PROXENETISMO POLÍTICO-BANCÁRIO

Entre as coisas que mais revolta faz germinar em Portugal, destaca-se, sem hesitação, o que passo a apodar de 'proxenetismo político-bancário' — formas de traficar favores em função de critérios esconsos legais mais imorais; formas de facilitar situações obscuras de favorecimento injustificado; formas de branquear os comportamentos mais reprováveis, no plano do dinheiro, aos olhos dos cidadãos; formas de usar de dualidade obscena de critérios perante fortes, se e quando enfraquecidos, e perante fracos em risco de se tornarem ainda mais fracos — porque permite e cala todas as trafulhices, todas as arbitrariedades e negociatas mal explicadas ou sequer explicadas de todo. O proxenetismo político-bancário recrudesceu, aprimorou-se e despudorou-se como jamais em Portugal. A fome de verdade e transparência urgentes, neste como noutros domínios, aterroriza esta gente quer deseja um secretismo negocialeiro, mesmo sendo a grande massa de contribuintes que lhes permite operar e afinal faz subsistir sobretudo a CGD, mas indirectamente o BCP e todos os demais do sistema com os seus falidos e feridos de Crime, Ilícito, Abuso ou Descontrolo Especulativo consabidos até ao momento, BPN e BPP. E nem o facto de o Ministro Lino, pouco convictamente, diga-se, ter vindo ontem apelar à transparência e à moderação salarial dos quadros da PT, como exemplo, acalma o escândalo generalizado e surdo de que a sociedade suspeita ou mesmo chega a saber, graças a transvazes informativos do grande caudal oculto e que circulam de e-mail em e-mail. A velha ética bancária e mesmo política, dizem os mais velhos e probos, foi consumida pelos favoritismos amigalhaços, pelo apetite incomparável com que este PS socratinesco devora tudo e tudo domina, bem simbolizável na grandiosa pose escarninha e amaneirada com que o PM desdenha de tudo e de todos, sobretudo no Parlamento. Isso, enquanto milhares de portugueses* no lado errado da economia, no lado errado do trabalho mal remunerado, precário ou inexistente, do lado 'errado' da mais límpida e respeitadora ética, padecem as necessidades mais elementares e as humilhações mais indescritíveis. Sobre tal sordidez prostibular a que chamo proxenetismo político-bancário, de vez em quando há a refrescar alguma informação e outros tantos exemplos: «Por falar em devoristas, estes quatro anos também ficam marcados pelo desmesurado "interesse" do governo (e do partido do governo) pela actividade bancária, inversamente proporcional ao "interesse" da supervisão do camarada Constâncio a partir do seu quentinho do BP. A nacionalização do BPN, o descalabro do BPP, a intervenção da CGD e a mudança na administração do BCP são momentos que só lá mais para diante se perceberão convenientemente, isto se alguma vez se conseguir perceber alguma coisa. A tranquilidade de certa gente - comum ao PS e ao PSD, ou seja, ao regime -, para não falar da impunidade de muitos que nós jamais conheceremos, é um sinal a seguir. A seguir porque já há demasiado dinheiro dos contribuintes metido nisto e, por exemplo, não temos nenhuma garantia de que, de hoje para amanhã, o Estado não se lembre de nacionalizar o BCP. As chorudas remunerações dos seus administradores, denunciadas no parlamento pela oposição, ruborizaram por breves instantes o admirável líder. Até porque foi recordado o nome de um seu "amigo do peito". Sócrates, se repararam, prometeu estar "atento" o que, traduzido em "regimentês", quer tão simplesmente dizer que nós, contribuintes, cá estaremos para o que der e vier. Até quando?»
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*Desempregado e Objector do Regime, enquanto imoralidade injusta, realidade 'democrática' degradada e entidade trucidatória dos mais frágeis, sobretudo com o actual consulado governamental, tal é a minha situação presente e recorrente, mas somente nos últimos 4 anos de purgas e vesgos experimentalismos brutais na Docência. Não me deixo destruir ou envergonhar nem sequer devastar interiormente por essa Peste Desumanizadora e Estigmatizante. Não interesso nem sou valorizável como capital humano, como soldado da sedimentação de saberes e opções estruturadoras indeléveis pelo Prazer do Conhecimento em Portugal, mas mais um peão hostilizável pela lama apoucadora do socratismo e desprezível aos seus olhos? Também nunca deixarei de ser um soldado da Opinião Livre e do Activismo Cívico enquanto houver Portugal. Procuro Resistir e Escrevo. AQUI. É por isso que mantenho uma janela aberta 24 sobre 24 horas que acolhe a generosidade anónima, a qual desde já agradeço. Obrigado a quantos, via Paypal ou outra, tanto e tanto me têm ajudado.
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Cumprimentos
Manuela Diaz-Bérrio