICA


Talvez a chanceler Merkel tenha razão, mas isso contrasta com a estratégia que vemos no FED e nos pressupostos da Administração Obama. Dinheiro. Muito dinheiro injectado por todo o lado. Veremos: «A chanceler alemã Angela Merkel afirmou hoje, numa entrevista ao jornal "Financial Times", que a injecção de demasiado dinheiro para relançamento da economia mundial pode provocar o risco de criar uma retoma não durável. [...] Na mesma entrevista, Merkel rejeitou os apelos ao desbloqueio de mais fundos públicos na Alemanha no quadro de um esforço de relançamento económico coordenado a nível internacional. "Se queremos tirar lições [da crise], a resposta não passa por repetir os erros do passado", referiu.»

sexta-feira, março 27, 2009

E O MAIOR DEFEITO NEM SER ESSE


Nesta altura, o que tenha dito ou não Smith — que Sócrates é corrrupto! — é irrelevante e sobretudo redundante. Há percepções e intuições estafadas e ainda mais quando sem consequências. A temer temos, isso sim, que Sócrates seja ainda mais incompetente e incapaz do que alguma vez poderíamos suspeitar. E nem tanto politicamente porque para isso basta ser feroz, implacável e mau na defesa predatória dos seus interesses de facção. Não. Incompetente para com as obrigações fundamentais para connosco enquanto servidor dos portugueses. As básicas, as fundamentais. A insegurança horrenda que alastra. O desemprego horrível em metástases deprimentes. As falhas e hesitações na assistência urgente a famílias e regiões dessoradas para as quais não nem discurso convicente e muito menos acção remediadora. Os anúncios enganosos e imperfeitos dos painéis muito pouco fotovoltaicos e outros anúncios em que o Estado engana despudoradamente o cidadão e não dá o exemplo. Sente-se que o Portugal interior se desmantela infraestruturalmente e populacionalmente, mas insiste-se em investimento público paralítico e sem consumidores, TGVs e outras aventuras. Em suma, Charles Smith lá sabe. O que nós sabemos é que o país colapsa a cada brinde champanhesco sorridente no teatro anunciativo avulso ora da cortiça ora do automóvel, no call center sempre. Há muito mais a fazer que o que é feito, impostos a baixar, contenção de gastos na administração central; estancar a dívida pública, esse grande factor de desastre iminente, sinal primário da falácia e do enganoso em toda esta Oca e Interminável Legislatura: «Charles Smith, sócio da consultora Smith & Pedro, contratada para tratar do licenciamento do Freeport de Alcochete, diz claramente, num DVD que está na posse da polícia inglesa e que foi hoje divulgado pela TVI, que José Sócrates “é corrupto” e que terá recebido, por intermédio de um primo, dinheiro para dar luz-verde ao projecto do “outlet”.»

JOÃO MIRANDA, FALTA DE PRODUTIVIDADE


Ele há cada disparate!

EMESE COLECTIVA NO EMÉTICO JUGULAR


f., minha cara, não compreendo a sua repugnância. Será possível que o Eduardo Cintra Torres, que analisa o Anúncio famigerado da Antena 1 de um modo objectivo e infere o que há a inferir de uma maldade fascizante mais forte que a autovigilância dos conceptores, foi mal avaliado no seu doutoramento e é incapaz cientificamente ou paranóico politicamente?! Olhe que há muitos portugueses neste momento a vomitar de repulsa por se sentirem defraudados, quer com o Poder Político Eleito Alheado, Incapaz, Autoritário e Propagandesco, quer com quem encontra tempo para rasurar a verdade informativa e trabalhar ao serviço dos interesses daquele controlando as psiques mais fracas e necessitadas de tutela, capturando-as para as falácias fracturantes da legislatura e outras nuvens sem Juno. Lamento que vomite tão frequentemente por causa de Opiniões Sólidas e Fundamentadas e ponha os seus aclamativos a vomitar consigo numa emese colectiva num blogue aliás por vezes emético. Com sorte, com tanta anuência aclamativa fiel na missa de não querer ver a inconsistência geral do sr. Sócrates-Governo, o Jugular transborda de monturo. Não sabia ser este blogue um instrumento tão explícito de protecção activa aos tiques e deslizes fascizóides que perpassam as estruturas próprias e dependentes do PS-Governo. Não sabia. E com tanta gente inteligente que não passa sem cá vir prostrar-se adorativa a tentar coreografar uma existência o resto do tempo inexistente. Não sabia.

