quinta-feira, março 22, 2012

FARSA GERAL

Deambulei pela cidade do Porto, após o trabalho. Não vi senão aquela mesma mole tristonha e pardacenta dos outros dias, obrigada a esperar muito mais pelos transportes. Sentada. A encostar-se e a apanhar mais sol que de costume. Nos Aliados, mais polícias que gente. O McDonald's repleto. Tudo igual na casa de apostas Deus-dá-a-Sorte, ainda mais cheia de raspadinheiros e toda a casta de jogadores desesperados. Por todo o lado, além de turistas nórdicos e orientais de suculenta perna nua [jovens radiantes de nariz levantado ou afortunados reformados], os nossos velhos, sobretudo. Mulheres de meia idade, sobretudo. Sobretudo africanos que estudam nos pólos universitários da cidade. Sobretudo pessoas como eu, que andam de transportes públicos e a pé todos os dias para trabalhar. Gente que era pobre, é pobre e será ainda mais pobre, por mais greves generais que se façam. Neste contexto de curral, a CGTP atrapalha-nos a vida por um dia, sendo mais uma parede e uma pedra no meio do caminho duro. E tão inútil quanto uma entidade reguladora qualquer igualmente sem préstimo. Nada mudará com anacrónica retórica. A narrativa está gasta. Os corruptos venceram. Os demais perderam. Comunistas e sindicalistas andaram sedados perante o Grande Assalto ao Erário por parte da Esquerda Desavergonhada de que se não pode falar. Agora querem o quê?

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