ERROS DE TRUNCATURA

1. Que o ME não mereça absolutamente nenhuma confiança dos professores é um dado. Que, precisamente por isso, reste ao refugo do Saber e ao refugo da Competência as empreitadas técnicas de que o ME o incumbe é outro. Os jogos em pretoguês no Magalhães o sintoma. Mais um. Pela primeira vez, em séculos homologamente talvez. Mas o mais espantoso é que este galheteiro de grunhos se conserve impávido e sereno em funções. Deve ser pelo facto de terem a tutelá-los a fajutice desonesta e espertíssima em pessoa. São milhares que não vêem a hora em que meras eleições corrijam e desalojem esta corjada. Corrupção é também isto: o triunfo consacratório, provisório ou não, do erro como caminho natural neste Ministério da Educação. Tudo é erro. Erros de todo o tipo, erros a todo o instante. Erros nos exames. Erros nos dados experimentais e nos valores dos parâmetros; erros sistemáticos, aqueles que actuam sempre no mesmo sentido lesivo dos professores e podem ser eliminados mediante uma selecção de aparelhagem, do método e condições de experimentação, isto é, nova gente e ideias novas: substituir liminarmente esta ADD, que é um Erro Grosseiro; erros fortuitos com origem em causas indeterminadas que actuam em ambos os sentidos de forma não previsível, que podem ser atenuados, mas não completamente eliminados; erros de truncatura, que resultam do uso de fórmulas aproximadas, ou seja, uma truncatura da realidade. Por exemplo, quando se tomam apenas alguns dos termos do desenvolvimento (professores, avaliação) em série de uma função, como chaves de tudo; erros de arredondamento, que resultam da representação de números reais com um número finito de algarismos significativos. A legislatura ilustra toda uma teoria do Erro. Uma legislatura e um Ministério estalinizantes, errados, completamente errados. Só mesmo o ME, aliás, como o único que não compreende nem assume que está errado, pode gerar, reproduzir e abençoar o erro perante o qual exprime eufemisticamente 'surpresa': «O secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, disse hoje, em Alcobaça, que os erros de português detectados em jogos pedagógicos no computador Magalhães foram "uma surpresa"."Foi para mim uma surpresa. Naturalmente, não me parece que devesse ter acontecido e que, portanto, quem teve responsabilidade por verificar isso, deveria ter detectado esses dados", afirmou Jorge Pedreira à margem do IV Seminário para a Educação. Reagindo a uma notícia do semanário "Expresso", que na edição de hoje relata a existência de um conjunto de erros de português nos jogos educativos do computador, Jorge Pedreira sublinhou que, "agora, o que é importante é corrigir".[...] O Ministério da Educação solicitou a remoção de software associado a uma aplicação de um jogo instalada nos computadores Magalhães após a detecção de graves erros de português, segundo uma nota hoje divulgada. O assunto, noticiado hoje pelo semanário "Expresso", foi denunciado pelo deputado José Paulo de Carvalho, antigo deputado do PP, actualmente não inscrito. Os erros mais de 80, entre os quais 'gravar-lo', 'puxando-las', 'acabas-te', 'básicamente', 'fês', 'caêm', e ainda textos inteiros sem sentido, que teriam como objectivo ensinar as instruções dos jogos, aparecem em vários ecrãs desses mesmos jogos didácticos do portátil dedicado aos mais novos»
lkj
2. Fala-se em política reformista como se o fosse de facto. Trata-se, só para ser benévolo, de uma política desonestíssima ou não o reconhecesse a generalidade dos observadores e partidos políticos, ao ponto de se pensar que uma tutela que tem vindo a afrontar, desrespeitar, injustiçar, pressionar e intimidar os professores e que soma a incompetência técnica (à injustiça que caracteriza o modelo de avaliação do desempenho) inconstitucionalidades e ilegalidades várias, está simplesmente a pedir uma urgente 'defenestração': «O secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, rejeitou a ideia de que os protestos dos professores, que hoje regressam à rua, sejam uma "imagem de marca" do Ministério da Educação esta legislatura."Não é uma questão de imagem de marca. Naturalmente, há uma política reformista que implicava mudanças profundas na escola, na cultura profissional dos professores e essas mudanças, muitas vezes, suscitam resistências", afirmou Jorge Pedreira à margem do IV Seminário para a Educação, que decorre em Alcobaça.»
kjh
3. Se há alguma coisa de revelador nesta vista presidencial à Alemanha, como muito bem expõe e relata Luciano Alvarez, é a descooperação estratégica e mesmo a falta de lealdade entre do governo em relação à PR, no tópico Qimonda. O desvio e descrepância nas linguagens descritivas da negociação em decurso, como se houvesse duas diplomacias paralelas, demonstram-no bem. Como pano de fundo, o instinto eleitoralesco do governo e a desesperação com a queda inexorável nas sondagens, a par da degradação do ambiente económico, fazem do governo maioritário no Parlamento, uma coisa minoritária nos argumentos, nas desculpas e nas razões. Por muitos meses, estes caramelos do governo comportaram-se como se tudo estivesse inteiramente normal, voavam nos Falcon e tinham estilo, como se Portugal fosse imune à hecatombe espanhola e alemã. Como mentir e atenuar foi a linguagem normal, agora já não há mais refúgio nem escapatória, tudo é motivo de luta e pretexto de sofreguidão eleitoralesca. É-o a Qimonda e sê-lo-á qualquer coisa que, por acção salvadora casuística e pontualistica do governo, possa comparecer, no quadro de anúncios repetidos da anunciatura geral governamental, como uma vitória. Vimo-lo com as Pirites Alentejanas e não pararemos de assistir a esse show: «As agendas da Presidência e dos membros do Governo são atempadamente acordadas entre os dois staffs de forma detalhada para que nada falhe e tudo seja feito em perfeita consonância. Isso não aconteceu na visita de Cavaco Silva à Alemanha e a agenda do Presidente acabou por ser adulterada por membros do Governo, o que embaraçou de forma notória o chefe de Estado. E tudo isto por causa da situação de empresa alemã Qimonda, cuja situação de falência pode levar ao despedimento de milhares de trabalhadores, nomeadamente em Portugal. A Qimonda não estava na agenda oficial de Cavaco. Mas estava no que se pode chamar agenda "paralela". Ou seja, o Presidente sabia que a situação ia ser abordada, ele próprio se queria inteirar da situação junto das autoridades alemãs, mas, face à delicadeza da questão e ao facto de a sua resolução envolver vários protagonistas, não queria empolar o caso e muito menos criar falsas expectativas. Foi por isso que, a seguir ao encontro com a chanceler Angela Merkel, o Presidente se limitou a lamentar por não haver "algo de positivo" a acrescentar à situação da Qimonda. Não podia dizer muito mais, até porque ainda lhe faltava falar com outro protagonista com uma palavra política sobre o caso, o ministro-presidente do Estado da Baviera.Quem não esperou foi o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado. E no mesmo dia em que o PR disse não haver "algo positivo" a acrescentar, Amado manifestou optimismo em relação à situação da Qimonda e revelou pormenores do encontro com Merkel que o Presidente entendia que não deviam ser públicos.»
+%E2%80%94+Pieter+Bruegel+(1564-1638)+%E2%80%94+Kunsthistorisches+Museum,+Viena.jpg)
Comments
a iniciativa destes pais foi um sucesso pois receberam centenas de rolos de papel para entregarem à cmo para esta distribuir pelas escolas.
o show pula e avança!
o show pula e avança!