AL-QAEDA, VÔO FURTIVO EM PORTUGAL


Avanço a hipótese de que o piloto de esta aeronave provinda no Norte de África seja apenas um imigrante que não gosta de barcaças e travessias oceânicas sempre com mortos e com repatriados. A outra possibilidade é que se tenha tratado de um primeiro ensaio terrorista aéreo da Al-Qaeda, testando a prontidão das forças aéreas ibéricas, a sua capacidade de acção e, no solo, que competência se exerce nos cercos a fugitivos perigosos. Agora a sério, gostarei de ver que boa história terá a contar o piloto quando e se capturado, do que estamos autorizados a duvidar: «O piloto da avioneta forçada hoje a aterrar no Algarve por uma das aeronaves de combate F-16 da Força Aérea Portuguesa conseguiu escapar. A GNR cercou e evacuou o local e tenta localizar o homem com recurso a cães.De acordo com uma fonte militar citada pela Lusa, a aeronave civil foi interceptada por se “desconfiar que transportava droga” e obrigada pela Força Aérea Portuguesa (FAP) a aterrar no aeródromo da Praia Verde, no sotavento algarvio.»

IMPOTÊNCIA QUE CANTA DE GALO


O esforço do Governo português para salvar a Qimonda deve ser directamente proporcional à completa incapacidade e à mais crassa autopromoção de fazer o que deve. Não depende do Governo. Nada depende do Governo. Que mais poderia obter o 'esforço' halterofilista do Governo português, que é uma pulga no vasto corpo económico europeu, que não estivesse bem mais ao alcance do Governo alemão?! Enfim, parole, parole, parole. Propaganda, propaganda, propaganda! As pequenas e médias empresas conhecem bem o 'esforço' dilatório, selectivo e negligente do Governo no que toca a agir depressa e bem: «O Governo "tem feito tudo o que está ao seu alcance" para manter em funcionamento a fábrica da Qimonda, em Vila do Conde, garantiu hoje José Sócrates. O primeiro-ministro prometeu continuar a procurar uma solução para a empresa que se irá submeter a um processo de insolvência em Portugal, à semelhança do que já aconteceu com a "casa-mãe"."Estamos em articulação com a chanceler alemã e com o ministro presidente da Saxónia, no sentido de encontrar uma solução", afirmou o primeiro-ministro, no final da inauguração da Urgência Médico-Cirúrgica do Hospital de Famalicão.»

