sexta-feira, março 16, 2012

POVO, BORDÃO IRRISÓRIO DA LASSA ELITE

A palavra «Povo» anda na boca do pessoal político e o seu emprego mereceria mais decoro e frugalidade nessas bocas douradas. «Só o Povo me pode afastar!», dizia Assunção Esteves. Só o Povo a pode remover? Não sei. Sinto-nos, a nós, portugueses, irreais e irrisórios para colocar ou remover Assunções. Mesmo ela vê-se e deseja-se para instaurar um módico de construtividade na deputação decadente e laxa. Povo. Palavra passível do mesmo pudor reverente que os Judeus reservavam ao Nome de Javé, especialmente na boca da elite que nos traiu, ralé. Povo! A julgar por mim, que não sou parte da elite, nem tive cargos públicos, nem beneficiei de cunhas ou comissões, e, com 42 anos, sou precário, mal pago, pobre, esfomeado, vulnerável, Povo é ser trucidado e perder sempre. Povo é docilidade no aperto, paciência no esbulho, sorridência amarela no esmagamento fiscal. Quanto menos tenho, mais acossado e injustiçado sou pelo inescapável Cobrador de Impostos Pêlo e Cabelo. Povo é também brutalizar obcecadamente os Sujos, ainda que deslizando no grande esquecimento que oblitera e dissolve cada um, no grande Letes, rio mortífero do dia-a-dia.

1 comentário:

bibónorte disse...

Excelente! Bem haja quem assim escreve! Não podia ter feito um retrato tão fiel sobre este Povo!
Cumprimentos