sexta-feira, março 09, 2012

MORBIDEZ E AUSTEROFOBIA

Depois de me ter dado à trabalheira psíquica de ler o que José Pacheco Pereira resolveu escrever, publicado no dia três de Março no jornal Público, concluo que o fim do mundo está próximo, o Ministro das Finanças não deixará pedra sobre pedra da economia moribunda e que o melhor será não estar vivo quando tudo soçobrar. Mórbido. Austerofóbico. Nós, os que há meses, pelo mês afora, não temos senão trocos para o café-que-substitui-o-almoço e não temos senão moedas pequenas para meias-de-leite que suprem lanches ou pequenos-almoços, nós nunca compreenderemos o por que ainda estamos vivos, nesta precariedade miserável e galopante, uma vez que o chão se vai abrindo para milhares de cidadãos todos os dias. Naturalmente, o intelectual Pacheco anuncia o colapso dos outros portugueses e a tragédia alheia dos demais cidadãos por via das opções iniludíveis do Governo Passos e do super-ministro Gaspar. Mas Pacheco tem notas de cem para coleccionar os seus panfletos raros e farejar os deliciosos livros ratados nas livrarias excepcionais que vão fechando. Eu todos os dias apanho com o sol na face, transpiro no regresso a casa, e acredito. Quando, desde há muito, tudo nos é austeridade, nenhuma austeridade adveniente poderá ser pior que a que tivemos e ainda temos. Nenhum temor, de resto. O que vier, se vier, encontrar-me-á firme, de lança e escudo, minhas Palavras, como bom espartano, a teu lado, protegendo o teu flanco. Gosto de boa retórica, mas não do diletantismo que nunca geriu ninguém, nunca ganhou eleições, nunca arriscou o pescoço no trabalho-serviço à Pólis, como fez Menezes ou Rui Rio, ou outros que fizeram a diferença no terreno. Era suposto que a treta negativista de Pacheco fosse, antes, estímulo e fio de Ariadne. Não. É cu obstipado, túnel sem luz, beco.

2 comentários:

Anónimo disse...

E tudo por culpa do Sócrates.

Maria disse...

O que é que deu a JPP nestes últimos tempos? Assanhado que só ele ... e às vezes tão inconsequente que roça o ridículo. Fica-lhe muito mal.