DO FACILITISMO DOS GRAUS ACADÉMICOS

“Quando toda a gente é alguém, ninguém é alguém!” (W. G. Gilbert). Em louvável oportunidade, no postDoutoramentos na hora”, chamou Helena Damião a atenção para a falta de pudor em haver mestrados e doutoramentos obtidos através de convénios entre escolas politécnicas portuguesas e universidades estrangeiras, como que a modos de casamentos por procuração sem os nubentes sequer se terem visto. Mesmo antes, aquando da passagem das antigas escolas do magistério primário a escolas superiores de educação, foi feito um protocolo com uma universidade de Boston que atribuiu mestrados em três meses de duração aos seus professores licenciados. Um dos contemplados na rifa foi Valter Lemos, actual secretário de Estado do Ministério da Educação e ao tempo professor duma dessas escolas do magistério primário. Naquilo que eu tenho hoje por “Antigas Oportunidades”, o mesmo aconteceu em escalões académicos de menor graduação, assistindo-se a casos de diplomados com cursos médios que frequentaram uns meses escolas "superiores” privadas, criadas à pressão para lhes venderam uma licenciatura. Depois, foi só ir até à vizinha Espanha, no dizer de Eça, “boa amiga, que dorme deitada a nosso lado o sono da indiferença, tendo por travesseiro os mesmos montes e por lavatório os mesmos rios”, para de lá regressarem, em menos de um fósforo, “mestre” e “doutor”. Razão dou-a, de boa mente, a Sophia de Mello Breyner quando escreveu: “Depois do 25 de Abril, tenho-me sentido tentada a escrever uma peça que se chamaria o ‘Auto dos Oportunistas’, mas que é impossível de escrever porque há sempre mais um acto”.“Sendo o cómico a intuição do absurdo, ele afigura-se-me mais desesperante do que o trágico”, escreveu Ionesco. E haverá coisa mais absurda e trágica para uma sociedade desenvolvida (ou que o pretende ser, pelo menos) do que a distribuição de graus académicos com quem distribui uma dádiva a um desgraçado ávido de subir na escala social, mesmo que à custa de golpadas?Como já escrevi noutro lado: “No estertor da monarquia o fascínio pelos títulos de nobreza concedidos a granel (a que o festejado Camilo não foi capaz de se subtrair, só descansando quando o fizeram visconde, logo ele que tanto criticara esses títulos) deu azo ao dito jocoso: ‘Foge cão, que te fazem barão! / Para onde, se me fazem visconde?’ Em nossos dias, com idêntica razão, desajustado me não parece parafrasear: ‘Foge gato. Que te dão o bacharelato! / Para que lado, se me fazem licenciado?’ Mas, em tempo algum, as licenciaturas tiveram como destino trágico servirem o ego da legião de desempregados…ou a exercerem profissões para que a seriedade do diploma da antiga 4:ª classe capacitava. E bem!” (Diário de Coimbra, 26/07/2001). Mas ia ainda a procissão no adro! Anos mais tarde, porque este triste panorama longe de tomar juízo nas cabeças que o permitiram e apadrinharam, voltei à carga em crítica a uma situação tanto ou mais grave do que a já referida. Escrevi então: “Mas porque, ao contrário do que nos legou o poeta, nem sempre se mudam as vontades com os tempos, acrescento desta feita: ‘Bate as asas canário/ Para além do bónus do mestrado / Não se trata de imaginário/ Com mais um pouco sairás doutorado!' Mas será que há a coragem e a vontade política em vencer um estado mórbido provocado por detractores do saber científico, mezinhas de curandeiros de uma falsa pedagogia e agravado por leis frouxas da responsabilidade de diversos governos ou simples declarações de boas/más intenções dos seus responsáveis? Nada há que uma boa purga não expulse cá para fora!” (Diário de Coimbra, 31/07/2005). Hoje pouco ou nada mudou quanto ao facilitismo dos graus. Mas será que custa assim tanto entrar no bestunto dos nossos governantes que, com isto para inglês ver e aumentar as estatísticas de gente "diplomada”, se está a hipotecar a respeitabilidade cultural e científica do país e a troçar da juventude que se esforça em ter um lugar ao sol numa sociedade ensombrada por diplomas a pataco?» Rui Baptista, De Rerum Natura

RUPTURA NA LÓGICA DE FACÇÃO

Faltavam pequenos sinais modernos de boa organização e boa gestão humana no Parlamento no plano interpartidário. O estilo quezilento e bloqueador em Sócrates é anacrónico e tanto um vício de forma como de conteúdo. Qual é a cultura residente na democracia parlamentar portuguesa? Deveria ser apoiar o que é recto e correcto para os interesses nacionais, com a valorização do envolvimento e participação criativa dos deputados encarados como actores "re­flexivos" que resistem aos que teimem em racionalizar e controlar os seus comportamentos no plenário, sem ter em conta a pluralidade e riqueza das suas dimensões humanas e sensibilidade. As obsessões gestionárias do Governo no modo de conceber a vida democrática e parlamentar são anacrónicas e é simplesmente por isto que o entendimento alargado quanto à Fiscalização Sucessiva do Mapa Judiciário é um excelente sinal de ruptura da lógica de facção porque baseada na percepção comum quanto aos sinais preocupantes nele-Mapa inscritos: várias inconstitucionalidades por violação do estatuto de autonomia do Ministério Público. A obsessão facciosa, tão cavalarmente praticada pelo PS-Governo, que subjuga inteiramente o PS-Parlamentar, uma sombra aliás de quantas expectativas de verdade e serviço directo ao povo e às pessoas nele foram colocadas: «O PCP vai pedir ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva do Mapa Judiciário e conta com o apoio do histórico socialista Manuel Alegre, do Bloco de Esquerda e de quatro deputados eleitos pelo PSD (Pignatelli Queiroz e Nuno da Câmara Pereira do PPM e Pedro Quartin Graça e Luís Carloto Marques do MPT). [...] No parecer, datado de 16 de Fevereiro de 2009, lê-se que a reforma promove uma “intensificação material da hierarquia interna, mediante a alteração das regras em matéria de nomeação dos magistrados”. “A opção legislativa por um sistema de promoção preferencialmente assente num acto de nomeação sob proposta conduz à criação de uma situação de confiança (ou, noutra perspectiva, de dependência) excessiva entre os diversos patamares da organização interna do Ministério Público”, defendem.»

