quarta-feira, março 14, 2012

GENTE QUE É ROBOT E ACHA COISAS

Porfírio, ainda Porfírio, ou qualquer outro socratista, detesta Cavaco Silva. Eu, que não leio Porfírio, vou comentar Porfírio porque ele acha-o «do pior que há entre nós. E, ainda por cima, hipócrita.» Até aqui tudo bem e tudo normal. Menos o argumentário repetido e homogéneo da seita que é todo o mesmo, num mimetismo estalinista de fazer inveja aos melhores tempos da Cortina Ferrujenta. Dizem todos a mesma coisa. Que Cavaco desopile do caos em que redundaram as suas más relações institucionais com S. Bento, segundo Porfírio, também corresponde ao «desenterrar extemporâneo da questiúncula com Sócrates pela (não) informação atempada acerca do PEC IV», o qual não foi, como defende Porfírio, proposto a Bruxelas para tentar evitar que o país fosse lançado nos braços da "ajuda" externa, mas imposto por Berlim como condição para mais algum tempo de sobrevivência a esse esfarrapado Governo Minorca e Descredibilizado. Mas enfim, a seita tem versões and must stick to them. Também Porfírio acha «despropositado não reconhecer que Sócrates devia ter arranjado maneira de contar a coisa a Cavaco mais atempadamente.» Isto é, um PEC que se oculta ao Parlamento e ao PR e se dá a conhecer de fugida e já consumado ao Passos Coelho da mãozinha, era uma coisita de somenos. Porfírio também acha «que Cavaco citou mal a Constituição, fez interpretações abusivas acerca do facto (pressupondo que a delonga na informação é instantaneamente classificável como deslealdade) e fez-de de parvo acerca do que se estava a passar (Sócrates tinha razões para crer que Cavaco, quando soubesse, iria contar aos seus amigos políticos, provavelmente estragando o segredo necessário à concretização do plano).» Mas qual segredo? Se havia secretismo para que serviria?! Todavia concordo com o Porfírio quando fala de deslealdade para com o Governo (o que, aliás, continua a ser a sua prática com o actual governo).» Na grande guerra de deslealdades institucionais, Cavaco foi, por uma questão de sobrevivência e de defesa pessoal, desleal com o Governo Sócrates o qual, por sua vez era desleal com toda a gente. Qual das deslealdades nasceu primeiro? As deslealdades de Sócrates. Mas nasceu, foi desleal, palavra aliás inexistente no seu léxico. Mas Porfírio consegue surpreender ao dizer que não alinha «com a tese de que Sócrates fez muito bem em não informar o PR. Sócrates terá tido, teve de certeza, razões para isso. As circunstâncias explicam o episódio, pelo menos em parte, aceito. Mas isso não justifica que se teorize, constitucionalmente e tudo, para dizer que é pão nosso de cada dia que o PR não saiba o que o governo está a propor de tão importante para o país num Conselho Europeu.»  Ora este desalinho da seita de que o Porfírio se mostra capaz comove-me até às lágrimas porque ainda há esperança que a grande omertà socialista, o dictat socialista, a articulação de versões Lello, Vitalino, ASS, Silva Pereira, pode ser rompida e Porfírio rompe-a um bocadinho comovedor. Por fim, Porfírio sentencia Cavaco Silva com a sentença que o define em todo o espectro político na História por todo o sempre, sem apelo nem agravo, e que se aplicaria também, mas agravadissimamente a Sócrates, se Porfírio se afastasse inteiramente dos que no Partido Aparadeira amparam toda a porcaria porque cometida e decidida pelos seus: «Cavaco mostra que tem uma visão da história e do país completamente centrada no seu pequeno umbigo.» Mas é ao concluir o grande achismo porfiriano que a coisa descamba para a ficção novamente: mas então como é que Cavaco poderia «promover um entendimento alargado que evitasse a crise política e mobilizasse o país para uma resposta justa aos desafios.» se nunca nascera em Portugal coisa mais traiçoeira, mentirosa, infiável quanto o Primadonna?! Se este espécimen se comportou de forma absolutamente desleal e anormal, praticando a exclusão e o rebaixamento de qualquer interlocutor, Cavaco incluído?! Portanto, Porfírio, o semidesalinhado da seita, é também incapaz de ver a baixeza lá, onde ela pontificou. Concordo, enfim, que «Cavaco [...] se pensa a si antes do país - além de que Cavaco, o campeão da deslealdade institucional, quer com o PS quer com o PSD, confunde os seus cálculos biliares com o cálculo do interesse comum.», mas corrigiria as posições no pódio: Cavaco é somente vice-campeão da deslealdade institucional. Sócrates foi o Messi Negro da Deslealdade Institucional, da Deslealdade Fiscal, da Deslealdade Política, da Deslealdade com Bebés Interrompidos, da Deslealdade com Professores Humilhados, da Deslealdade como Modo de Vida. Ponto. Era tão fácil ver isto. Mas seria necessário não se ser da súcia socialista, a verdadeira sociedade secreta, hermética, coreuta de versões combinadas.

2 comentários:

Porfirio Silva disse...

Acho que nunca comentei aqui, por uma simples razão: não tenho interesse pelos escritos que vivem do clima de ódio como arma política. Faço agora uma excepção, por ser evidente neste texto algo muito habitual aqui: o contorcionismo. Eu não preciso de desalinhar, pela simples razão de que não sou contratado. Não conheço seitas e não as frequento; mas percebo que certas cabeças só sejam capazes de ver o que há no seu mundo.

joshua disse...

Caro Porfírio, não sou adepto do ódio. Reclamo é por falta de Justiça e por ver no Partido Socialista um enorme óbice a ela.