AIG E COMPADRIO PORTUGUÊS


A competitividade dos outros países tem passado também por ser aliciante no que paga e na inteligência com que se promove e faz vender. É conhecido o assédio aos melhores e mais promissores profissionais, alunos universitários, pelas empresas, como cultura dominante nos Estados Unidos, assediados aos quais se paga bem, antes que a concorrência os arrebate. Por que motivo se antecipa a SONAE ao Estado nos sinais dados com o congelamento dos vencimentos dos gestores? Será suficiente congelá-los? Não urgirá reduzi-los? A fórmula mágica dos outros deveria ser a nossa. A nossa fórmula mágica, essa dos baixos salários na base e inflacionados no topo, de mágica nada tem e os resultados da divergência com a UE estão à vista. O compadrio de Estado permite que haja altos gestores a mais ganhando de mais na Galp e metidos em sinecuras aí por puro compadrio. Tem-se falado há dois anos do fosso abissal entre os melhor pagos e os pior pagos em Portugal, como uma vergonha insustentável. Governo e Galp e demais parecerias público-privadas aos costumes disseram e têm dito nada. A produtividade tem sido, quanto a mim, o bordão de conveniência para a cultura miserável e miserabilizante que é praticada cá pelo empresariado que eu conheço e de que posso falar como amostra da cultura negreira dominante em Portugal. Pontualmente, lá surgem algumas empresas com uma mentalidade mais arejada e menos pestífera, sendo que a peste consiste em explorar os trabalhadores, fugir ao fisco com a compra de Mercedes e mais outro, fechar a empresa por insolvência, vender a maquinaria, abrir negócio noutro lugar e assim sucessivamente. Claro que com trezentos inspectores do trabalho estas características negreiras nacionais e outras como estas sempre ficarão na penumbra. O tempo provará que haveria um outro caminho antes do derradeiro colapso: remunerar bem a base laboral, respeitar aquele que trabalha, socializar o lucro, evitar as aventuras especulativas. Agora que os CEOs obscenos da AIG finalmente terão de regurgitar os bónus indevidos, pergunto-me se falta muito até que vejamos os gestores do Estado, além do caso da Sonae, a fazerem o que devem, a saber, congelar ou diminuir os seus salários há tempo de mais inflaccionados: «O comité judicial dos Estados Unidos, controlado pelos democratas, aprovou uma lei destinada a recuperar os 165 milhões de dólares (cerca de 127 milhões de euros) pagos pela seguradora AIG aos seus executivos.Segundo a agência Reuters, esta lei irá ainda autorizar o procurador-geral dos EUA a pedir a devolução de compensações excessivas anteriores recebidas por funcionários de empresas ou instituições que receberam mais de dez mil milhões de dólares em ajuda do Governo norte-americano.»

Comments

Jorge Abreu said…
Ainda que não seja possível travar todos os usurpadores que arrecadam grandes fortunas sob a capa do titulo de "Super profissionais", os Estados Unidos, enviam uma mensagem muito importante ao mundo com esta medida.
Alguém teve a coragem de sobrepor o moralmente correcto ao legalmente aceitável.

Hoje, fiquei triste com o nosso primeiro ministro quando ouvi dizer que a banca pode pagar os prémios que entender, porque está a pagar pelas garantias que lhe foram cedidas pelo estado Português. Dessa forma o Governo, não deve interferir na gestão privada.

Legalmente aceitável, mas moralmente correcto ?
Uma entidade que recorre a apoio dos contribuintes, para garantir a solvabilidade, vai de seguida aumentar os honorários dos seus gestores?

Não se deveria ter enquadrado e precavido esta questão e outras similares, no acto da cedência das garantias do estado às empresas e banca ?


Temos mais uma vez a era do facilitismo igual ao dos apoios da CE que foram esbanjados em vez de aplicados.

Bem hajam !!