DÉFICE, FANTASIA FUGIDIA E FICÇÃO


O processo de mitificação e sublimação dos números nesta Legislatura não tem paralelo. Todas as vitórias económicas, todo o propalado controlo inédito e inaudito das contas públicas provam-se pífiosl, falsos, resistem pouco ou nada à realidade desvendada gradualmente, apesar das doses massivas de Propaganda. Mas o paradoxo é a sensação com que se fica. A de que a essa mesma Propaganda Enganosa e Oca do PS-Governamental dará de novo Portugal a Sócrates. Entre todos os esmagados e maltratados pela Realidade que Sócrates construiu, só ele permanece de pé e incólume, apesar do seu Desastroso Desempenho e ainda mais desastrosa actuação 'democrática'. Por outro lado, pode acontecer ser essa mesma intoxicação de Propagada a humilhá-lo eleitoralmente em virtude do excesso. Excesso de Ficção. Excesso de Fantasia: «O Instituto Nacional de Estatística (INE) anunciou hoje que o défice público durante o ano passado se situou em 2,6 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Este valor fica acima dos 2,2 por cento que eram estimados pelo Governo para o ano passado e representa a manutenção do mesmo desequilíbrio nas contas que já tinha sido registado em 2007. O INE, nos números que são agora enviados para o Eurostat, calcula ainda que a dívida pública no final de 2008 se situava em 66,4 por cento do PIB. Para 2009, o Governo continua a prever um défice público de 3,9 por cento do PIB.»

"LANCET" O QUE QUER É PESO


Certas bocas publicitadas não passam de passes publicitários que visam encaixe e sobrevivênca: conceituada ou não, o que a "Lancet" quer simples e chama-se 'divulgação' Confundir o plano da ciência com o plano do sentido não é honesto. Por muito eficaz que o preservativo fosse, se perturbasse o sentido, se obstaculizasse a plenitude do sentido, não servia. O Preservativo defende o ser humano da SIDA. Não o defende da desordem ou de uma cultura promíscua e cheia de hábitos supersticiosos absurdos a partir dos quais medra, agrava e explande precisamente o problema da SIDA. Perante a crise generalizada de quase todo o tipo de publicações diárias, ou as salva a polémica tablóide, que vende sempre, ou as salva a retracção impressa em favor da dimensão virtual. Ao concitar da parte do Papa uma retractação, a Lancet não quer senão atenção, carinho ou, como se costuma dizer entre o povo, o que quer é 'peso': «A revista "Lancet", uma das mais conceituadas publicações médicas do mundo, acusou o Papa de ter distorcido as provas científicas sobre o uso dos preservativos, exigindo mesmo que Bento XVI se retracte das polémicas declarações proferidas durante a visita que fez a África na semana passada. [...] “Não é claro se o erro do Papa se deveu à ignorância ou a uma tentativa deliberada de manipular a ciência”, avaliava a publicação, acusando ainda o Vaticano de “tentar dar a volta às palavras do Papa, alterando ainda mais a verdade”.»

PGR APIEDA-SE DE MARINHO


Compreensivelmente, o PGR, enquanto grande atenuador e minimizador das grandes implicaturas consabidas do Caso Freeport, bem percebidas pelos cidadãos com um palmo de testa, vem apiedar-se de Marinho Pinto. Apieda-se porque sabe que, com o seu artigo livre e no qual escreve o que quer, tal como nós, o Bastonário fustiga o Processo Freeport nos seus fundamentos, a PJ no seu papel e o Ministério Público. Porque o faz, é, por sua vez, fustigado neste preciso momento por quase toda a Opinião, Imprensa e Bloga! Porquê?! Por se centrar na arquitectura e urdidura do Processo e não no respectivo conteúdo. Por obliquar em direcção a um papel de Defesa, atacando com as fragilidades orgânicas de constituição de uma Acusação. Estar sob fogo não é agradável. Por isso mesmo, a PGR tem piedade de Marinho Pinto. Compreende. Não comenta, nem contesta nem contraria o artigo do Bastonário da OA. Talvez pense precisamente da mesma forma porque em boa hora agiu semelhantemente. A PGR foi válvula de alívio do Grande Ilibado. Marinho Pinto exerce esse mesmo papel. O de Válvula: «O procurador-geral da República (PGR) considerou hoje que estão a fazer "um romance" à volta do processo Freeport e disse que o artigo do bastonário da Ordem dos Advogados não vai em nada interferir na investigação."Estão a fazer um romance à volta do caso Freeport, que é um processo em investigação como há mais cerca de 500 mil. Porém, gostaria que logo que seja possível tudo será tornado público", afirmou Pinto Monteiro em declarações à Lusa. "Logo que seja possível, gostaria que o processo fosse completamente aberto ao público e que todos os cidadãos tivessem acesso para que, de uma vez, ficasse tudo esclarecido", sustentou.»

