MFL E A PLAGIATURA GOVERNAMENTAL

A sugestão de MFL está de tal modo enunciada que nos faz sentir ser o PSD, através dela, nesta matéria, uma espécie de porta-voz da demais oposição, sendo certo que, em tempos tão conturbados, as oposições têm, no plano pragmático das medidas mais urgentes e imediatas para a economia, a demarcá-las quase nada e a uni-las quase tudo. Vejam-se os pontos de coincidência construtiva entre PP e BE e PCP recentemente apresentados e veja-se como o PS de mais não parece ser capaz senão da irredutibilidade mais viciosa ou da plagiatura mais descarada. Como se, em bloco, toda a oposição convergisse unitariamente em face do monolitismo já hipersensível e desgastado do PS governamental. Por isso mesmo, é mais fácil antecipar um acordo entre o PSD, BE, PCP e PP que permita a defesa de um nome comum, realmente negociado e provindo das Oposições, ainda que a escolha do detentor de este cargo incumba, por via constitucional, exclusivamente ao PS governamental e ao PSD maioritário entre as oposições. No fundo, perante tal cenário, o PS poderá continuar a bloquear, como continua, qualquer desfecho para esta miseranda situação, mas ficará muito mal na tal fotografia democrática que não se tem cansado de borrar:«A presidente do PSD insistiu hoje que a indicação do próximo Provedor de Justiça deve caber à oposição e disse aguardar "o necessário consenso" do PS à proposta que o partido apresentou no final do ano passado.Numa declaração aos jornalistas na sede do PSD em Lisboa, Manuela Ferreira Leite escusou-se a revelar quem foi a personalidade indicada pelo partido para suceder a Nascimento Rodrigues no cargo de Provedor de Justiça, alegando que "não interessa discutir nomes", mas esclareceu que não se tratou de Laborinho Lúcio, "que já foi indicado há uns anos e não passou no Parlamento".»
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