JOGOS ABORTIVOS PS/PSD

Embora simpatize com o constitucionalista Jorge Miranda e admire imenso o que diz quando consultado pelas TVs para esclarecer qualquer questão pertinente, parece-me que o seu nome é mais um que se queima e soma ao massacre de nomes de este impasse. Depois de deixarem pendurado no cargo o provedor interino, agora assa o PS esta abortada propositura porque a revela e assa-a o PSD porque a rejeitou. Certamente que às aselhices continuadas e paneleirices do PSD têm-se somado a poligamia pragmática e apetitosa do PS pelos cargos, com vastas sodomias controleiras a varar o tabuleiro dos interesses comuns do Centrão Voraz: nem vale a pena estender o amplo lençol da interessadoria de esses falcões gémeos, desde a Galp à Banca, lençol que cobre a cabeça dos homens do regime (afogados em ganhos e proventos, esse pessoal médio e alto do PS há quatro anos posto a mamar em sossego e à grande, um pessoal sempre a rodar), mas lençol que também nos descobre os pés a todos, para não dizer que nos violenta completamente a doer e sem paneleirices. Se o PS joga com as oposições o jogo hegemónico do gato e do rato e passa a vida a ostentar vitórias negociais, chantageadas e imposicionárias, por tudo e por nada, por que não haveria o PSD de jogar com o PS o jogo do empurra, do toca e foge, dos polícias e ladrões?! O Regime, esse de há muito que vai conspurcado com a falta de verdade, de lisura, de respeito pelos valores moralmente mais higiénicos e que qualquer português bem educado se habitou a respeitar. Por exemplo, o pânico do Dr. Soares com putativos levantamentos populares violentos, num futuro próximo, em virtude das enormes dificuldades colocadas pelo desemprego e por um fisco desmesurado, por contraste com os crimes bancários premiados e bonificados com o dinheiro dos contribuintes, tudo isso sintomatiza bem o que passa pela cabeça de quem não pode dizer tudo o que sabe nem tudo o que vê de grave a alastrar. Alertam as autoridades e as instituições os mais independentes, os mais pobres e os mais lúcidos. Alertam-nas também mais os mais obesos na própria consciência com os seus terrores e aflições patrimoniais. Já alguém reparou que a saúde do BCP não augura nada de bom, a não ser também a sua iminente nacionalização, a julgar pelo esforço que é feito para que as suas acções se mantenham acima dos 0,60 na Bolsa de Lisboa?! Não seria mais fácil morigerar os vencimentos do "Dr". Vara e de todos quantos estão por lá a reproduzir o efeito AIG em Portugal: mamar, mamar sempre, mamar até que a embocadura lhes doa. Se tudo o mais rebentar, rebentou, que os portugueses estão cá para pôr a mãozinha. Enfim, guerras de Alecrim e Manjerona na questão do Provedor de Justiça que de nenhuma justiça se sente provido. Problemas que alastram graves no País sem abrandamento dos tiques tiranóides e messianóides no PM. Sinais obscenos que prevalecem no que se paga aos executivos da Banca em Portugal e noutras instituições nacionais sonantes, sempre com lucro e tal, apesar do crash produtivo, industrial, quando toda a actividade económica se retrai e regride como um pénis carcomido de cancro é absorvido e desaparece no resto do corpo. Talvez só o SIS privativo do PM o mantenha em sossego para que possa continuar recalcitrante e indiferente ao estado de bolso e de espírito das pessoas que estão rente ao chão e nos seus limites. Possivelmente, o mesmo SIS privativo garante-lhe hora a hora que ninguém por cá conspira insurgências de monta contra o regime e os seus abusos, contra o desemprego dos licenciados e altamente especializados e altamente desdenhados, contra o estado deplorável das coisas essenciais, contra a falta de vergonha e de verdade de quem decide sem ouvir um leque alargadíssimo de forças, opiniões, pareceres, contra a escandalosa falta de unidade no essencial entre as diversas forças políticas e cívicas, em tempos incertos. Talvez lhe vão dizendo tranquilizadoramente que, apesar de tudo, ninguém por cá conspira e, se conspira, não é de temer. Nada que não se possa controlar não apenas à nascença, mas no preciso momento da fecundação. Tirânico, autoritário, fascizante, no detalhe e no grande plano, Sócrates nunca foi tão 'popular' por isso mesmo, apesar do atrevimento dissonante da TVI.
Comments
J N - 10Mar2009
A crise quando chega toca a todos e eu já não sei se hei-de ter mais pena dos milhares de homens e mulheres que por esse país fora todos os dias ficam sem emprego se dos infelizes gestores do BCP que, por iniciativa de alguns accionistas, poderão vir a ter o seu ganha-pão drasticamente reduzido em 50% ou mesmo a ver extintos os por assim dizer postos de trabalho.
A triste notícia vem no DN: o presidente do Conselho Geral e de Supervisão daquele banco arrisca-se a deixar de cobrar 90 000 Euros por cada reunião a que se digna estar presente e passar a receber só 45 000; por sua vez, o vice-presidente, que ganha 290 000 anuais, poderá ter que contentar-se com 145 000; e os nove vogais verão o seu salário de miséria (150 000 euros, fora as alcavalas) reduzido a 25% do do presidente. Ou seja, o BCP prepara-se para gerar 11 novos pobres, atirando ainda para o desemprego com um número indeterminado de membros do seu distinto Conselho Superior. Aconselha a prudência que o Banco Alimentar contra a Fome comece a reforçar os "stocks" de caviar e Veuve Clicquot, pois esta gente está habituada a comer e a beber bem.