MARINHO-MULETA DO GRANDE ILIBADO


A que estranho papel se presta Marinho Pinto! Perante os factos gravíssimos já do domínio público, tão graves e altamente implicadores de José Sócrates, o Grande Ilibado, não tem qualquer pertinência nem relevância determinar a natureza anónima ou não anónima da denúncia. Interessa aferir as reais responsabilidades dos implicados e não as dos mensageiros e urdidores da denúncia. Marinho Pinto escandaliza-nos tanto mais redobradamente quanto a verdade é que os corruptos são postos em liberdade ou os seus processos congelam e marinam, mas rapidamente se prendem, vexam e assediam aqueles agentes da PJ e outras pessoas que ousaram Violar o Segredo de Justiça ou Romper com o Muro Protector de Silêncio sobre o crime económico. Casos e mais casos não dariam em nada sem o seu zelo e transcurso do respectivo risco e conveniente limite. Azar se é em associação que se organiza uma carta. É a democracia e é o desejo de Justiça que nos percorre e não ocorre. Perguntemo-nos quem é que está preso e é acusado por romper com os interesses instalados, por se insurgir contra a captura da Justiça por parte de um poder político capaz de tudo para se salvaguardar acima e para além da verdade e dos factos que o implicam?! A verdade e os factos não exigem outra coisa senão Justiça. Em segundo lugar, Marinho Pinto, tal como outros, tem enveredado por descabeladas generalizações no ataque sistémico efectuado a juízes e à PJ. Marinho Pinto não pode ser faccioso. A escolher, escolhe-se a verdade aferida, escrutinada e apurada. Não a compaixão com o sr. Sócrates, o Grande Ilibado Permanente em Portugal, argumentando acerca do oportunismo eleitoral da denúncia anónima. Em suma, o dr. Marinho faz política. E, porque a faz, afasta-se do estrito âmbito da Justiça que lhe deveria interessar para além de tudo. Essa Justiça que aliás falece e jaz enterrada todos os dias em Portugal. Tudo e todos a vitimam e a adoecem de reumatismo, gota, tuberculose, cancro e pneumonia. Com esta conversa, Marinho Pinto mais não logra que se colocar ao serviço a 'Justiça' dos Fortes ao dar a tão morta entidade alegorizada agonizante, mais um daqueles enxertos de porrada a ver se aprende a não desconversar do correcto. A política do Poder Plenipotenciário agradece. São gestos singelos como este de Marinho que sublinham o porquê de a Justiça continuar o grande defunto bloqueador e nunca acabado de enterrar da nossa 'democracia: «O bastonário da Ordem dos Advogados afirma que a carta anónima que deu origem à investigação do caso Freeport foi combinada entre o autor e alguns elementos da Polícia Judiciária (PJ). "A situação, já de si insólita, adquire contornos algo preocupantes, porquanto a ideia da carta 'anónima' parece ter surgido num contexto de encontros e reuniões entre inspectores da PJ, jornalistas e figuras políticas ligadas ao PSD e ao CDS", escreve Marinho Pinto na edição de Abril do Boletim da Ordem.Marinho Pinto diz que a carta anónima foi combinada entre os seus autores e alguns elementos da polícia. No Boletim da Ordem dos Advogados de Abril, o bastonário critica fortemente a actuação do Ministério Público e da PJ no caso Freeport, num artigo de quatro páginas com o título "A carta anónima que incriminou Sócrates foi combinada com a PJ".»

