sábado, março 17, 2012

ONDE CAVACO E A ELITE ARRENDATÁRIA NOS TRAEM

Repare-se no exercício de retórica cretina a que Nuno Saraiva se entrega, sob o título Enriquecimento ilícito, um elogio para Cavaco. É cretino escudar a recente decisão de Cavaco em obstaculizar a Lei do Enriquecimento Ilícito, cavando ainda mais desconfianças nesta sociedade de senhores e servos, como a descreve hoje Vasco Pulido Valente «A moral cívica não é um sentimento comum ao indígena desta região. Basta pensar na extraordinária quantidade de indiferença ou desprezo pelo uso parco e responsável dos milhões que o português paga a um fisco aberrante, para perceber que a nossa “classe dirigente” se considera dona do que recebe.», o que mais nos faltava era ainda mais impasses e limites à criminalização dos comportamentos mais abjectos e devoristas para que a política conducente à bancarrota nos atirou. Diz Nuno, na lentidão óbvia dos neurónios e no sofisma que defede que essa Lei «Do que se trata é de uma lei que, no que à investigação criminal diz respeito, é um incentivo à preguiça. Uma vez em vigor, nos termos em que foi aprovada, ao Ministério Público basta considerar que determinado património é incompatível com o volume de rendimentos de um cidadão para o acusar, sem ter de se preocupar em fazer prova de que na origem está a prática de um ou mais crimes.» Isto é uma caricatura total porque quem possui rendimentos inexplicáveis exige-se somente que os explique e demonstre. Um jackpot no Euromilhões explica-se facilmente, pelo que é falso que se não explique por azar ou porque sim. cumpre lembrar os Nuno Saraiva de serviço aos que enriqueceram ilicitamente por serem políticos que um sapateiro não é um inexplicável e insultuoso político rico em Paris: «... um sapateiro a quem, por sortilégio - porque passa a ser um azar dos Távoras -, saiu o Euromilhões decide comprar uma casa na Quinta do Lago, um iate e um carro topo de gama, mais uma casa num condomínio de luxo em Cascais, passa a ser presumível culpado de ter aumentado de forma exponencial a sua riqueza, de molde incombinável com os 650 euros que leva para casa todos os meses.» Mesmo na SCM há limites para o anonimato do premiado, pelo que não é preciso que o Nuno Saraiva vá ao cu com um gancho desencantar uma carterva de argumentos que não lembram ao diabo. Só lembram aos filhos da puta que engordaram rapidamente e em força nos últimos seis anos: «E se, por infelicidade e má fortuna, se esquecer do talão premiado no bolso das calças que foram para a máquina de lavar, e sem ele não conseguir provar que o seu novo estatuto lhe foi conferido pela Santa Casa da Misericórdia, é obviamente um criminoso.» O Nuno Saraiva pensa-se esperto, mas o serviço negro que pela opiniãozinha grunha quer prestar ao Primadonna e aos outros que abicharam, prejudicando o Erário em tão curto período, pura e simplesmente não passará. Se passar, é Cavaco a trair-nos outra vez. São as elites que nos ordenham a ordenhar-nos o sangue outra vez.

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