quarta-feira, fevereiro 01, 2012

DA PORCINIDADE

«3. Tem havido um consenso tácito sobre a necessidade de equilibrar as contas públicas e reduzir o défice externo. A divergência reside na forma de o conseguir. O Governo, o Banco de Portugal e a troika defendem uma terapia de choque e acreditam que assim mudam um paradigma de crescimento assente no consumo para um paradigma de crescimento baseado no aumento das exportações. Mas não mudam. Primeiro porque a retracção provocada está a ficar incontrolável. Depois porque os que poderiam comprar estão, eles próprios, em retracção. Terceiro, porque a nossa economia depende demasiado das pequenas empresas, que vivem do consumo e não podem ser substituídas à bruta, sem tempo nem talento. Finalmente, aquilo de que a política porca não quer falar. Há responsáveis pela crise. Houve decisões simplesmente erradas e decisões conscientemente dolosas, tomadas por quem vive obscenamente rico, incólume. O nível de equidade fiscal é porco. A austeridade massacrou os pobres e protegeu os mais ricos, pela forma mais desigual e feroz de toda a Europa. São fontes oficiais que o afirmam. Continuam as avenças, o “outsourcing” e as consultorias escandalosas, de milhões, protagonizadas pelo próprio Governo, pelo Banco de Portugal, por empresas públicas e por autarquias. O interesse público e a emergência financeira serviram para suspender a Constituição e legalizar o confisco do dinheiro dos funcionários públicos e dos reformados. Mas ainda não serviram para rever as parcerias público-privadas. Quando os velhos morrem sozinhos em casa e as crianças chegam à escola com fome, quando os estudantes abandonam as universidades porque o Estado recusa 10 mil bolsas, estas políticas, além de plutocratas, são porcas.» Santana Castilho

2 comentários:

Miguel disse...

Assino por baixo.

Anónimo disse...

A austeridade é definida 'pelos que mandam' e têm o Poder no momento. As clientelas e grupos de pressão, que 'os' ajudaram com financiamento a chegar ao Poder, jamais aceitariam austeridade nas suas próprias casas, nos seus próprios negócios (Reformas a começar por cima, t'á quieto). O Governo - em geral - é coisa heterogénea e não representa totalmente 'os que mandam'. Estes, escapam ao fraquíssimo crivo da nossa fraquíssima democracia - e estão na sombra. Austeridade, só para o Povo (por Povo entende-se uma coisa lata onde cabe muita gente variada). Os grandes lobbies da construção e das "parcerias" estavam e estiveram até ao fim com sócrates; prudentemente! - não fosse este ganhar as eleições de 2011... Com o PSD de Relvas estão outros lobbies de outros tipos e de outras actividades.
A política, os gabinetes, o Poder e respectivos jogos, as influências, o dinheiro não são mundo para meninos e não estão ao alcance do entendimento do cidadão. O cidadão comum é e sempre foi um número. Viva a democracia.

Ass.: Besta Imunda