AVELINO: MÁRTIR, VÍTIMA, INOCENTE!

Há qualquer coisa de medieval no que vemos e ouvimos ser tomado por Justiça um pouco por todo o lado. Avelino Ferreira Torres, esse grande absolvido de 2009, pertence claramente a essa tal profundidade medieval indescritível de um Portugal imortal, bonecreiro, pantomineiro em todas as frentes. E hilariante em coisas sérias que ninguém respeita de todo. Símbolos com que nos rimos e desistimos: histrionicamente, Avelino avulta como cromo irrepetível na colecção farfalhuda portuguesa. O Portugal dos grandes benfeitores locais, tão corruptos como toda a gente por todo o lado, mas muito mais dados ao sentimento sentido de martírio e à paranóia, revertem-se efectivamente em Mártires e Inocentes acima dos demais e com o aplauso deles. Terão sempre direito ao seu momento de desagravo público, de dedo em riste contra denunciantes e detractores. Triunfarão com a sua verdade. Pensar que o Interior nos tem dado uma profusão de estas personagens! Que farta cópia: de Vilar de Maçada a Felgueiras, de Felgueiras a Braga, de Braga a Oeiras, de Oeiras a Gondomar, de Gondomar a Marco de Canavezes, o País é um ovo: «Avelino Ferreira Torres acaba de ouvir o acórdão que o absolveu de seis crimes (corrupção, peculato de uso, abuso de poder e extorsão) que lhe eram imputados. “Esta decisão fundamenta-se na prova produzida nesta sala e não no que se diz lá fora e no inquérito”, afirmou a juíza presidente Teresa Silva.»

OBAMA — EUROPEAN HEALTH CARE SYSTEM


Perante uma pergunta tão curiosa como a que está no ecrã e à qual Obama certamente terá querido responder — «Por que motivo não podemos nós [norte-americanos] ter um sistema universal de serviços de saúde, como acontece em muitos países europeus, nos quais as pessoas são tratadas em função das suas necessidades, muito mais que em função dos seus recursos financeiros?» — gostaria que fosse o António de Almeida, armado com o seu melhor argumentário liberal passepartout, a responder.

