DESLEIXO SOCIAL, CRIME BRUTAL

Nada mais tóxico e desmobilizador de uma sociedade já em ruptura social iminente que a mole consideração da crítica, toda ela e mesmo a de carácter político, como supérflua, redundante ou mal-vinda. Criticar pode parecer ocioso, mas é bem mais fecundo que 'não querer saber', característica portuguesa perigosíssima e que nos trouxe até governos de desastre prévio e subsequente, como este do berlusconizante Sócrates. Por exemplo, o banimento da sátira com a remoção pelo Governo do Contra-Informação do horário que cumpriu por tantos anos é, quanto a mim, um 'crime político' que mostra bem o perigo espiritualmente mortal de esta Máfia dos ASS, Lellos e Vitalinos, sem sentido de humor, de autocrítica e disposta a tudo para proteger os seus títeres humanos. Pelo Contra-Informação, o essencial da treta governamental e não só ficaria desnudado a crianças de cinco anos. Assim, é a manipulação e o medo comprometido que asfixiam a criatividade e a contestação a que só muito poucos e sem nada a perder se atrevem. Um jornal. Uma TV e pouco mais. Frases como «todos os políticos são iguais, mais vale votar no mesmo», modos de votar clubísticos, ignorância da degradação social em decurso e das causas governamentais incompetentíssimas para ela, alheamento massivo do que se está a passar em Portugal, por parte dos eleitores, é um Crime e um harakiri nacional. O abismo em que estamos e o perigo que corremos são factos. Todos têm de mergulhar na Democracia, opinando e votando. O próximo governo sairá de uma abstenção monumental ou não sairá, se o activismo sentado da bloga e da imprensa fizer o seu caminho galvanizador e mobilizador. Isto a propósito do diagnóstico gravíssimo atinente à criminalidade em Portugal e ao facto de se poder dizer que uma política exclusivamente voltada para as grandes empresas, com um Fisco desencadeado sobre precários e desempregados, um Fisco rectroactivo e ilegal, extorquindo e empobrecendo milhões de portugueses durante quatro anos para que esses mesmos dinheiros sejam torrados em monumentais erros, anúncios de encher, em negócios obscuros como os 2000 milhões de euros com que o Estado e a EDP pagaram um cluster energético qualquer nos Estados Unidos, logo num momento económico tão crítico, também isto é criminalidade e irrealismo no plano da gestão dos nossos recursos em hemorragia contínua e uma leviandade sem tamanho semelhante às de Gutterres quando fez o mesmo com investimentos inconsequentes no Brasil, constituíndo isso perdas irreparáveis e monumentais flops - eis parte do que foi dito ontem, no Expresso da Meia-Noite, SICN, apesar do desconforto de Nicolau Santos, sempre protector da acção governamental, que milhares de nós sabemos e intuímos um desastre cabal. Em suma, a criminalidade também começa com a incompetência governamental no plano económico, com opções que nos vão empobrecendo como povo, atirando-nos para um desespero e uma sensação de perda e retrocesso com implicações mentais e psicológicas devastadoras; a criminalidade começa com o desvalimento grosseiro de grupos sociais inteiros, por parte do Governo Ama de Leite da Martifer e mais algumas grandes empresas, sempre as mesmas, as quais porventura poderão salvar reeleições, mas não resumem a economia; criminalidade é essa olímpica indiferença num Governo ao ufanar-se de eliminar milhares de lugares na Função Pública, não prever alternativas, encaminhando milhares para fora do País ou para a tal via de desespero, mesmo que ucraniana e mesmo que brasileira, chamada Criminalidade Violenta. 2008 foi um horror. Pelo caminho insensível e irresponsável das políticas secas e 'cheias da superioridade do homem de estado', 2009 e anos seguintes serão devastadores. A criminalidade deve ser vista como uma totalidade e um ciclo, neste caso, abertos pelo autismo e a auto-suficiência de José Sócrates com o seu desprezo militante por todos os outros e todos os sinais. Esse tom absoluto transformou em fracasso sucessivo todas as pseudo-políticas, e em malogro de boas ideias porque o caminho que se segue conta. Hostilidade com fracos, precarização geral da juventude, desemprego como realidade absoluta, muito para além das estatísticas oficiais. Clima mental marcado pelo pensamento único. Crime. Incompetência. Irresponsabilidade. Ditadura de um Ego Desastrado. Caput: «A líder do PSD mostrou-se ontem preocupada com o aumento da criminalidade apontado no relatório de segurança interna, considerando que "há uma cara para esta questão, que é o primeiro-ministro". Manuela Ferreira Leite falava num comício em Viseu que juntou mais de 1500 pessoas.Confrontada pelos jornalistas com os dados do Relatório Anual de Segurança Interna revelados pelo "Diário de Notícias", Ferreira Leite defendeu que "deve haver outra política", cabendo a José Sócrates avaliar a situação. "Se o ministro (da Administração Interna) é capaz de fazer outra política deve fazê-la, se não é capaz não a deve fazer. O primeiro-ministro é que deve avaliar se a política que está a ser seguida é correcta e os resultados são os que estão à vista ou se deve mudar de política", afirmou.»
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