ESTADO CLEPTOFISCAL FAZ ROBINWOOD


Não fosse a deriva extorsionista do Estado, a sua imoderação fiscalista sem equivalente esforço na contenção da despesa, Estado que prefere cair sobre as empresas a exercer morigeração salarial ao mais alto nível, quer no âmbito quer fora do âmbito das suas competências nos organismos de Estado e nas parcerias, não fossem essas medidas anunciadas por toda a Europa, mas por cá retardadas de abaixamento urgente de impostos, não fosse tudo isso e o habilidoso português, o admirável engenho português sempre pronto a competir com um sistema injusto e a ensaiar desobediências criativas, não se sentiria tão atraído para o ilícito, embora este seja inevitável. Devemos ter a noção de que estas tácticas de fraude à maneira de Robin dos Bosques mais egoísta e ganacioso, e que atacam o Estado num ponto crucial da sua viabilidade, são um facto alargado e enraizado na nossa sociedade, tem um timing intenso, mas curto de actuação e cujo desenlace é uma antecipação ao Fisco e às Polícias a tempo de os prevaricadores se mandarem para a China ou para o Brasil até que a coisa prescreva e se esqueça. A cleptocracia de Estado, mediaticamente abafada, por isso discreta e escondida à portuguesa tem nestes crimes o ser reverso. Em todo o caso, este bando de Leiria e outros, muitos outros, parecem bastante mais céleres que as medidas anunciadas pelo Governo e continuamente por engrenar. Exemplo de uma elas, posso estar errado, mas desde quando se deixou de falar ou ouvir falar da Taxa Robin dos Bosques? E não é verdade que as gasolineiras continuam com os mesmos tiques abusivos, praticando preços desonestos em face das lógicas com que sempre os justificou: «A Polícia Judiciária de Leiria anunciou hoje que 53 pessoas foram constituídas arguidas no âmbito de um processo de fraude fiscal, que culminou na produção de facturação falsa no valor de 15,2 milhões de euros. Dezasseis dos arguidos foram detidos, ficando sujeitos a medidas de coacção. Segundo o Departamento de Investigação Criminal de Leiria da PJ informou que a investigação “versou um grupo organizado de indivíduos que angariavam sociedades comerciais a quem forneciam facturação”, disse em comunicado. O objectivo dos arguidos era "reduzirem a base tributária de IRC" e de enriquecerem "com o valor do IVA".»

Comments

Popular Posts