quinta-feira, março 26, 2009

PERVERSA ENGENHARIA DAS ALMAS


Penetrante e exacto, como só ele, Eduardo Cintra Torres: leio-lhe a análise substancial ao anúncio torpe da Antena 1 e medito na força dos seus argumentos e da sua perspectiva. Faço também muito boa ideia do sofrimento, e em certa medida da solidão incontornável, que habita um homem intelectualmente grande, como ele, para poder falar com pleno desassombro acerca do que mais ninguém ousa e poucos saberiam. Saber que vê agudamente o que mais ninguém consente em ver e depois exercer a muito justa e urgente crítica aos abusos e censuras governamentais que se vão tolerando como se não existissem. O Eduardo é ainda das poucas vozes proféticas que ainda remam contra a maré lodosa de oprimência espiritual e comando de vontades que se instala no Portugal de Fantasia patrocinado expressamente pelo sr. Sócrates. E quem é o sr. Sócrates senão o homem que se contempla continuamente e a cujos olhos semelha ser muito mais importante ele que o País ao qual limpa as solas?! Eduardo Cintra Torres, não me canso de o escrever, é outro raro português a afrontar um estado de coisas que impregna as almas de 'deixar correr'. É um Homem da Têmpera Antiga Portuguesa, que nenhuma Situação poderá rasurar. Haverá quem o não consinta. Sei que não o consentirei: «O anúncio da RTP à principal rádio do Estado, a Antena 1, tinha uma mensagem claramente política, sendo absolutamente evidente o seu ponto de partida contra manifestações antigoverno. Está tudo tão errado neste caso que é difícil resumir todos os erros. O horror começa na agência publicitária BBDO. Para criar um anúncio de promoção da rádio de “proximidade”, inventou um diálogo entre um imaginário ouvinte, o “Rui”, com uma nada imaginária Eduarda (Maio), subdirectora de Informação da Antena 1 e uma das principais vozes desta estação do Estado na qualidade de “jornalista”. O anúncio é político. O “Rui” está no carro, no meio do trânsito; Maio diz que a emissão passará dentro em pouco para o debate da tarde no parlamento. A cena passa-se às 11h23, o que torna o anúncio errado em termos da sua própria realidade (não tem havido manifestações de manhã). Maio dirige-se ao “Rui” dizendo-lhe para não seguir por certa rua, cortada por causa duma manifestação. O “Rui” não sabia. Subentenda-se: ele é o cidadão que não liga a “politiquices”, só quer ir trabalhar (enfim, às 11 e meia da manhã), é para quem o governo trabalha, enquanto a manifestação está “contra” o Rui, contra quem trabalha. O “Rui” pergunta: “E desta vez é contra quê?” Nota-se no texto um a priori contrário a manifestações de oposição ao poder instalado, pois não sendo obrigatório que as manifestações sejam “contra”, o texto posto na boca do “Rui” e de Maio aponta para aí. Isto é, autores e intérpretes assumem uma posição contra as manifestações e, por arrasto, a favor do governo, o alvo das manifestações “contra”. Mais grave é a resposta de Maio: “pelos vistos é contra si”. Acrescentando depois: “contra quem quer chegar a horas”. Isto é, a jornalista Eduarda Maio, subdirectora de Informação da Antena 1, declara que manifestações contra o governo são contra os cidadãos. O texto em off também é incrível, dado que, depois deste diálogo opinativo, fala dele como indicador de que a Antena 1 dá a “actualidade” informativa. A gravidade deste anúncio é enorme, residindo em especial no facto de o anunciante ser uma estação pública, paga pelos contribuintes e dependendo do governo. O anúncio é não só anticonstitucional no seu teor contra as manifestações, como disseram os provedores da rádio e TV da RTP, como, pior ainda, é a favor do governo. O anúncio é protagonizado por uma jornalista que é, para cúmulo, uma das responsáveis da estação. É gravíssimo que Eduarda Maio tenha dado voz a este anúncio, aceitando o seu teor. A sua desculpa posterior (limitou-se “à leitura em estúdio de alguns textos”!) é vergonhosa. O anúncio é eticamente inaceitável para qualquer jornalista e, em especial, duma estação pública. O reclame foi visto e aprovado pelos responsáveis da rádio e da TV, ninguém levantou qualquer problema ao conteúdo do anúncio, pelo contrário, todos aprovaram um anúncio claramente político, contra manifestações e de tom favorável ao governo. É inacreditável e inaceitável o comportamento da BBDO, de Eduarda Maio, da direcção de Informação, da direcção de Programas da RDP, da RTP no conjunto. Marina Ramos, ex-jornalista e agora porta-voz da RTP, limitou-se a dizer que o anúncio promovia um género de programas e que foi aprovado. Parece que estamos numa ditadura, em que as pessoas fingem que não pensam, engolem, e apresentam-se como não responsáveis pelos seus actos. Só depois de os provedores, Paquete de Oliveira e Adelino Gomes, proferirem um comentário devastador para o anúncio, a Administração da RTP o mandou retirar de antena. Segundo li, Eduarda Maio ainda veio acusar o Público de “manipulação” (!) por ter ilustrado uma notícia sobre o caso com uma foto do lançamento do seu livro panegírico de inesquecível título, “O Menino de Ouro do PS”. Como se fosse possível dissociar a Eduarda Maio que é responsável numa estação do Estado (e do Governo) da Eduarda Maio que faz um anúncio contra os adversários do governo e da Eduarda Maio que fez um livro de pura propaganda do chefe do governo. O mais grave de tudo? Isto ter sido possível num regime democrático e ter como protagonistas jornalistas, ex-jornalistas, publicitários que deveriam ser cuidadosos e dirigentes empresariais que costumam ter cuidado com as matérias políticas. E foi possível devido ao ambiente de sufoco das liberdades, de acção continuada e extensíssima de uma central de propaganda do governo, e à cumplicidade, anestesia, medo ou complacência da classe jornalística nos media dos Estado. Só após quatro anos de um governo inimigo da imprensa livre e fautor da mais massiva propaganda do pós 25 de Abril, um anúncio destes pôde chegar à TV do Estado. Uma coisa assim não acontecia desde 1975. É uma lição sobre o ponto a que pode chegar, numa democracia, a propaganda e a “engenharia das almas” do tipo fascista.»
lkj
Eduardo Cintra Torres, Jornal de Negócios
(Reprodução textual transcrita via Portugal dos Pequeninos e destaques meus).